quarta-feira, 28 de junho de 2017

Os Músicos do Brasil - 67

Esta é uma das grandes sanfoneiras da atualidade. Podemos classificá-la como professora de muitos nomes hoje famosos aqui no Nordeste. Natural de Salgueiro/PE, a série Os Músicos homenageia hoje não apenas uma artista dedicada à sanfona, mas também a transferir este ofício a outros que se interessam por ela e que seguem o caminho trilhado pelas notas deste instrumento.

Terezinha do acordeon é uma verdadeira escola viva, pois por ela já passaram nomes como Cezinha e Beto Ortiz, por exemplo, que hoje batalham por suas carreiras. Ela também já tocou com nomes como Dominguinhos, Elba Ramalho, Nando Cordel, entre outros.

Com alguns discos já lançados, Terezinha ergue a bandeira do autêntico forró e o que aprendeu na escola Gonzaga, transfere para outros, podendo ser considerada uma das melhores, se não, a melhor professora de sanfona deste país!

Um forte abraço a todos!

domingo, 25 de junho de 2017

♫Casa abandonada♫

De Alcymar Monteiro curto bastante algumas canções românticas e em especial esta em que mistura guitarra e sanfona em algumas frases musicais. O clipe que passava na época em que foi lançada, em 2001, também era bastante legal, onde retratava junto, com sua letra, imagens bastante regionais.

A letra de Casa abandonada fala de saudade na parte mais profunda da alma. Aquela saudade sem cura, naquele personagem que repara pela janela, nos caminhos mais distantes, na esperança da volta que devolve o brilho ao olhar. As prosopopeias em volta da rede, roseira, do passarinho, da casa, enfim tornam esse clima nordestino ainda mais vibrante nesta bela canção de Alcymar.

Casa abandonada
Alcymar Monteiro

Saudade meu bem saudade
Saudade do meu amor
Que um dia foi sim bora
Nenhuma carta deixou

Passo o dia na janela tentando desparecer
Cominando, relembrando, rebuscando
Me perco te procurando me lembrando de esquecer
O tempo todo, todo tempo só pensando
Me pego me perguntando onde andara você

A rede armada balançando sem ninguém
Nossa casa abandonada pergunta quando cê vem
Nossa roseira já morreu de solidão
Tal e qual meu coração
Também não tem mais ninguém
O passarinho lá na copa do moquém
Vive cantando vem vem
Todo o dia, o dia todo
Chamando e você não vem

Um forte abraço a todos!

domingo, 18 de junho de 2017

♫Lembrança de um beijo♫

Gosto muito quando algum artista que possui alcance nacional grava algo aqui do Nordeste para o Brasil inteiro ouvir. Fagner faz isso muito bem e acho que outros artistas poderiam prestar mais atenção a grandes pérolas que possuímos. E talvez pelas raízes, nosso cearense seja mestre nessa modalidade.

Lembrança de um beijo foi gravada naquele grande disco de 1994 em que ele canta vários sucessos deste ritmo. Antes, já havia sido cantada por Santanna, o cantador. Está entre as minhas preferidas do grande e saudoso Accioly Neto e também do Fagner em ritmo de forró. Sua letra fala do cabra forte, valente, bem sucedido, que se desmancha em lágrimas pela saudade que percorre suas veias, pela lembrança de um beijo inesquecível.

Lembrança de um beijo
Accioly Neto

Quando a saudade invade o coração da gente
Pega a veia onde corria um grande amor
Não tem conversa nem cachaça que de jeito
Nem um amigo do peito que segure o chororô

Que segure o chororô
Que segure o chororô...

Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer
Saudade já tem nome de mulher
Só pra fazer do homem o que bem quer

O cabra pode ser valente e chorar
Ter meio mundo de dinheiro e chorar
Ser forte que nem sertanejo e chorar
Só na lembrança de um beijo, chorar...

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

CD Maciel Melo Isso vale um abraço

E como indicação de trilha sonora para este e qualquer momento junino temos esse grande trabalho do nosso Maciel Melo. Um show gravado em 2007 no Teatro Guararapes, em Recife/PE que reúne seus grandes sucessos e alguns parceiros inesquecíveis. 

Também disponível em DVD, o repertório conta com O velho arvoredo, Pra ninar meu coração, Terra prometida, Tampa de pedra, Porteira do Cambão e o Medley Coco peneruê/Mulher de Mané Amaro/Coco do M/Meu pião (ambas com Silvério Pessoa). E ainda Jeito Maroto, Meu Cenário (com Petrúcio Amorim e trecho de Paisagem do interior, de Jessier Quirino).

Temos ainda De mala e cuia, João e Duvê (com Xangai), Um vêio d´água (com Irah Caldeira), Bandoleiro dos sonhos (com Marcone Melo), Medley Caboclo sonhador/Que nem vem-vem (com Flávio José), Facilita, Se tu quiser, Isso vale um abraço e o medley Noites brasileiras/Aproveita gente. Um ótimo trabalho pra quem deseja curtir aquele forró da melhor qualidade com este grande artista nordestino e seus convidados.

Um forte abraço a todos!

domingo, 11 de junho de 2017

♫Bote tempo♫

Santanna, o cantador é uma boa pedida, principalmente nesta época junina, com seus maravilhosos xotes. Este é um deles, que não pode faltar em suas apresentações neste mês onde sua agenda é disputadíssima. Suas canções se unem ao colorido e brilho dessa festa que representa tão bem a cultura nordestina do Brasil.

A letra de Bote tempo fala de um amor partido, de uma saudade insaciável, uma solidão escancarada e doída. E quem discordar, quem não acreditar nesse sentimento é porque nunca passou por ele ou por algo parecido, como diz a letra, com pitadas de festa junina que tem uma em uma de suas principais características a alegria, mesmo diante de um amor partido, ele é contado com serenidade e ritmo.

Bote tempo
Eliezer Setton

E bote tempo que eu não sei dormir
E bote tempo que eu não sei sonhar
E bote tempo que eu não sei sorrir
E bote tempo que eu só sei chorar

E bote tempo que eu não tenho aonde ir
E bote tempo que eu não sei pra onde voltar
E bote tempo que eu só sei o que é sofrer
E bote tempo nisso que ninguém me quer

Quem achar que exagero
Nunca viu o desespero
De quem esteve o tempo inteiro
Mergulhado na paixão

Quem disser que é brincadeira
Desconhece o que é o amor
Nunca entrou numa fogueira
E a flecha do cupido nunca lhe acertou

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

"Não deixem o forró morrer"

Parafraseando o clássico "Não deixe o samba morrer", penso que alguém até poderia criar uma canção protesto com este título. Alguns artistas locais e até nacionais andam gritando este lema atualmente. É que nas festas juninas, em suas maiores praças, estão faltando espaços para valiosos trabalhos. Falo do autêntico forró pé-de-serra, plantados neste país por nomes como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.

Os artistas sertanejos nacionais andam tomando conta dos palcos principais já há muitos anos o que, para alguns, descaracteriza uma festa tão nordestina também em seus ritmos e sons. Penso que deve haver espaço pra todos e quem preferir assistir um Zezé di Camargo ou um Luan Santana que siga seu caminho, mas que também encontre a opção de conhecer um artista local que espera esta época para realizar sua turnê.

E também sou do tipo que pensa que São João é e sempre será uma festa que transforma o Nordeste do país, mesmo com todos os problemas sociais, no melhor lugar do planeta para se viver. E o som vem daquela escola Gonzaga que formou tantos outros doutores que precisam também serem prestigiados pelas novas gerações, por um merecimento natural, por difundirem a nossa cultura com toda a propriedade que ela oferece.

Um forte abraço a todos!

domingo, 4 de junho de 2017

♫Não vendo nem troco♫

Mês de junho e mais uma vez vamos reverenciar este ritmo tão nordestino que é o autêntico forró e nada melhor que começar com esta canção emblemática, este dueto histórico composto e cantado por Gonzagão e Gonzaguinha e revivido posteriormente por Dominguinhos e Zé Ramalho.

A canção Não vendo nem troco relata algo de muito valor, cobiçado por muitos, como conta um dos personagens. O outro, proprietário do produto, até concorda com alguns adjetivos, mas já prevendo os excessos como algo duvidoso e classificando isto como grande "inchirimento", segue com suas advertências de que não tá pra vender, nem trocar. Em algum momento da letra parece uma mulher, mas ao final é revelado o verdadeiro objeto de cobiça, uma égua. Coisas de gênios, fazer algo assim com tão bom humor e riqueza cultural.

Não vendo nem troco
Luiz Gonzaga e Gonzaga Jr.

Olha que pedaço nacional
Que coisa mais bonita, que belo animal
Você está querendo se engraçar
Não é para vender nem é pra comprar

Olha que molejo que ela tem!
Beleza sem igual e graça tem também
Ela é formosa, sei muito bem
Por isso é que ela é minha
Não divido com ninguém

É meu xodó, é meus 'amor'
Ela me acompanha pelos canto 'adonde' eu vou
É companhia de qualidade
É de confiança, que tranqüilidade

Tenha mais vergonha, tenha mais respeito
Ela não se engraça com qualquer sujeito
Mas com esse molejo, com esse tempero
Você não compra nunca, guarde seu dinheiro

Mas é que ela é cobiçada em todo esse sertão
Essa 'véia' é minha vida, eu não troco, não
Essa 'véia' é minha vida, eu não troco, não
Essa 'véia' é minha vida, vendo não senhor
Essa égua eu não vendo, não troco nem dou

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Os Músicos do Brasil - 66

Poderia citá-lo na série Os compositores ou apenas comentar sobre seu lado cantor. Como é também sanfoneiro da nova geração, resolvi abordá-lo na série que homenageia os músicos deste país e que, neste caso específico, com sua sanfona, terá uma agenda apertada nos arraiais do Nordeste agora em junho. Estou falando de Dorgival Dantas de Paiva, ou simplesmente Dorgival Dantas.

Natural de Olho d´água dos Borges/RN é também tecladista e produtor. Já teve músicas gravadas por artistas como Flávio José, Banda Calcinha preta, Fagner, Waldonys, Michel Teló, Alexandre Pires, Frank Aguiar, Jorge e Matheus, entre outros, mostrando que transita com facilidade por ritmos diferentes.

Entre seus sucessos, temos Coração, Você não vale nada, Tá na cara, Minha Maria, Paixão escondida, Casa velha de sapê, entre outras. Dorgival tem vários seguidores e é pra esse público cada vez mais fiel que ele trabalha sempre mostrando um som cada vez mais genial.

Um forte abraço a todos!

domingo, 28 de maio de 2017

♫Esotérico♫

Aprofundando o repertório do Gilberto Gil, encontramos pérolas como esta canção que eu jurava já ter sido tema de novela, mas não encontrei de qual em minhas pesquisas. E se não for, tá aqui uma grande pedida. Gravada originalmente em 1982 por seu autor, a conheci em suas versões acústicas de 1994 e no mais recente CD/DVD com Caetano Veloso.

Numa mistura que une amor e misticismo, a letra de Esotérico, a meu ver, explora esse laço do amor com algo divino, como ser supremo da civilização. Gil é daqueles que fazem algo simples e ao mesmo tempo com uma complexidade que dá até receio de comentar algo que sua obra expressa. Mas, a meu ver é isso, um grande amor que possui contornos divinos e garantem sua existência de forma consistente. O assobio é um charme a parte desta belíssima melodia.

Esotérico
Gilberto Gil

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais

Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí

Não adianta nem me abandonar 
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

CD Rita Lee MTV ao vivo

A MTV não oferecia apenas grandes projetos acústicos, que poderiam ser ao vivo ou em estúdio. Também havia o projeto ao vivo em que determinado artista gravava seu atual show. E grandes nomes participaram destas edições como foi o caso da Rita Lee, que fez seu acústico em 1997 e seu Rita Lee ao vivo MTV em 2004.

Baseado na turnê Balacobaco, que a Rita fazia na época, saiu em CD/DVD e foi exibido pela extinta emissora. Mesclando sucessos antigos e recentes. alguns há muito tempo não cantados, convidados e também duas canções inéditas: Meio fio e Coração babão, temos no CD as canções Saúde, Mamãe natureza, Esse tal de roque enrow (com Pitty), Amor e sexo, Panis et circenses, Lucy in the sky with diamonds, Pagu (com Zélia Duncan), Baila comigo, Caso sério, Eu quero ser sedado, Ando jururu e Tudo vira bosta.

Apenas nos DVD temos ainda Nem luxo nem lixo, Quando te vejo, Doce vampiro, Ovelha negra, Caso sério e Lança perfume. Este pode não ser o melhor trabalho da Rita ao vivo, mas dá pra matar as saudades da Zorra, sobretudo depois de vermos a mais recente entrevista dela ao programa do Bial, quando esta saudade aumentou.

Um forte abraço a todos!

domingo, 21 de maio de 2017

♫Amado♫

Essa é daquelas românticas pra quem curte uma voz calma e suave como é o som produzido por Vanessa da Mata, nesta composição em parceria com Marcelo Jeneci. Tema da novela global A favorita, é uma belíssima balada que, a meu ver, não combinou com a versão remix.

A letra de Amado fala sobre aquele amor platônico de alguém que deseja, sonha com outro alguém que não possui e que, mesmo sugerindo a união como um ápice, sofre por isso não acontecer e talvez nunca aconteça. E quem nunca viveu um amor platônico assim, mesmo sabendo que eles são muito melhores nos sonhos que na realidade? Essa identificação é mais uma característica que a boa música brasileira tem com seu público.

Amado
Vanessa da Mata e Marcelo Jeneci

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós, gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você

Um forte abraço a todos!

domingo, 14 de maio de 2017

♫Dona do horizonte♫

Dia das mães e nada melhor que vivenciar esta data com canções tão cheias de amor e sensibilidade como são esses anjos maternos. Djavan, em seu mais recente CD, escreveu sua homenagem a elas, contando como era seu relacionamento com sua mãe, pedra fundamental em sua formação, segundo relata nesta belíssima letra.

Dona do horizonte resume um menino que nem sabia por onde ir, mas que era privilegiado por ser guiado por alguém que já sentia os aplausos a seu rebento. E, dessa forma, proporcionava aos ouvidos e conhecimentos do futuro astro só enciclopédias da nossa música, sucessos da época como Orlando Silva, nosso Luiz Gonzaga e Dalva de Oliveira e Ângela Maria, sem o devido cuidado com os estudos. Djavan retribui com essa pérola de canção e com algumas frases simples, sucintas, mas precisas como: "mãe é o nome do amor"! E está certíssimo. 

Dona do horizonte
Djavan

Eu já nasci
Minha mãe quem diz
Predestinado ao canto
Ela falou
Que eu tinha o dom
Quando eu estava
Na soleira
Dos meus poucos anos!

Foi indo assim, quando dei por mim
Já não fazia outra coisa
Cantava ali, só pra ela ouvir
E me dizer coisas tão boas
Por exemplo:

Quero vê-lo o mais querido
Como nosso Orlando
Hei de ler seu nome escrito
Em placa de avenida

Não vai mudar, toda mãe é assim
Mãe é o nome do amor!

Logo cresci
Minha mãe ali
Dona do horizonte
Me fez ouvir
Dalva de Oliveira
E Ângela Maria todo dia
Deusas que adorava

Tinha prazer
Em me levar pra ver
Luiz Gonzaga cantar
Não sem deixar
De advertir
Pra que eu estudasse sempre mais
E sem descanso

Quero vê-lo o mais querido
Como nosso Orlando
Hei de ler seu nome escrito
Em placa de avenida
Não vai mudar, toda mãe é assim
Mãe é o nome do amor!

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

CD Milton Nascimento E a gente sonhando

Milton Nascimento é um dos artistas que continuam a produzir coisas boas, mesmo com o passar do tempo. Em 2010, por exemplo, lança este projeto que reúne novas canções e algumas regravações, juntamente com novos músicos parceiros e alguns antigos, como é o caso do amigo Wagner Tiso.

Nas regravações temos Raras maneiras (que Simone já havia gravado), Resposta ao tempo (gravada pela Nana Caymmi), Adivinha o quê? (do Lulu Santos) e O sol (do Jota Quest), além de E a gente sonhando, Me faz bem (sua, mas gravada anteriormente por Gal Costa), Espelho de nós (também sua e gravada anteriormente pela Simone) e Amor do céu amor do mar (que o próprio Milton havia gravado antes). Um ponto também interessante é o fato do disco contar com um coral formado por jovens da cidade mineira de Três Pontas, selecionados pelo próprio Milton.

Completam o repertório a belíssima Estrela estrela, além de Flor de Ingazeira, O ateneu, Do samba do jazz do menino e do bueiro, Gota de primavera, Sorriso, Olhos do mundo e Pescador. A bela voz do Milton, em arranjos delicados que podem não representar clássicos em seu repertório, mas que sempre serão agradáveis a quem curte um bom CD de música brasileira.

Um forte abraço a todos!

domingo, 7 de maio de 2017

♫Apenas um rapaz latino americano♫

E há uma semana Belchior nos deixou. Antes dele, Jerry; nestes últimos dias, Guineto. E como é o artista, vai, mas fica. Isso porque alguma coisa ele nos disse que aprendemos, refletimos e depois esquecemos e depois revivemos e assim segue algo cíclico que podemos chamar de vida. Nunca ouvi muito nenhum dos três, mas esta canção do Belchior tocou bastante nesses dias e parei pra prestar atenção nela.

Aliás, frases de efeitos é o que não falta. Quantos rapazes vindos do interior já não se identificaram com este clássico, mesmo sem parentes importantes ou sem dinheiro? Este êxodo foi e continua sendo tão comum, mesmo 40 anos depois do lançamento desta pérola. E podemos passar desapercebido dos questionamentos de sua obra, de letras tão extensas e sempre reflexivas? Não nos prenderemos a nostalgias, pois tudo muda e com toda razão e, se ao vivo, é mesmo pior, vamos ao menos agradecer por tais palavras que cantadas nunca ferirão quem se identificar com elas.

Apenas um rapaz latino americano
Antônio Carlos Belchior

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos
Conversado com pessoas
Caminhado meu caminho
Papo, som, dentro da noite
E não tenho um amigo sequer
Que ainda acredite nisso não
Tudo muda!
E com toda razão

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
Ao vivo é muito pior

E eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Por favor
Não saque a arma no "saloon"
Eu sou apenas o cantor

Mas se depois de cantar
Você ainda quiser me atirar
Mate-me logo!
À tarde, às três
Que à noite
Tenho um compromisso
E não posso faltar
Por causa de vocês

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CD Sérgio Reis & convidados

Um dos melhores discos do Sérgio Reis, se não, o melhor é este aqui, lançado em 2000, com grandes sucessos e grandes amigos convidados a dividir algumas faixas. O medley formado por Panela velha e Pinga ni mim abre o trabalho que traz logo em seguida a dupla Chitãozinho & Xororó no clássico O menino da porteira.

Outro clássico, Saudade da minha terra vem na sequência e, posteriormente temos a participação de Zezé di Camargo & Luciano na faixa Todas as manhãs, de Roberto e Erasmo. Depois da canção O menino da gaita, mais um medley formado por Cabecinha no ombro e Meu primeiro amor, com Roberta Miranda. Mais um medley com as canções Chico Mineiro e Chalana. 

Temos ainda Comitiva esperança, Filho adotivo, Maluco pelo Rio Grande, O caminho de partir é o mesmo de voltar, Nada me consola, além dos duetos com Reginaldo Rossi em Coração de papel e, Djavan em Estória de cantador. Para quem curte o som de um verdadeiro sertanejo raiz, tá aqui uma pérola que não pode faltar em qualquer coleção.

Um forte abraço a todos!

domingo, 30 de abril de 2017

♫Eu preciso de você♫

Roberto e Erasmo sempre nos presentearam com grandes declarações de amor, como esta que anda esquecida por ele, lá do início dos anos 80,(não entendo como ele que prefere cantar canções de amor bem sucedido ainda não resgatou este sucesso) e também pelos bons intérpretes deste país. É certo que Simone e Bethânia a regravaram em épocas distintas, mas temos aqui uma ótima sugestão para quem deseja resgatar um tema como este. Eduardo Lages também a interpretou magistralmente em seu romântico piano.

Com letra inspiradíssima, Eu preciso de você fala da necessidade que um tem do outro, claro visto de forma romântica e apaixonada. Sei que muitos críticos ou psicólogos discordariam de tamanha dependência, mas visto pelo lado sensível da alma apaixonada, tal dependência desperta nobreza nas pessoas, leveza e também um senso de fidelidade a esse destino personificado como felicidade. Sem falar que resgatar uma canção como esta é mais que necessário em tempos onde, de forma equivocada, a classificariam como piegas.

Eu preciso de você
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Eu preciso de você
Porque tudo que eu pensei
Que pudesse desfrutar da vida
Sem você não sei

Meu amanhecer é lindo
Se você comigo está
Tudo é mais bonito no sorriso
Que você me dá

Eu não vivo sem você
Porque tudo que eu andei
Procurando pela vida
Agora eu sei

Que andei sabendo que em
Algum lugar te encontraria
Pois você já era minha e eu sabia

Como a abelha necessita de uma flor
Eu preciso de você e deste amor
Como a terra necessita o sol
E a chuva eu te preciso

E não vivo um só minuto sem você
Mas eu preciso de você
Porque em toda a minha vida
Nem por uma vez amei alguém assim.

Você é tudo é muito mais do que sonhei pra mim
E é por isso que eu preciso de você.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CD Jorge Vercillo Vida é arte

Ser feliz é uma questão de acontecência. Foi esta frase, desta belíssima canção de Jorge Vercillo, que ouvi no ano passado nas rádios, que me fez comprar seu mais recente trabalho. Este CD lançado ano passado e que reúne 13 canções, com algumas valiosas parcerias e o sempre belo cantar deste grande músico que conquista o país a cada disco lançado.

Além da belíssima Acontecência, temos Pra valer, Talismã sem par, Quem (com Luana Mallet), Silêncio da favela (com Carlinhos Brown), Vida é arte, Noite dos jangadeiros, Amparados, Permissão, Luzes que se movem pelo céu (parceria com Flávio Venturini), Pode ser (já gravada anteriormente por Pedro Mariano), Desafio e Cegueira da visão.

Em uma época em que poucos artistas ousam lançar novas canções e menos ainda acertam, tá aqui um bom trabalho de um grande profissional que mostra onde segue o caminho para se acertar na retomada da sempre boa música brasileira.

Um forte abraço a todos!

domingo, 23 de abril de 2017

♫Do fundo do meu coração♫

Essa é uma das minhas preferidas do Roberto e ficou ainda mais preferida depois que ele voltou a cantá-la em 2009. Prova que ele tem muitas belíssimas canções e esta é mais uma delas perdidas dos anos 80, que alguns até comentam que já não apresentava boas safras. Joanna também a gravou, assim como Daniel, Leonardo e, Adriana e Erasmo em uma versão que dispensava o refrão. O mesmo fez a cantora quando cantou sozinha no Elas cantam Roberto.

A letra de Do fundo do meu coração fala do fim de uma relação, de forma dolorosa, mas com todos os elementos que este momento traz à vida de qualquer pessoa que ama ou é amada, como a insegurança na decisão, a vontade de não voltar atrás e muitas vezes o reconhecimento de que esta vontade é maior. O lado humano de quem ama e deseja juntar os cacos, os estilhaços e recomeçar longe daquele amor, apesar de toda fragilidade e de um sentimento ainda presente.

Do fundo do meu coração
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar,
Decidido eu disse: nunca mais.
Mas, novamente, estúpido, provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz.

Vi todo o meu orgulho em sua mão,
Deslizar, se espatifar no chão.
Vi o meu amor tratado assim.
Mas basta agora o que você me fez.
Acabe com essa droga de uma vez,
Não volte nunca mais para mim.

Mais uma vez aqui,
Olhando as cicatrizes desse amor.
Eu vou ficar aqui,
E sei que vou chorar a mesma dor.
Agora eu tenho que saber
O que é viver sem você.

Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar,
E mais uma vez falei que sim.
Mas, já depois de tanta solidão,
Do fundo do meu coração,
Não volte nunca mais pra mim.

Mais uma vez aqui,
Olhando as cicatrizes desse amor.
Eu vou ficar aqui,
Eu sei que vou chorar a mesma dor.

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim.
Mas, já depois de tanta solidão,
Do fundo do meu coração,
Não volte nunca mais para mim.
Do fundo do meu coração,
Não volte nunca mais para mim.

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O livro do Armindo Guimarães

Hoje é mais um dia onde se comemora o aniversário do Roberto Carlos, este grande artista que escreveu na música brasileira as páginas mais românticas que esta possui. Vida longa ao rei e vida longa também aos fãs do rei que estão comemorando com ele seu aniversário em Portugal. E, ao se falar desta terra de onde descendemos todos os brasileiros, me vem a mente o Armindo Guimarães que, pra quem não conhece, é o maior fã do rei em terras lusitanas.

Armindo escreve bate-papos telefônicos fictícios entre ele e o Roberto e também entre ele e o maestro Eduardo Lages desde 2005 e os reuniu neste livro que resolveu presentear alguns fãs do Roberto, além do próprio. E não é que entre estes fãs, fui escolhido? Com muito humor, como é sua marca, ele mandou em novembro do ano passado e de tanto demorar, pensei que nem receberia mais, pelas atrapalhadas dos Correios e não é que chegou? E estou me divertindo bastante lendo suas histórias tão suas, mas que acabam sendo nossas, pois ele expõe uma criatividade ímpar ao juntar estas letras e se tornar feliz com isso, conseguindo contagiar a todos!

E agora? Aprendi que um prato de doces se devolve com um prato de salgados. Desesperado, pois não sou bom na cozinha, não fiz livro, não gravei cantando, nem tocando! Como retribuir a este ser de uma essência tão pura, doce e amistosa? Ao menos considere uma tentativa este pequeno relato e esta cara de bobo ao ser merecedor de um presente que atravessou o oceano, assim como faz minha admiração por ele. Don Armindo, só posso pedir a Deus que o retribua por tamanha generosidade e vontade de despertar um sorriso em cada amigo que o conhece! Coisas de Roberto Carlos: conseguir despertar nossa admiração por ele e por quem nutre admiração por ele também.

Um forte abraço a todos!

domingo, 16 de abril de 2017

♫Olha♫

Essa é daquela que faz parte de uma lista de grandes declarações de amor. Olha é original de 1975 e já foi regravada por vários bons intérpretes: de Maria Bethânia, a Chico Buarque e Erasmo Carlos, de Alcione e Ângela Maria, passando por Cauby Peixoto, até Eduardo Lages em uma versão instrumental, e muitos outros já imprimiram sua marca nesse verdadeiro clássico do Roberto. Curioso é que, de tantas gravações ao vivo que este fez, esta pérola ainda não mereceu uma nova releitura sua, embora sempre a cante cada vez mais com uma delicadeza ímpar em seus shows.

Mas, engana-se quem pensa que a letra de Olha fala daquele amor fantasia, que só se encontra nos contos de fadas. A canção cita os problemas, os estresses, a inconstância de um casal, mas, ao mesmo tempo propõe que tudo pode ser resolvido com uma boa esperança de seguirem uma estrada de amor e paz e confiança no que há de vir onde qualquer problema é superado quando existe e se vivencia o amor. Como se os caminhos fossem de pedra, mas que levam a lugares fascinantes na terra onde o amor sempre reina.

Olha
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim

Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

CD Djavan Vidas pra contar

Djavan é um dos poucos artistas que lançam novos trabalhos colhendo êxitos como no passado. Se alguns de seus últimos álbuns não confirmarem isto que estou falando, basta então ouvir o seu mais recente trabalho lançado em 2015, com o título de Vidas pra contar. Sem esquecer suas raízes, ele começa o CD cantando o povo nordestino e sua cultura com a belíssima Vida nordestina.

Mas, o que mais me encanta em todo cantor e com ele não seria diferente, é a capacidade de criar e interpretar novas canções românticas. Neste sentido estamos diante de belas canções, algo raro hoje em dia, mesmo por astros consagrados, como é o caso de Não é um bolero, O tal do amor, Encontrar-te e Primazia. Aquela "batida djavan" tá cada vez mais perfeita e presente em Só pra ser o sol, Aridez, Enguiçado, Se não vira jazz e Ânsia de viver.

Completam o álbum a homônima Vidas pra contar e a autobiográfica Dona do horizonte, uma belíssima homenagem à sua mãe, sem fazer apelação a sentimentalismos, mas com a verdadeira doçura que o tema pede. Está aqui uma ótima pedida para o dia das mães e não apenas isso, estamos diante de um dos melhores discos, se não o melhor lançado por um artista do Brasil nos últimos dez anos. 

Um forte abraço a todos!

domingo, 9 de abril de 2017

♫Caminhoneiro♫

Eu já havia postado esta canção antes como tema comemorativo pelo dia do caminhoneiro, que acontece todo 30 de junho. Mas, agora quero falar sobre a importância dessa canção que, para mim foi uma espécie de gênese musical, pois começo contando minha relação com a música desde 1984, quando Roberto lançou esta canção e meu pai, também caminhoneiro, comprou o disco. Eu, então com 4 anos de idade, decorei e cantava toda aquela extensa letra, pensando no meu pai nas estradas como o via, com aquele caminhão bem grande que me dá uma certa inveja, pois ainda sonho em dirigir um assim.

Gosto muito do arranjo, da canção, de tudo o que fala esta letra. Um cara apaixonado que vive buscando seus horizontes país afora e principalmente o melhor deles que é o abraço e o amor de sua amada. Dizem que na prática é pouco provável isso acontecer, que os caminhoneiros são uns verdadeiros "puladores de cerca", mas penso que ao menos vale uma letra tão bela, também interpretada por Chitãozinho e Xororó (com belas frases de gaita), Adriana Calcanhoto e, no projeto Emoções sertanejas, voltou a me emocionar por ser cantada por Paula Fernandes e pelo saudoso Dominguinhos e sua tocante sanfona!

Caminhoneiro
John Hartford, Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz

A saudade então aperta o peito
Ligo o rádio e dou um jeito
De espantar a solidão
Se é de dia eu ando mais veloz
E à noite todos os faróis
Iluminando a escuridão

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Já rodei o meu país inteiro
Como um bom caminhoneiro
Peguei chuva e cerração
Quando chove o limpador desliza
Vai e vem no pára-brisa
Bate igual meu coração

Doido pelo doce do seu beijo
Olho cheio de desejo
Seu retrato no painel
É no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Olho o horizonte e vou em frente
To com Deus e to contente
O meu caminho eu sigo em paz

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Os Intérpretes do Brasil - 53

Gosto do Lenine como cantor, compositor, músico, pernambucano atuante no cenário musical nacional. E gosto do Lenine como intérprete, embora ouvi dizer que o próprio se considera bastante tímido ao interpretar algo dos outros. Talvez o zelo e a perfeição que imprime em seu trabalho não o deixe muito confortável em navegar por mares alheios.

Mas, penso que isso pode ser revisto, pois basta observar as poucas vezes que ousou gravar algo de outro compositor e constatar o sucesso nesse propósito. Como exemplo recente, podemos citar a regravação de Começaria tudo outra vez, de Gonzaga Jr. que, a meu ver, ficou definitivo em sua voz. E o que ele fez com A raposa e as uvas, de Reginaldo Rossi? Ficou mais leve, mais bonita de se cantar junto com ele.

Também considero definitiva a versão acústica de Na rua na chuva na fazenda que ele fez com o grupo Kid Abelha, no acústico MTV da banda. A tirar pelas interpretações de Vida de viajante e Qui nem jiló, ele bem que poderia pensar em ser o próximo artista a dedicar um disco inteiro ao rei do baião e essas e outras constatações só são possíveis quando estamos diante de grandes intérpretes como também é o caso do nosso "leão do norte".

Um forte abraço a todos!

domingo, 2 de abril de 2017

♫Amante à moda antiga♫

Abril é o mês de aniversário de Roberto Carlos e como de costume, reservamos este mês para comentarmos sobre suas grandes canções, verdadeiras trilhas sonoras que fazem parte da vida de muitos brasileiros e até estrangeiros, já que o alcance da sua obra não esbarra em muitas fronteiras. Hoje, vamos ao ano de 1980 e ao clássico Amante à moda antiga, canção já gravada em instrumental por Eduardo Lages, mas não muito regravada por outros intérpretes. Agnaldo Timóteo foi um dos poucos que regravou esta canção em seu disco em homenagem ao rei.

Um perfeito fox, com o auxílio luxuoso de uma big band, talvez a ausência de muitas regravações, como é costumeiro na obra de Roberto se dê pelo fato da canção ser muito sua cara, fala dos amores de antigamente, com direito a flores, amasso no portão, amores que admiram a noite e sonham com suas amadas, cartas de amor, beijos nas mãos, manchas de batom e muitos outros cavalheirismos que encontramos nesta perfeita canção, que Sinatra interpretaria como algo de seu repertório sem nenhuma contestação.

Amante à moda antiga
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Eu sou aquele amante à moda antiga
Do tipo que ainda manda flores
Aquele que no peito ainda abriga
Recordações de seus grandes amores

Eu sou aquele amante apaixonado
Que curte a fantasia dos romances
Que fica olhando o céu de madrugada
Sonhando abraçado à namorada

Eu sou do tipo de certas coisas
Que já não são comuns nos nossos dias
As cartas de amor, o beijo na mão
Muitas manchas de batom daquele amasso no portão

Apesar de todo o progresso
Conceitos e padrões atuais
Sou do tipo que na verdade
Sofre por amor e ainda chora de saudade

Porque sou aquele amante à moda antiga
Do tipo que ainda manda flores
Apesar do velho tênis e da calça desbotada
Ainda chamo de querida a namorada

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Olhando as estrelas - 63

O Brasil seria um país mais justo e feliz culturalmente falando se valorizasse mais artistas como estes que figuram hoje na série Olhando as estrelas. Agnaldo Rayol e Ângela Maria são duas das vozes mais lindas de todos os tempos da nossa música e se encontraram várias vezes no decorrer de suas carreiras.

Ambos já participaram de projetos um do outro e gravaram diversas canções, entre elas, Ave Maria do morro e Gente humilde, só pra destacar algumas delas. Convenhamos que caberia um, dois, vários discos em dupla com suas vozes que casam tão bem.

Sem sombra de dúvidas, a série acerta ao destacar o encontro dessas duas estrelas que possuem carreiras e vozes marcantes e que juntos nos proporcionaram muitas lágrimas vindas de suas belíssimas e emocionantes interpretações.

Um forte abraço a todos!

domingo, 26 de março de 2017

♫Se eu não te amasse tanto assim♫

Essa é uma das canções mais lindas dos últimos anos. Gravada e imortalizada por Ivete Sangalo, até hoje a considero sua melhor música. Gravada também por Roberto Carlos, em dueto com Ivete em seu especial de 2004, Fábio Jr. e também pelos Paralamas do Sucesso, já que Herbert Viana é um de seus autores, juntamente com Paulo Sérgio Valle, tornou-se um dos hits mais executados dos anos 2000.

Pudera, afinal a letra e a melodia desta canção, juntamente com seu arranjo são fascinantes. Aquele piano, aquele amor arrebatador, imenso, maior, único, verdadeiro e existente, mesmo com tantas dúvidas alheias. A certeza de que amar alguém é possível e perfeitamente explicável em poesias cantadas e sussurradas assim.

Se eu não te amasse tanto assim
Herbert Viana e Paulo Sérgio Valle

Meu coração, sem direção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar

E as estrelas
Que hoje eu descobri no seu olhar
As estrelas vão me guiar

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Hoje eu sei, eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais, muito além
Do tempo do vendaval

Nos desejos, num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 22 de março de 2017

CD Zizi Possi Passione

Este álbum pode ser considerado um volume dois dos chamados discos italianos da Zizi, já que um ano antes ela lançara com enorme êxito Per amore, já comentado anteriormente. Lançado em 1998 e chamado de Passione, este projeto explora mais uma vez a veia napolitana desta grande intérprete.

Aqui temos canções belíssimas, conhecidas nossas como Canzone per te (do repertório de Roberto Carlos), L´Aurora (do Eros Ramazzoti) e Grande grande grande (do repertório do Julio Iglesias). Além deles, temos também Gelsomina, Anema core, Cu´mme, Chella llá, Io mammeta e tu, Io que amo solo te, Torna a surriento, Passione, Malafemmena, Core´ngrato e Canto della Buranella.

Com Zizi nos ensinando o italiano, com seu canto doce e preciso, lamento não termos mais projetos assim, com outros clássicos que ganhariam mais personalidade com a interpretação ímpar dessa que é uma das nossas grandes divas.

Um forte abraço a todos!

domingo, 19 de março de 2017

♫Somos todos iguais nesta noite♫

Esta belíssima canção do Ivan Lins mostra, a meu ver, um pouco mais da sua genialidade em criar grandes obras, juntamente com seu grande parceiro, o Vitor Martins. Composta ainda na década de 70, época tida como bastante fértil entre nossos grandes gênios, sugere um ritmo duplo que ora nos remete a grande orquestra como se fosse um big band, ora nos remete aos mais perfeitos boleros, como a letra sugere em alguns trechos. 

Em alguns momentos, a letra me faz pensar em algo romântico, um casal que dança ao viver a felicidade. Em outros momentos, parece falar do povo em geral, naquela opressão dos anos 70 e que hoje parece ser retomada, embora com um pouco de maquiagem por partes de alguns opressores modernos. Como curto o romantismo, prefiro pensar como a primeira ideia de interpretação desse clássico da obra do Ivan.

Somos todos iguais nesta noite
Ivan Lins e Vítor Martins

Somos todos iguais nesta noite
Na frieza de um riso pintado
Na certeza de um sonho acabado
É o circo de novo

Nós vivemos debaixo do pano
Entre espadas e rodas de fogo
Entre luzes e a dança das cores
Onde estão os atores

Pede a banda
Pra tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Pra tocar um dobrado
Vamos dançar mais uma vez

Somos todos iguais nesta noite
Pelo ensaio diário de um drama
Pelo medo da chuva e da lama
É o circo de novo

Nós vivemos debaixo do pano
Pelo truque malfeito dos magos
Pelo chicote dos domadores
E o rufar dos tambores

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 15 de março de 2017

CD e DVD Caetano Veloso e Gilberto Gil - Dois amigos, um século de música

Este foi um dos melhores trabalhos realizados em 2015, o CD e DVD que reuniu um século de música, pois matematicamente temos 50 anos de cada lado destes dois gênios da nossa canção: Caetano Veloso e Gilberto Gil  fizeram um show baseado em grandes sucessos de ambos os repertórios, acompanhados apenas por seus também geniais violões.

Cantados geralmente em duetos ou alguns números solos, tendo o outro como admirador, o repertório passa por Back in Bahia, Coração vagabundo, Tropicália, Marginália II, É um luxo só, É de manhã, As camélias do Quilombo do Leblon (única inédita composta para este projeto), Sampa, Terra, Nine out of ten, Odeio, Tonada da luna llena, Eu vim da Bahia, Super homem (a canção), Come prima, Esotérico, Tres palabras, Drão, Não tenho medo da morte, Expresso 2222, Toda menina baiana, São João Xangô menino, Nossa gente (avisa lá), Andar com fé, Filhos de Gandhi, Desde que o samba é samba, Domingo no parque e A luz de Tieta.

Com a dupla cantando em português, espanhol, italiano, inglês e, sobretudo, revivendo seus grandes sucessos, alguns em momentos solos, outros em duetos inéditos, temos aqui um trabalho para guardarmos por mais uns cinquenta anos, sempre contemplando como se fosse a primeira vez e estivéssemos diante de dois ícones que tanto contribuíram para nossa canção com essas carreiras brilhantes.

Um forte abraço a todos!

domingo, 12 de março de 2017

♫O relógio♫

A música brasileira, muitas vezes, se alimenta de versões e é bem sucedida em muitos casos. Os boleros, de nossos irmãos hispânicos, são campeões neste sentido. E aqui temos um grande exemplo e, seu maior intérprete, a meu ver: o bolero clássico El reloj, com Adilson Ramos cantando para nós, este que já é nosso relógio.

Digo isto porque imagino que a maioria das pessoas que desejariam que o tempo passasse com menos pressa em determinados momentos devem cantar as primeiras frases deste clássico. Canção predominante no repertório de seus shows, lembra alguém que deseja que o tempo pare e que neste instante só o amor seja contemplado. Como o tempo é senhor de si, e em determinados instantes queremos que ele passe logo ou pare, ao menos se não podemos pará-lo ou diminuir seu compasso em bons momentos, podemos curtir grandes canções assim em vários destes bons momentos.

O relógio (El reloj)
Roberto Cantoral e Nely B. Pinto

Porque não paras relógio, 
não me faças padecer
Ela irá para sempre, 
breve o sol vai nascer

Não vês só tenho esta noite
para viver nosso amor
Teu badalar me recorda
que sentirei tanta dor

Detém as horas relógio
pois minha vida se apaga
Ela é a luz que ilumina meu ser,
sem seu amor não sou nada

Detém o tempo eu te peço
Faz esta noite perpétua
Pra que meu bem não se afaste de mim
Para que não amanheça.

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Os compositores do Brasil - 95

Com a Portela vencendo o último desfile do Rio de Janeiro, me veio à mente a figura de um grande Portelense e também renomado compositor do samba nacional, o senhor Hildemar Diniz, mais conhecido como Monarco. Natural do Rio de Janeiro, conviveu com os bambas da Portela, sendo facilmente associado à Escola campeã.

Já trabalhou ou teve grandes nomes interpretando seus sucessos como é o caso de Zeca Pagodinho, Maria Rita, Paulinho da Viola, João Nogueira, Martinho da Vila, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Beth Carvalho, Marisa Monte, Leci Brandão, entre tantos.

Nome associado à Velha Guarda da Portela, com quem se apresenta, Monarco é dono de grandes sucessos como Coração em desalinho, Falsa alegria, Lenço, Amor de malandro, Serei seu ioiô, Tudo menos amor, Vai vadiar, entre tantas, deste nobre ser do samba nacional.

Um forte abraço a todos!

domingo, 5 de março de 2017

♫Grilos♫

Atualmente curto bastante o repertório do Erasmo Carlos. Na verdade, acabo descobrindo muita coisa que não conhecia do tremendão, como é o caso desta canção que só conheci quando Erasmo lançou Meus lados b. Ainda da fase áurea da dupla e gravada por outros nomes como Marina Machado, em dueto com Samuel Rosa, tenho aqui uma agradável surpresa.

A letra de Grilos fala de uma discussão entre duas pessoas, onde alguém garante que para resolverem seus problemas basta deixar a poeira baixar, descansar um pouco, baixar a tensão e se convencer que, esquecidos tais grilos e amanhecendo com sua companhia, as coisas vão se resolver. Que coisa tão comum onde a tensão chega a níveis altos e que, de repente, pouco a pouco, a solução vai pintando, não é mesmo?

Grilos
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Se você passar daquela porta
Você vai ver como é que são as coisas
Como é que estão as coisas

Sei que o mundo pesa muitos quilos
Não me leve a mal se eu lhe pedir
Para cortar os grilos
Pra guardar os grilos
Pra cortar os grilos
Pra guardar os grilos

Aí, então, você vai se convencer
Que se o mundo pesa
Não vai ser de reza
Que você vai viver

Descanse um pouco
E amanheça aqui comigo
Sou seu amigo, você vai ver
Sou seu amigo, você vai ver

Um forte abraço a todos!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

♫Vai passar♫

E neste domingo de carnaval chegamos com um samba moderno, dos mais geniais, do Sr. Chico Buarque, em parceria com o Sr. Francis Hime, lá de 1984, Vai passar. Tão atual quanto a situação caótica que o país passa e parece que o tempo mesmo é que não passou porque a letra se identifica exatamente com os tempos atuais, mesmo citando acontecimentos da época da ditadura.

Como um desfile de escola de samba, Vai passar cita passagens da história do país num enredo não muito luxuoso, mas autêntico. São citadas coisas grandiosas como grandes sambas, ancestrais, uma pátria adormecida, o exílio, a volta, o carnaval. Saudando o fim da ditadura e a esperança que pairava naquele tempo, sinto que hoje precisamos de uma renovação nessa esperança. Precisamos beber deste sentimento que saudou um novo tempo que parece que ainda não chegou. Hoje, se nosso país entrasse na avenida, com toda essa politicagem e o povo sendo enganando, a bateria não seria tão afinada, o enredo seria triste e nosso carnaval acabaria antes da quarta de cinzas.

Vai passar
Chico Buarque e Francis Hime

Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval

(Vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do bulevar
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Vamos abrir a roda...

Uma das pioneiras da axé music chama-se Sarajane de Mendonça Tude, conhecida apenas como Sarajane. Natural de Salvador/BA, foi descoberta por Chacrinha que a viu cantar no interior da Bahia, despontando nacionalmente em 1986 com o sucesso A roda.

Emplacou outros sucessos como Ela sabe mexer, Venha me amar, Vale, entre outras. Foi responsável pelo lançamento de outras musas como Margareth Menezes e é creditada a ela o estouro que o axé obteve no final dos anos 80, tornando-se uma febre dos anos 90 em diante.

Continua fazendo shows, embora não muito presente nessa mídia meio injusta. Chegou a implicar com seu grande sucesso, A roda, de tanto pedirem pra cantar, mas  nunca deixa de cantar a canção que fez sem levar muito a sério e tornou-se sua referência e também deste ritmo baiano.

Um forte abraço a todos!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

♫Volta por cima♫

Este samba já foi gravado por nomes como Jorge Aragão e Maria Bethânia. Mais recentemente ouvi na voz de Beth Carvalho, mas penso que a voz que o imortalizou foi a de Noite Ilustrada. Clássico do repertório do compositor Paulo Vanzolini, ultrapassa os limites de apenas uma canção de amor sofrido.

Sua letra, sobretudo no trecho "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima" garante toda essa imortalidade, pois foi canção que originou ditado que crava na alma deste povo brasileiro que tem samba e garra pulsando onde esta canção e este trecho brota, no coração do país tupiniquim.

Volta por cima
Paulo Vanzolini

Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava

Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava

Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão

Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CD O melhor de Alceu Valença

Alceu Valença é uma boa pedida, sobretudo nesta época carnavalesca. Um bom álbum a se curtir é esta coletânea, que reúne alguns de seus valiosos sucessos. Estão aqui alguns que não podem faltar em seus shows como é o caso de Anunciação, Tropicana, Coração bobo, Como dois animais, Pelas ruas que andei e Solidão.

Coletânea lançada em 1999, trouxe também algumas outras canções menos conhecidas de seu repertório como Na primeira manhã, Cavalo de pau, Cambalhotas, Rouge Carmin, Guerreiro, Dia branco e Cabelo no pente, além de Vem morena, do repertório de Gonzaga. Senti falta de outros sucessos dele como La belle de jour ou Girassol, mas isso é típico de coletâneas.

Também poderiam ter explorado algum dos tantos sucessos de Alceu tocados por esta época como Diabo louro, Me segura se não eu caio, Bicho maluco beleza, Roda e avisa, dentre tantas, mas pra quem curte um bom som deste grande pernambucano, tá aqui uma boa pedida.

Um forte abraço a todos!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

♫Ai que saudades da Amélia♫

A mulher tem conquistado cada vez mais seu merecido espaço numa sociedade que ainda é muito machista. E alguns taxam de "Amélia" aquela mulher cada vez mais rara nos dias atuais, dona do lar, que cozinha e passa, lava e costura e nunca reclama do que lhe falta. Tudo isso por causa deste clássico de dois grandes gênios que este país conheceu em termos de composição: Mário Lago e Ataulfo Alves.

Mas, segundo li, Ataulfo não defendia a submissão de uma mulher, e sim contemplava seu companheirismo, sua aptidão de estar ali ao lado de seu marido, enfrentando todas as dificuldades com muita bravura. Sob esta ótica, podemos dizer que ainda existem muitas Amélias por aí, inesquecíveis, como este eterno samba da nossa canção.

Ai que saudades da Amélia
Mário Lago e Ataulfo Alves 

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Da lama ao caos, do caos à lama...

Formação com Chico Science nos anos 90
Lá se vão 20 anos sem Chico Science e, penso que podemos afirmar que seu maior legado ficou na banda pernambucana de pop rock Nação Zumbi, de qual fez parte e a fundou e, juntamente com outra banda, a Mundo Livre S/A, foram responsáveis pelo movimento Manguebeat. O objetivo principal da banda era lutar pelas diferenças entre classes sociais com sua produção, não apenas no Recife, onde surgiu, mas em todo país.

Em 1994 lançou seu primeiro disco, Da lama ao caos, obtendo sucesso de crítica e reconhecimentos de vários colegas. A formação da banda contou com vários integrantes que, como em todas as bandas, entram e saem dela. Além do Chico, já contou com Jorge du Peixe, Lúcio Maia, Dengue, Gilmar bola 8, Toca Ogan, Canhoto, Pupilo, Gira, Gustavo da lua, Ramon Lira e Tom Rocha.

Como uma espécie de antena parabólica da lama, onde surgem caranguejos e que, segundo a banda, alguns destes pensam e emitem opiniões através deste trabalho, temos aqui uma banda que segue e enfatiza o legado do Chico e muito influenciou outros conterrâneos e até veteranos que se deixaram seduzir pelas ideias geniais dos "caranguejos que pensam".

Um forte abraço a todos!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

♫Pelo telefone♫

Muitos defendem que é este o primeiro samba nacional, a raiz deste ritmo tão brasileiro, difundido pelo mundo. É bom saber que pela cultura, nosso país é visto com bons olhos e talvez aí resida nossa maior riqueza, em nossa forma de expressar nossa arte sempre verdadeira.

E a letra de Pelo telefone cumpre bem esse pioneirismo pois aborda uma historinha de forma bastante pura e envolvente, levando a muitos que a escutam a obedecer uma espécie de chamado a ser levado pelo ritmo tupiniquim, já interpretado por tantos nomes e que, a meu ver, tem em Martinho da Vila a leitura moderna definitiva.

Pelo telefone
Donga e Mauro Almeida

O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar
Que na Carioca tem uma roleta para se jogar
Ai, ai, ai, deixa as mágoas para trás ó rapaz
Ai, ai, ai, fica triste se é capaz, e verás.

Tomara que tu apanhes
Pra nunca mais fazer isso
Roubar o amor dos outros
E depois fazer feitiço.

Ai, a rolinha Sinhô, Sinhô
Se embaraçou Sinhô, Sinhô
Caiu no laço Sinhô, Sinhô
Do nosso amor Sinhô, Sinhô

Porque esse samba, Sinhô, Sinhô
É de arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe a perna bamba Sinhô, Sinhô
Me faz gozar, Sinhô, Sinhô

O "Peru" me disse
Se o "Morcego" visse
Eu fazer tolice,
Que eu então saísse
Dessa esquisitice
De disse que não disse.

Ai, ai, ai, deixa as mágoas para trás ó rapaz
Ai, ai, ai, fica triste se é capaz, e verás.

Queres ou não Sinhô, Sinhô,
Vir pro cordão Sinhô, Sinhô
Ser folião Sinhô, Sinhô
De coração Sinhô, Sinhô

Porque este samba Sinhô, Sinhô
É de arrepiar Sinhô, Sinhô
Põe a perna bamba Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar Sinhô, Sinhô.

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

CD Zeca Pagodinho Multishow ao vivo - Vida que segue

Começamos o mês de fevereiro com um bamba do samba, talvez o maior da atualidade: Zeca Pagodinho que lançou em 2013 o CD/DVD Multishow ao vivo - Vida que segue, onde apresenta um show comemorando seus 30 anos de carreira, juntamente com alguns convidados e um repertório diferente do que apresenta habitualmente.

Abrindo o show com os clássicos Atire a primeira pedra/Volta por cima, Aquarela brasileira, Abre a janela, Opinião, Zeca traz logo alguns convidados como Yamandú Costa e Hamilton de Holanda em Gosto que me enrosco, que se juntam à Marisa Monte em Preciso me encontrar e, Rildo Hora, Rogério Caetano e Zé Menezes que participam das faixas Mascarada, O sol nascerá, Se eu errei/Eu agora sou feliz, Diz que fui por aí, Escurinha/Escurinho, Madame, Trem das onze.

Paulinho da Viola é também outro ilustre convidado, com quem Zeca divide o clássico Foi um rio que passou em minha vida. Temos ainda as canções Só o ôme, Barracão/Lata d´água, Batuque na cozinha (com a participação de Leandro Sapucahy), Pimenta no vatapá, Vem chegando a madrugada/Está chegando a hora, além do dueto com Xuxa em É vida que segue. Uma ótima pedida para quem deseja curtir o carnaval numa boa, com um bom som que representa este ritmo centenário e só nosso chamado samba.

Um forte abraço a todos!

domingo, 29 de janeiro de 2017

♫No Ceará é assim♫

Nunca fui à nenhuma cidade do Ceará, mas gosto bastante desta canção do repertório do Fagner, gravada em 1991 e regravada de forma definitiva, a meu ver, em seu mais recente trabalho, o CD Pássaros urbanos, já comentado anteriormente. 

Para quem ainda não foi ao Ceará, a canção nos leva a passear, a sentir toda essa bela paisagem que Fagner canta tão bem. Acho muito interessante esse saudosismo de alguns artistas por suas terras, o que mostra que nosso país é bom e abençoado com paisagens que sempre vão fascinar a todos!

No Ceará é assim
Carlos Barroso

Eu só queria
Que você fosse um dia
Ver as praias bonitas do meu Ceará

Tenho certeza
Que você gostaria
Dos mares bravios
Das praias de lá

Onde o coqueiro
Tem palma bem verde
Balançando ao vento
Pertinho do céu
E lá nasceu a virgem do poema
A linda Iracema dos lábios de mel

Oh! Quanta saudade
Que eu tenho de lá
Oh! Quanta saudade

A jangadinha vai no mar deslizando
O pescador o peixe vai pescando
O verde mar ...
Que não tem fim
No Ceará é assim

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O trapalhão nas minas do rei Salomão

Abordando mais uma vez os trapalhões, já deveria ter falado deste título que é o mais visto do cinema nacional, do quarteto. Lançado em 1977, sob direção de J. B. Tanko, o filme traz Renato Aragão (Pilo), Dedé Santana (Duka) e Mussum (Fumaça). Ainda não tínhamos Zacarias nas telas do cinema para completar o quarteto.

Pilo e Duka ganham a vida simulando brigas numa praça pública enquanto Fumaça recolhe apostas, o que faz Glória (Monique Lafond) pensar que são corajosos e os contrata para salvar seu pai Aristóbulo (Carlos Kurt) que está preso nas minas do rei salomão, em troca do tesouro ainda desconhecido, mas que ela tem pistas.

Com a ajuda de outro expedicionário Alberto (Francisco di Franco) e contra a bruxa (Vera Setta), se desenvolve esta aventura que ainda conta com o auxílio do cachorro Lupa, que aparece duas vezes em filmes dos trapalhões (o outro é nos Saltimbancos).  Considero o melhor filme da década de 70 deles e como ainda desejo falar de outros títulos, em julho volto a comentar outros que ainda não citei.

Um forte abraço a todos!

domingo, 22 de janeiro de 2017

♫Nada será como antes♫

Elis Regina, Milton Nascimento, Roupa Nova. Três grandes vozes que tornaram essa canção um verdadeiro clássico da nossa música. Seu título também foi emprestado para uma recente minissérie. Curioso é que em algumas versões desses artistas, o trecho "alvoroço em meu coração" não é cantado, substituído por "sei que nada será como está", como na segunda parte da letra apresentada aqui.

Como o vento que passa ou como as ondas que vem e vão, nada será igual. Uma canção que fala de uma partida, uma despedida, algumas saudades, esperança de momentos melhores, a resistência em ficar, a necessidade de partir, genialidade de artistas que emprestam a alma para compor e interpretar sentimentos tão comuns e sensíveis à alma humana.

Nada será como antes
Milton Nascimento e Ronaldo Bastos

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DVD Escolinha do Professor Raimundo (nova versão)

Não podemos ficar apenas no passado, mas o passado também nos traz boas lembranças. Realmente momentos inesquecíveis permeados pela genialidade de Chico Anysio. E para reviver esses momentos de alegria, temos agora uma nova versão da Escolinha do Professor Raimundo, atualmente exibida aos domingos e também lançada nesse DVD duplo, em 2015, que contém cenas da primeira temporada.

Com Ângelo Antônio, Betty Gofman, Dani Calabresa, Ellen Roche, Evandro Mesquita, Fabiana Karla, Fernanda Freitas, Fernanda Souza, Kiko Mascarenhas, Lúcio Mário Filho, Marcelo Adnet, Marcium Mellem, Marco Ricca, Marcos Caruso, Maria Clara Gueiros, Mateus Solano, Otaviano Costa, Otávio Muller, Rodrigo Sant´anna, além de Bruno Mazzeo como o Professor Raimundo, temos a chance de reviver as alegrias da sala de aula mais famosa da televisão brasileira.

Quem nunca riu com alguma tirada de Sr. Boneco ou com os sustos de D. Bela? Com as história de Ademar Vigário ou com as enrolações de Sr. Rolando Lero? Com as saídas de Sr. Armando Volta ou com as invenções de Sr. Peru? Curiosamente, um fato que me faz rir bastante com essa versão é o fato deles serem grandes atores, embora novos, pois conseguem reproduzir exatamente o personagem, chegando até a fazer melhor que as versões antigas. Com Zé bonitinho arrasando com as mulheres ou com as tiradas de Joselino Barbacena, só mesmo Sr. Ptolomeu pra fazer valer o salário do professor que ainda tem que aguentar as histórias de Sr. Baltazar da Rocha ou enfrentar os desafios de Sr. Pedro pedreira. O sucesso é tanto que torcemos para que venham mais DVDs com as temporadas seguintes, exibidas atualmente em nossas tardes de domingo e também no Canal Viva.

Um forte abraço a todos!

domingo, 15 de janeiro de 2017

♫Corcovado♫

Cantar uma cidade, com suas belezas e nuances já não é tarefa muito fácil. Agora, cantar um ponto desta cidade e obter êxito com isto talvez seja tarefa mais difícil ainda. Isso se não estivéssemos falando do Rio de Janeiro, uma das cidades mais importantes do mundo, com seu Corcovado, morro que se tornou um  símbolo maior desta cidade, e de Tom Jobim, também um dos melhores do planeta.

Tom conseguiu, com sua sensibilidade ímpar, enfatizar a natureza e sua beleza na canção que dedicou ao morro e ao monumento carioca. E essa conexão entre o romantismo e a natureza que ele fazia tão bem é, sem sombra de dúvidas, um de seus melhores segredos. E é por essas e outras que temos aqui um clássico cantado por tanta gente e, cada uma à sua maneira, deixou seu carimbo no melhor cartão postal do país.

Corcovado
Tom Jobim

Um cantinho, um violão
Esse amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado,
O Redentor que lindo!

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

DVD O casamento dos trapalhões

Nos filmes dos trapalhões, apesar das inúmeras risadas, havia um pequeno momento de tristeza. É que na maioria dos títulos, Didi se apaixonava por alguém e no final terminava sem esse alguém, às vezes com outro par, às vezes não. Não sei se pensaram nessa lacuna, mas houve um desses títulos em que isso foi resolvido: em 1988 o quarteto lançou o filme O casamento dos trapalhões em que, não apenas Didi, mas vários personagens se divertem e se casam.

Com as participações de Gugu Liberato, Grupo Dominó, Luciana Vendramini, José de Abreu, Zezé Macedo, entre outros, o enredo se passa em uma fazenda no interior de São Paulo onde vivem os irmãos trapalhões. A irmã deles é mãe do quarteto Dominó, que se apresentará na cidade e que deseja passar as férias na fazenda dos tios, segundo carta dela.

Ao irem todos para a cidade presenciar a apresentação e depois pegar o grupo, conhecem namoradas, com as quais depois se casam. O enredo também se desenvolve com algumas confusões com playboy´s dessa cidade que entram para a briga. No final, todos se casam e Didi, que é o mais velho, além de terminar com seu amor, ainda ganha uma filha. Com músicas de Michael Sullivan e Paulo Massadas, Milionário e Zé Rico, Roberta Miranda e do grupo Dominó, temos aqui mais um título do quarteto campeão de bilheteria!

Um forte abraço a todos!