domingo, 5 de agosto de 2018

♫Poema♫

Sempre gostei dessa canção, para mim uma das melhores do repertório do Ney. Mas, só agora percebi que se tratava de mais uma grande composição do Cazuza e do Frejat. Pelo que li, esta letra não foi feita para se tornar uma canção. Segundo o livro de Lucinha, mãe de Cazuza, ele a fez em homenagem à sua avó. E quem não tem uma avó para guardar em sua saudade e tê-la nas melhores regiões de seus carinhos?

Anos mais tarde, Lucinha pediu para Frejat musicar e depois entregaram a Ney, que deu toda magistral interpretação que conhecemos. Mas, Poema parece mesmo ser uma canção de amor, de dor, que qualquer um poderia recebê-la assim. Ou, como sua ideia original, alguém que sente falta de alguém que já não proporciona sua presença física constante.

Poema
Cazuza e Frejat

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim

De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Os Músicos do Brasil - 68

Este país tem grandes músicos e só lamentamos que alguns estejam no anonimato, pois conhecemos os cantores, as bandas, mas muitas vezes, não sabemos dos músicos que os acompanham ou com os quais gravam seus sucessos. Este é Davi Moraes, grande guitarrista, compositor, arranjador e filho do cantor Moraes Moreira.

Em seu currículo passam nomes como Daniela Mercury, Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Vanessa da Mata, Tribalistas, Maria Rita, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, entre tantos. Davi também é cantor e já lançou trabalho cantando, além de participar de outros projetos.

Pra acompanhar uma turnê inteira do Caetano ou gravar várias vezes com Marisa, tem que ser mesmo bom e Davi dispensa comentários quando o assunto é mostrar talento que brota de suas cordas e de sua vontade de sempre fazer o melhor!

Um forte abraço a todos!

domingo, 22 de julho de 2018

♫As cidades cantadas - 19♫

A série As cidades cantadas volta homenageando mais uma cidade nordestina, a capital de Alagoas, Maceió, pelo seu ilustre nativo Djavan que, em 1978, homenageou a cidade com a canção intitulada pelo seu Estado Natal. Confesso que não conhecia esta homenagem e ainda não conheço a cidade, embora escuto sempre boas recomendações.

A letra de Alagoas brinca um pouco com a cultura de dizer que são muitas mulheres para um homem só e também com o linguajar nativo. Cita alguns pontos turísticos como a Matriz de Santa Rita, enfatizando a saudade que todo nativo sente de sua terra natal, claro quando a aprecia, como é o caso de Djavan.

Alagoas
Djavan

Ô Maceió
É três mulé prum homem só
Eu fui batizado na capela do farol
Matriz de Santa Rita,
Maceió
mas foi beirando estrada abaixo que eu piquei a mula
Disposto a colar grau na escola da natura
Se alguém me perguntar
Não tenho nada a dizer
Pois eu, pra me realizar
Preciso morrer

Você me deu liberdade
Pra meu destino escolher
E quando sentir saudades
Poder chorar por você
Não vê, minha terra mãe
Que estou a me lamentar
É que eu fui condenado a viver do que cantar

A--la, a--la, ala, Alagoas 

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 18 de julho de 2018

CD Gil & Milton

Vez por outra nossas estrelas se encontram e nos emocionam com seus trabalhos juntos! Em 2000, Milton Nascimento e Gilberto Gil gravaram um CD, com várias composições a dois e alguns convidados, o que gerou também uma turnê que, infelizmente não promoveu um DVD. Neste trabalho, aproveitaram a oportunidade e também gravaram outros compositores, promovendo um dos melhores discos de suas respectivas carreiras.

Sebastian foi a faixa carro chefe, em homenagem ao Rio e seu padroeiro. Duas sanfonas trouxe outra dupla convidada: Sandy e Júnior. Ponta de areia e Palco, que poderiam ter sido executadas por completo, entraram apenas como trecho. Compostas pelos dois tivemos ainda Trovoada, Lar hospitalar e Dinamarca, além de Canção do sal, do Milton e Bom dia, do Gil.

Os Beatles foram interpretados pela dupla em Something, Ary Barroso em Maria, Fito Páez em Yo vengo a ofrecer mi corazón, Doryval Caymmi em Dora, Jorge Benjor em Xica da Silva e Luiz Gonzaga em Baião da garoa. Gil é bom, Milton nem se fala, os dois juntos dão um grandioso trabalho como este que a música brasileira oferece a seus admiradores.

Um forte abraço a todos!

domingo, 15 de julho de 2018

♫Cada um, cada um♫

Como é bom descobrirmos novas canções dentro dessa nossa riquíssima música brasileira. Essa, por exemplo, lançada pelo Cláudio Zoli em 1986 e que permanece nas rádios até hoje, quando chegou a mim, tornou-me seu  admirador, pelo conjunto letra - batida - tema - novidade. Também conhecida pela "namoradeira", por citar este objeto em sua letra que, até então eu não sabia de que se tratava.

Além da belíssima levada (a la Tim Maia, com quem trabalhou antes da carreira solo), a canção retrata em sua letra um amor partido, como tantos por aí e por aqui, mas com uma tristeza sutil, pois o ritmo disfarça bem o texto de um amor partido que a letra demonstra. Difícil viver amores partidos que nunca deveriam se partir e perceber alguns objetos que não se partem como esse sentimento.

Cada um, cada um
Ronaldo Barcellos

Foi bom te ver
Saber que você é feliz
Impossível te esquecer
Lembrar você
Parece um dom

Foi um lindo amor
Pena não sobreviver
Quando a vida me iluminou
A minha luz era você

A namoradeira no escuro da sala
Sonhando e beijando de segunda a sexta
No fim de semana de noite na Barra
Procurando vaga de noite na Barra
Agora é cada um, cada um

Foi um lindo amor
Pena não sobreviver
Quando a vida me iluminou
A minha luz era você

A namoradeira no escuro da sala
Sonhando e beijando de segunda a sexta
No fim de semana de noite na Barra
Procurando vaga de noite na Barra
Agora é cada um, cada um

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

CD Erasmo Carlos - Amor é isso

Comemoro meu aniversário hoje (o 38º) da melhor forma possível, com este lançamento que o tremendão Erasmo Carlos apresentou e presenteou seus fãs, nos quais me incluo. Intitulado de Amor é isso, temos aqui o álbum mais romântico dele, com direito a parcerias maravilhosas e, algumas inusitadas, com artistas como Marisa Monte (em Convite para nascer de novo), Emicida, que também participa declamando (em Termos e condições), Samuel Rosa (em Novo sentido), Arnaldo Antunes (em Parece que foi hoje) e Adriana Calcanhoto (em Seu sim).

Até uma parceria póstuma com Tim Maia surgiu na versão feita para New love (tornou-se Novo love). E já que o assunto, o CD e o dia é de presentes, temos também presentes recebidos pelo Erasmo para esse disco, de seus amigos Marcelo Camelo (em Sol da barra), Nando reis (em Minha âncora) e Teago Oliveira (na belíssima Não existe saudade no cosmos). E, sempre será um presente também ter as composições dele sozinho, nas canções Amor é isso, Acareação existencial e Pagar para viver.

Como sempre inovador, o CD traz um lápis e uma capa em branco, para que o fã escreva o que é o amor para si. Erasmo, que sempre cantou e compôs o amor como ninguém e sempre compareceu ao compromisso que tem em sua belíssima carreia musical, de sempre apresentar coisas novas, nos dá a chance de termos um belíssimo CD (Talvez o melhor do ano), onde escancara o peito e nos mostra sua alma sempre apaixonada, sempre disposta a plantar sementes do amor e nos mostrar que cada dia vivido e comemorado é único em nossas vidas!

Um forte abraço a todos!

domingo, 8 de julho de 2018

♫Quer saber♫

Sempre apreciei o trabalho de Ana Carolina, sobretudo seu lado romântico, presente em clássicos de seu repertório como Encostar na tua, Entreolhares, Nua, Pra rua me levar, entre outros. Andava com saudades de novas canções assim, até que conheci esta canção, através de um belíssimo clipe e pensei ser uma nova música de trabalho. Fui pesquisar e descobri que Ana a lançou em 2016, juntamente com outras três para um projeto a parte.

Torço para que junte todas essas canções lançadas, em avulso, nos últimos anos e as lance em um CD físico (ainda sou desse tempo, embora existam tantas plataformas digitais) em breve. A letra e a levada são belíssimas, daquelas canções que nos fazem relaxar perante um amor avassalador que, nem sempre é relaxante, mas que pode proporcionar todas essas coisas lindas que esta canção da sempre maravilhosa Ana Carolina, em dueto com um compositor pernambucano, o Zé Manoel, assim o faz.

Quer saber
Ana Carolina e Zé Manoel

O seu olhar cruzou meu olhar
Me mandou os seus sinais
Te quero mais

Sou um rio em seu desvio
Tento em ti me percorrer
E quer saber...

Tanto faz
Por dentro de ti me tranquei
Vem me soltar
Ou venha me prender de vez

Você é uma ilha, minha armadilha
Tudo em volta é só seu
Onde estou eu

Me olhou assim
Mudou tudo em mim
O amor enfim aconteceu
Me ascendeu

Tanto faz
Por dentro de ti me tranquei
Vem me soltar
Ou venha me prender de vez

Vem comigo correr perigo
Ou então melhor que vá embora
O que foi passado é ontem
O que importa é o agora

Pra ser eterno, tem que esquecer do amanhã
Tem que fechar os olhos
Tem que morrer e renascer depois
Tem que ser a dois e eu estarei aqui
Pra te fazer feliz te ver sorrir

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 4 de julho de 2018

60! Década de arromba

No último sábado fui ver o documentário 60! Década de arromba que traz Wanderléa como estrela principal de um elenco repleto de grandes atores/cantores que dão o tom do que foi a riquíssima década de 60 para a nossa música. Um documentário musical que retrata uma verdadeira aula de história sobre a música daqueles anos, o espetáculo percorre ano após ano mostrando os principais acontecimentos nacionais e mundiais e, algumas das principais músicas que fizeram a trilha sonora daquela época.

De Gonzaga a Tom Jobim, passando por boleros e samba canção, a história tem como ênfase o rock internacional, com os Beatles, por exemplo e o nacional, com a Jovem Guarda, destacando a principal figura feminina do movimento, a Wandeca. Dividida em dois atos, o primeiro termina justamente com a diva cantando Ternura, um de seus clássicos. Na segunda parte, temos mais história e músicas e músicos marcantes como Caetano, Gil, Chico e Milton, intercalando com sucessos dela.

Wanderléa foi o ápice da apresentação, cantou com a plateia e atores as canções Exército do surf, Pare o casamento, Prova de fogo, Te amo e Foi assim. Nesta última, andou pela plateia e alguns a abordaram para ganharem abraços, fotos ou beijos. E eu, tímido como sempre, apenas soltei beijos pra ela, quando passou por perto de mim. E fiquei muito feliz, quando, ao ver meus beijos, ela também retribuiu. Uma verdadeira diva que merece todas as reverências e uma verdadeira obra de arte esta apresentação, que já desperta a vontade de ver as décadas seguintes!

Um forte abraço a todos!

domingo, 1 de julho de 2018

♫Meditação♫

Escutar, tocar ou cantar Tom Jobim é algo muito prazeroso. E, neste clássico, podemos também meditar Tom Jobim. Pensar, viver e reviver o amor é uma tarefa para corajosos. Tantos amores são feitos, desfeitos, refeitos por aí e a canção de Tom parece que cabe bem nesta reflexão que fazemos sobre este sentimento bonito, mas que precisa ser decifrado, pois aparece de forma distinta e particular para cada um.

Gravada por Frank Sinatra ainda em 1967, ano de sua composição, Caetano a regravou mais recentemente de forma maravilhosa. E o mais bonito da letra é que o amor gera este ciclo de paixão, dor, encontro, desencontro, reencontro, novo encontro, sempre com o mesmo brilho que faz tanto bem aos corajosos que se permitem amar e amam de verdade e são felizes de verdade com as nuances deste sentimento e com clássicos como este de nosso maestro soberano.

Meditação
Tom Jobim e Newton Mendonça

Quem acreditou 
No amor, no sorriso, na flor 
Então sonhou, sonhou 
E perdeu a paz 
O amor, o sorriso e à flor 
Se transformam depressa demais 

Quem no coração 
Abrigou a tristeza de ver 
Tudo isso se perder 
E na solidão 
Procurou um caminho a seguir 
Já descrente de um dia feliz 

Quem chorou, chorou 
E tanto que seu pranto já secou 

Quem depois voltou 
Ao amor, ao sorriso e à flor 
Então tudo encontrou 
Pois a própria dor 
Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou

quarta-feira, 27 de junho de 2018

CD Quinteto Violado canta Dominguinhos

Uma das justas homenagens que nosso mestre Dominguinhos recebeu foi este trabalho, onde seus amigos do grupo Quinteto violado, com alguns convidados, cantaram alguns de seus maiores sucessos neste CD. As versões solo do grupo para os clássicos de nosso sanfoneiro estão em Sete meninas, A fé do lavrador, Menino tocador, Lamento sertanejo, Tenho sede e Quando chega o verão, além de uma versão com a participação do homenageado na faixa Moda de sanfona.

Cezinha e Liv Moraes aparecem em dueto na faixa Sanfona sentida e Cezinha com o Quinteto também aparecem em Quem me levará sou eu e Abri a porta, Lucy Alves em Eu só quero um xodó, Lenine aparece em De volta pro aconchego, enquanto que Marina Elali em Gostoso demais. Mônica Salmaso participou na faixa Retrato da vida e Santanna e Maciel Melo entram no medley formado por Pedras que cantam e Isso aqui tá bom demais.

Dominguinhos, assim como Luiz Gonzaga e tantos outros mestres merecem estas e outras homenagens e é sempre bom ter outros artistas regravando seus sucessos, apresentando às novas gerações clássicos inesquecíveis, sucessos eternos que fazem nossa alegria.

Um forte abraço a todos!