quarta-feira, 26 de abril de 2017

CD Jorge Vercillo Vida é arte

Ser feliz é uma questão de acontecência. Foi esta frase, desta belíssima canção de Jorge Vercillo, que ouvi no ano passado nas rádios, que me fez comprar seu mais recente trabalho. Este CD lançado ano passado e que reúne 13 canções, com algumas valiosas parcerias e o sempre belo cantar deste grande músico que conquista o país a cada disco lançado.

Além da belíssima Acontecência, temos Pra valer, Talismã sem par, Quem (com Luana Mallet), Silêncio da favela (com Carlinhos Brown), Vida é arte, Noite dos jangadeiros, Amparados, Permissão, Luzes que se movem pelo céu (parceria com Flávio Venturini), Pode ser (já gravada anteriormente por Pedro Mariano), Desafio e Cegueira da visão.

Em uma época em que poucos artistas ousam lançar novas canções e menos ainda acertam, tá aqui um bom trabalho de um grande profissional que mostra onde segue o caminho para se acertar na retomada da sempre boa música brasileira.

Um forte abraço a todos!

domingo, 23 de abril de 2017

♫Do fundo do meu coração♫

Essa é uma das minhas preferidas do Roberto e ficou ainda mais preferida depois que ele voltou a cantá-la em 2009. Prova que ele tem muitas belíssimas canções e esta é mais uma delas perdidas dos anos 80, que alguns até comentam que já não apresentava boas safras. Joanna também a gravou, assim como Daniel, Leonardo e, Adriana e Erasmo em uma versão que dispensava o refrão. O mesmo fez a cantora quando cantou sozinha no Elas cantam Roberto.

A letra de Do fundo do meu coração fala do fim de uma relação, de forma dolorosa, mas com todos os elementos que este momento traz à vida de qualquer pessoa que ama ou é amada, como a insegurança na decisão, a vontade de não voltar atrás e muitas vezes o reconhecimento de que esta vontade é maior. O lado humano de quem ama e deseja juntar os cacos, os estilhaços e recomeçar longe daquele amor, apesar de toda fragilidade e de um sentimento ainda presente.

Do fundo do meu coração
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Eu, cada vez que vi você chegar,
Me fazer sorrir e me deixar,
Decidido eu disse: nunca mais.
Mas, novamente, estúpido, provei
Desse doce amargo quando eu sei
Cada volta sua o que me faz.

Vi todo o meu orgulho em sua mão,
Deslizar, se espatifar no chão.
Vi o meu amor tratado assim.
Mas basta agora o que você me fez.
Acabe com essa droga de uma vez,
Não volte nunca mais para mim.

Mais uma vez aqui,
Olhando as cicatrizes desse amor.
Eu vou ficar aqui,
E sei que vou chorar a mesma dor.
Agora eu tenho que saber
O que é viver sem você.

Eu, toda vez que vi você voltar,
Eu pensei que fosse pra ficar,
E mais uma vez falei que sim.
Mas, já depois de tanta solidão,
Do fundo do meu coração,
Não volte nunca mais pra mim.

Mais uma vez aqui,
Olhando as cicatrizes desse amor.
Eu vou ficar aqui,
Eu sei que vou chorar a mesma dor.

Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim.
Mas, já depois de tanta solidão,
Do fundo do meu coração,
Não volte nunca mais para mim.
Do fundo do meu coração,
Não volte nunca mais para mim.

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O livro do Armindo Guimarães

Hoje é mais um dia onde se comemora o aniversário do Roberto Carlos, este grande artista que escreveu na música brasileira as páginas mais românticas que esta possui. Vida longa ao rei e vida longa também aos fãs do rei que estão comemorando com ele seu aniversário em Portugal. E, ao se falar desta terra de onde descendemos todos os brasileiros, me vem a mente o Armindo Guimarães que, pra quem não conhece, é o maior fã do rei em terras lusitanas.

Armindo escreve bate-papos telefônicos fictícios entre ele e o Roberto e também entre ele e o maestro Eduardo Lages desde 2005 e os reuniu neste livro que resolveu presentear alguns fãs do Roberto, além do próprio. E não é que entre estes fãs, fui escolhido? Com muito humor, como é sua marca, ele mandou em novembro do ano passado e de tanto demorar, pensei que nem receberia mais, pelas atrapalhadas dos Correios e não é que chegou? E estou me divertindo bastante lendo suas histórias tão suas, mas que acabam sendo nossas, pois ele expõe uma criatividade ímpar ao juntar estas letras e se tornar feliz com isso, conseguindo contagiar a todos!

E agora? Aprendi que um prato de doces se devolve com um prato de salgados. Desesperado, pois não sou bom na cozinha, não fiz livro, não gravei cantando, nem tocando! Como retribuir a este ser de uma essência tão pura, doce e amistosa? Ao menos considere uma tentativa este pequeno relato e esta cara de bobo ao ser merecedor de um presente que atravessou o oceano, assim como faz minha admiração por ele. Don Armindo, só posso pedir a Deus que o retribua por tamanha generosidade e vontade de despertar um sorriso em cada amigo que o conhece! Coisas de Roberto Carlos: conseguir despertar nossa admiração por ele e por quem nutre admiração por ele também.

Um forte abraço a todos!

domingo, 16 de abril de 2017

♫Olha♫

Essa é daquela que faz parte de uma lista de grandes declarações de amor. Olha é original de 1975 e já foi regravada por vários bons intérpretes: de Maria Bethânia, a Chico Buarque e Erasmo Carlos, de Alcione e Ângela Maria, passando por Cauby Peixoto, até Eduardo Lages em uma versão instrumental, e muitos outros já imprimiram sua marca nesse verdadeiro clássico do Roberto. Curioso é que, de tantas gravações ao vivo que este fez, esta pérola ainda não mereceu uma nova releitura sua, embora sempre a cante cada vez mais com uma delicadeza ímpar em seus shows.

Mas, engana-se quem pensa que a letra de Olha fala daquele amor fantasia, que só se encontra nos contos de fadas. A canção cita os problemas, os estresses, a inconstância de um casal, mas, ao mesmo tempo propõe que tudo pode ser resolvido com uma boa esperança de seguirem uma estrada de amor e paz e confiança no que há de vir onde qualquer problema é superado quando existe e se vivencia o amor. Como se os caminhos fossem de pedra, mas que levam a lugares fascinantes na terra onde o amor sempre reina.

Olha
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim

Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é pra valer

Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

CD Djavan Vidas pra contar

Djavan é um dos poucos artistas que lançam novos trabalhos colhendo êxitos como no passado. Se alguns de seus últimos álbuns não confirmarem isto que estou falando, basta então ouvir o seu mais recente trabalho lançado em 2015, com o título de Vidas pra contar. Sem esquecer suas raízes, ele começa o CD cantando o povo nordestino e sua cultura com a belíssima Vida nordestina.

Mas, o que mais me encanta em todo cantor e com ele não seria diferente, é a capacidade de criar e interpretar novas canções românticas. Neste sentido estamos diante de belas canções, algo raro hoje em dia, mesmo por astros consagrados, como é o caso de Não é um bolero, O tal do amor, Encontrar-te e Primazia. Aquela "batida djavan" tá cada vez mais perfeita e presente em Só pra ser o sol, Aridez, Enguiçado, Se não vira jazz e Ânsia de viver.

Completam o álbum a homônima Vidas pra contar e a autobiográfica Dona do horizonte, uma belíssima homenagem à sua mãe, sem fazer apelação a sentimentalismos, mas com a verdadeira doçura que o tema pede. Está aqui uma ótima pedida para o dia das mães e não apenas isso, estamos diante de um dos melhores discos, se não o melhor lançado por um artista do Brasil nos últimos dez anos. 

Um forte abraço a todos!

domingo, 9 de abril de 2017

♫Caminhoneiro♫

Eu já havia postado esta canção antes como tema comemorativo pelo dia do caminhoneiro, que acontece todo 30 de junho. Mas, agora quero falar sobre a importância dessa canção que, para mim foi uma espécie de gênese musical, pois começo contando minha relação com a música desde 1984, quando Roberto lançou esta canção e meu pai, também caminhoneiro, comprou o disco. Eu, então com 4 anos de idade, decorei e cantava toda aquela extensa letra, pensando no meu pai nas estradas como o via, com aquele caminhão bem grande que me dá uma certa inveja, pois ainda sonho em dirigir um assim.

Gosto muito do arranjo, da canção, de tudo o que fala esta letra. Um cara apaixonado que vive buscando seus horizontes país afora e principalmente o melhor deles que é o abraço e o amor de sua amada. Dizem que na prática é pouco provável isso acontecer, que os caminhoneiros são uns verdadeiros "puladores de cerca", mas penso que ao menos vale uma letra tão bela, também interpretada por Chitãozinho e Xororó (com belas frases de gaita), Adriana Calcanhoto e, no projeto Emoções sertanejas, voltou a me emocionar por ser cantada por Paula Fernandes e pelo saudoso Dominguinhos e sua tocante sanfona!

Caminhoneiro
John Hartford, Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz

A saudade então aperta o peito
Ligo o rádio e dou um jeito
De espantar a solidão
Se é de dia eu ando mais veloz
E à noite todos os faróis
Iluminando a escuridão

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Já rodei o meu país inteiro
Como um bom caminhoneiro
Peguei chuva e cerração
Quando chove o limpador desliza
Vai e vem no pára-brisa
Bate igual meu coração

Doido pelo doce do seu beijo
Olho cheio de desejo
Seu retrato no painel
É no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Olho o horizonte e vou em frente
To com Deus e to contente
O meu caminho eu sigo em paz

Um forte abraço a todos!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Os Intérpretes do Brasil - 53

Gosto do Lenine como cantor, compositor, músico, pernambucano atuante no cenário musical nacional. E gosto do Lenine como intérprete, embora ouvi dizer que o próprio se considera bastante tímido ao interpretar algo dos outros. Talvez o zelo e a perfeição que imprime em seu trabalho não o deixe muito confortável em navegar por mares alheios.

Mas, penso que isso pode ser revisto, pois basta observar as poucas vezes que ousou gravar algo de outro compositor e constatar o sucesso nesse propósito. Como exemplo recente, podemos citar a regravação de Começaria tudo outra vez, de Gonzaga Jr. que, a meu ver, ficou definitivo em sua voz. E o que ele fez com A raposa e as uvas, de Reginaldo Rossi? Ficou mais leve, mais bonita de se cantar junto com ele.

Também considero definitiva a versão acústica de Na rua na chuva na fazenda que ele fez com o grupo Kid Abelha, no acústico MTV da banda. A tirar pelas interpretações de Vida de viajante e Qui nem jiló, ele bem que poderia pensar em ser o próximo artista a dedicar um disco inteiro ao rei do baião e essas e outras constatações só são possíveis quando estamos diante de grandes intérpretes como também é o caso do nosso "leão do norte".

Um forte abraço a todos!

domingo, 2 de abril de 2017

♫Amante à moda antiga♫

Abril é o mês de aniversário de Roberto Carlos e como de costume, reservamos este mês para comentarmos sobre suas grandes canções, verdadeiras trilhas sonoras que fazem parte da vida de muitos brasileiros e até estrangeiros, já que o alcance da sua obra não esbarra em muitas fronteiras. Hoje, vamos ao ano de 1980 e ao clássico Amante à moda antiga, canção já gravada em instrumental por Eduardo Lages, mas não muito regravada por outros intérpretes. Agnaldo Timóteo foi um dos poucos que regravou esta canção em seu disco em homenagem ao rei.

Um perfeito fox, com o auxílio luxuoso de uma big band, talvez a ausência de muitas regravações, como é costumeiro na obra de Roberto se dê pelo fato da canção ser muito sua cara, fala dos amores de antigamente, com direito a flores, amasso no portão, amores que admiram a noite e sonham com suas amadas, cartas de amor, beijos nas mãos, manchas de batom e muitos outros cavalheirismos que encontramos nesta perfeita canção, que Sinatra interpretaria como algo de seu repertório sem nenhuma contestação.

Amante à moda antiga
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Eu sou aquele amante à moda antiga
Do tipo que ainda manda flores
Aquele que no peito ainda abriga
Recordações de seus grandes amores

Eu sou aquele amante apaixonado
Que curte a fantasia dos romances
Que fica olhando o céu de madrugada
Sonhando abraçado à namorada

Eu sou do tipo de certas coisas
Que já não são comuns nos nossos dias
As cartas de amor, o beijo na mão
Muitas manchas de batom daquele amasso no portão

Apesar de todo o progresso
Conceitos e padrões atuais
Sou do tipo que na verdade
Sofre por amor e ainda chora de saudade

Porque sou aquele amante à moda antiga
Do tipo que ainda manda flores
Apesar do velho tênis e da calça desbotada
Ainda chamo de querida a namorada

Um forte abraço a todos!