segunda-feira, 27 de abril de 2026

♫Debaixo dos caracóis dos seus cabelos♫

Lançada em 1971 e regravada ao vivo em 1998, Debaixo dos caracóis dos seus cabelos tem uma história interessante, pois, depois da visita que Roberto fez ao então exilado Caetano Veloso em 1969, em Londres, ficou com essa ideia na mente (a de homenagear o baiano, por sua ausência em sua terra e saudando uma possível volta), até que 71 foi lançada esta canção que na época e, durante muito tempo, teve sua inspiração ofuscada, parecendo apenas uma canção romântica, em que se saudava a volta de alguém que tinha caracóis em seu penteado.

Só na década de 90, quandoa  regrava em sua turnê, Caetano revela a homenagem que recebeu, enfatizando sua gratidão e sua compreensão ainda maior àquele a quem chamam de rei! No especial de 1992 cantou a canção e em 2008 foi chamado ao palco após Roberto entoar esta canção. Ferndanda Takai regravou esta canção no disco em que homenageia Nara que também a regravou no final dos anos 70. Quem aprende violão adora os solinhos dela. E pela importância de juntar tanta gente boa da nossa música, eis a letra de mais um clássico:

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora
Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 20 de abril de 2026

♫Meu pequeno Cachoeiro♫

Roberto Carlos fez aniversário ontem e escolheu mais uma vez sua terra natal, Cachoeiro do Itapemirim, para comemorar com um grandioso show. Isso já aconteceu algumas vezes em sua carreira e lembro de dois momentos: em 1995 (que o Fantástico e o Vídeo show fizeram uma cobertura bem legal) e em 2009 (quando iniciou as comemorações pelos seus 50 anos de carreira). E aqui temos uma canção que canta todo esse amor que ele tem por Cachoeiro.

Composta por seu conterrâneo Raul Sampaio (muitos pensam ser composição do Roberto), tem uma tocante letra que fala da geografia da cidade, da vontade de voltar ao berço, citando a casa, a rua, o pé de flamboyant (que a pedido do cantor foi incluída), a escola, tudo com muita saudade. Um ponto muito interessante é que, além de ser gravada por ele em 1970 e em 2005, foi regravada apenas em instrumental por Luiz Gonzaga em 1972, o que me faz reafirmar que as diferenças entre os dois "reis" só existiram entre as más línguas e os mal informados!

Meu pequeno Cachoeiro
Raul Sampaio

Eu passo a vida recordando
De tudo quanto aí deixei
Cachoeiro, cachoeiro
Vim pro rio de janeiro
Pra voltar e não voltei

Mas te confesso na saudade
As dores que arranjei pra mim
Pois todo o pranto destas mágoas
Ainda irei juntar nas águas
Do teu Itapemirim

Meu pequeno Cachoeiro
Vivo só pensando em ti
Ai que saudade dessas terras
Entre as serras
Doce terra onde eu nasci

Recordo a casa onde eu morava
O muro alto, o laranjal
Meu flamboyant na primavera
Que bonito que ele era
Dando sombra no quintal

A minha escola, a minha rua
Os meus primeiros madrigais
Ai como o pensamento voa
Ao lembrar a terra boa
Coisas que não voltam mais

Meu pequeno Cachoeiro
Vivo só pensando em ti
Ai que saudade dessas terras
Entre as serras
Doce terra onde eu nasci

segunda-feira, 13 de abril de 2026

CD Agnaldo Timóteo canta Roberto Carlos

Agnaldo Timóteo, que teve no início de sua carreira dois de seus maiores sucessos presenteados por Roberto Carlos (Meu grito e Os brutos também amam), fez em 1998 um CD todo dedicado à obra do rei da música brasileira: Em nome do amor, Agnaldo Timóteo canta Roberto Carlos, que trouxe grandes canções do repertório do Roberto, sobretudo dos anos 70 e início dos anos 80, sob a leitura e o vozeirão do Agnaldo.

Clássicos como Emoções, À distância, Seu corpo, Fera ferida, Outra vez, Como vai você, Falando sério e Amante à moda antiga se unem a outras meio esquecidas da coroa real: Não se esqueça de mim, As flores do jardim da nossa casa, Um jeito estúpido de te amar, Custe o que custar e Sonho lindo. Até A palavra adeus que não consta na discografia oficial de Roberto (saiu apenas na coletânea As 14 mais) foi resgatada brilhantemente por Agnaldo.

Pensei que este trabalho o levaria como convidado ao especial daquele ano ou de anos posteriores, o que nunca aconteceu, fato que deixou Agnaldo sempre magoado por fazer parte do "clube dos esquecidos". Ele sempre regravou outras canções do repertório do Roberto, o definindo como o melhor do país. E este é mais um daqueles grandes álbuns dedicados à obra do rei, que não liberava este tipo de projeto para todo mundo e, por isso, podemos dizer que aqui está um privilégio para o Agnaldo e para nós, os fãs da música nacional!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

♫O calhambeque♫

Abril e aqui no Blog Música do Brasil celebramos a obra de Roberto Carlos, em virtude de seu aniversário no próximo dia 19. E hoje temos um clássico da década de 60, sempre presente em seus shows (já teve até um inflável no palco), em seu acústico, em alguns dvds nacionais e importados (a canção foi um dos primeiros sucessos em espanhol, como Mi cacharrito). Já foi interpretada por outros nomes como o próprio Erasmo Carlos, além de Leonardo, Lulu Santos, Eduardo Lages e Caetano Veloso.

A letra de O calhambeque é uma adaptação feita pelo tremendão à versão original, que fala de uma aventura na estrada entre um motorista, a polícia e um afoito caminhoneiro. Já a versão brasileira conta as aventuras de um playboy que realiza a troca temporária de seu Cadillac, que foi para a oficina, por um Calhambeque (carro mais antigo) que, inicialmente o causa vergonha, mas depois o garante na conquista de todas as garotas. A parte inicial declamada não foi mais apresentada por Roberto em suas apresentações ao vivo, mas nas regravações de outros intérpretes sempre esteve presente. A levada, a buzina, as paradas sempre presentes tornaram esta uma das inesquecíveis de seu repertório!

O calhambeque (Road hog)
John Loudermilk e Erasmo Carlos

Essa é umas das muitas histórias que acontecem comigo
Primeiro foi Suzy, quando eu tinha lambreta
Depois comprei um carro, parei na contra-mão
Tudo isso sem contar o tremendo tapa que eu levei
Com a história do Splish Splash
Mas essa história também é interessante


Mandei meu Cadillac pro mecânico outro dia
Pois há muito tempo um conserto ele pedia
E como vou viver sem um carango pra correr?
Meu Cadillac, bi-bi
Quero consertar meu Cadillac

Com muita paciência o rapaz me ofereceu
Um carro todo velho que por lá apareceu
Enquanto o Cadillac consertava, eu usava
O Calhambeque, bi-bi
Quero buzinar o Calhambeque

Saí da oficina um pouquinho desolado
Confesso que estava até um pouco envergonhado
Olhando para o lado com cara de malvado
O Calhambeque, bi-bi
Buzinei assim o Calhambeque

E logo uma garota fez sinal para eu parar
E no meu Calhambeque fez questão de passear
Não sei o que pensei, mas eu não acreditei
Que o Calhambeque, bi-bi
O broto quis andar no Calhambeque

E muitos outros brotos que encontrei pelo caminho
Falavam: Que estouro, que beleza de carrinho
E fui me acostumando e do carango fui gostando
E o Calhambeque, bi-bi
Quero conservar o Calhambeque

Mas o Cadillac finalmente ficou pronto
Lavado, consertado, bem pintado, um encanto
Mas o meu coração, na hora exata de trocar
Aha ha!
O Calhambeque, bi-bi
Meu coração ficou com o Calhambeque

Bem! Vocês me desculpem, mas agora eu vou-me embora
Existem mil garotas querendo passear comigo
É, mas é por causa desse Calhambeque, mora?
Bye! Bye! Bye!

Um forte abraço a todos!