Belchior é daqueles nomes que você reconhece por ter uma marca própria, uma espécie de carimbo singular. Suas letras longas são uma de suas principais características. Não temos outro parecido ou, de repente um seguidor, um discípulo, ao menos que eu conheça. O cara é único mesmo. Essa canção teve uma bela releitura de Simone, recentemente para seu projeto ao vivo em que comemora seus 50 anos de carreira.
Temos aqui um belo exemplo do que estou tentando falar, pois tudo se torna pouco para definir, descrever uma figura assim de tantas obras interessantes. Não vou dizer que consigo de forma plena decifrar o que ele quis dizer nessa canção que, para mim, é uma declaração de amor das mais profundas da música nacional. O que chega em mim é que ele tenta descrever o que sente perante este sentimento, sem mergulhar no famoso água com açúcar, fazendo analogias e, quando tenta deixar de ser profundo, alcança ainda mais uma profundidade típica de poetas como o próprio, aceitando todas as nuances do amor, com a felicidade, a dor, o sofrimento, o gozo, a liberdade, o delírio, a paixão, a poesia, a música!
Divina comédia humana
Antônio Carlos Belchior
Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão, morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo
E algum modo de dizer não, eu canto...
Um forte abraço a todos!

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