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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CD e DVD O grande encontro 3

Lançado em 2000, este projeto volta a ser ao vivo e gravado no Rio de Janeiro. Sem contar com Alceu Valença, desta vez a proposta foi que cada um tivesse um convidado e assim tivemos as participações de Lenine, Moraes Moreira e Belchior. Elba, Zé e Geraldo cantam juntos na maioria das canções: Caravana, Táxi lunar, Petrolina/Juazeiro, Tum tum tum tum/Mulata no coco, Eu vou pra lua/O canto da ema.

Geraldo canta sozinho Dona da minha cabeça e, Canta Brasil, com seu convidado Moraes Moreira. Elba canta sozinha Frisson, Você se lembra, e, Lá e cá, com seu convidado Lenine. Zé canta sozinho A peleja do diabo com o dono do céu e, Garoto de aluguel, com seu convidado Belchior. Geraldo e Zé ainda cantam juntos Galope rasante. Elba e Zé cantam juntos A terceira lâmina.

No DVD, temos ainda Geraldo Azevedo cantando sozinho Bancarola do São Francisco, Zé Ramalho cantando solo Canção agalopada e os três juntos cantando A vida de viajante. O único projeto até então em que foi lançado também o DVD, com encontros históricos. Destaco neste trabalho os solos de Elba nas canções Frisson e Você se lembra. Esta última, a meu ver, ficou definitiva em sua belíssima interpretação!

Um forte abraço a todos!

domingo, 7 de maio de 2017

♫Apenas um rapaz latino americano♫

E há uma semana Belchior nos deixou. Antes dele, Jerry; nestes últimos dias, Guineto. E como é o artista, vai, mas fica. Isso porque alguma coisa ele nos disse que aprendemos, refletimos e depois esquecemos e depois revivemos e assim segue algo cíclico que podemos chamar de vida. Nunca ouvi muito nenhum dos três, mas esta canção do Belchior tocou bastante nesses dias e parei pra prestar atenção nela.

Aliás, frases de efeitos é o que não falta. Quantos rapazes vindos do interior já não se identificaram com este clássico, mesmo sem parentes importantes ou sem dinheiro? Este êxodo foi e continua sendo tão comum, mesmo 40 anos depois do lançamento desta pérola. E podemos passar desapercebido dos questionamentos de sua obra, de letras tão extensas e sempre reflexivas? Não nos prenderemos a nostalgias, pois tudo muda e com toda razão e, se ao vivo, é mesmo pior, vamos ao menos agradecer por tais palavras que cantadas nunca ferirão quem se identificar com elas.

Apenas um rapaz latino americano
Antônio Carlos Belchior

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos
Conversado com pessoas
Caminhado meu caminho
Papo, som, dentro da noite
E não tenho um amigo sequer
Que ainda acredite nisso não
Tudo muda!
E com toda razão

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
Ao vivo é muito pior

E eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Por favor
Não saque a arma no "saloon"
Eu sou apenas o cantor

Mas se depois de cantar
Você ainda quiser me atirar
Mate-me logo!
À tarde, às três
Que à noite
Tenho um compromisso
E não posso faltar
Por causa de vocês

Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não

Um forte abraço a todos!

domingo, 20 de março de 2016

♫Mucuripe♫

Já pensou em uma canção gravada por nomes como Roberto Carlos e Djavan, Elis Regina e Nelson Gonçalves, Dory Caymmi e Fagner? Esta canção existe e foi composta há muitos anos por uma grande dupla de então novos compositores: Raimundo Fagner e Antônio Carlos Belchior, para Elis Regina gravar e posteriormente Roberto.

A canção reflete um personagem do campo que vai ao mar refletir sobre um grande amor, iluminado por esse grande sentimento levado ao mucuripe, nome de um bairro boêmio de Fortaleza. E descreve um figurino atípico, mas bastante elegante: um personagem relativamente jovem, mas que já traz consigo muito tempo de amor, coisa de 20 anos, com esta letra que apresenta uma riqueza poética ímpar!

Mucuripe
Fagner e Belchior

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar
Hoje a noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor
Sob o meu chapéu quebrado
O sorrido ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com 20 anos de amor

Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui

Um forte abraço a todos!

domingo, 16 de novembro de 2014

♫Como nossos pais♫

Algumas canções são verdadeiros clássicos, sobretudo pelas letras que apresentam, sempre atuais a qualquer época. Como nossos pais pode entrar perfeitamente nesta afirmação, pois passam os anos e os novos e antigos cantores revivem esta pérola de Belchior, imortalizada pela Elis Regina.

A letra desta canção remota à época da ditadura neste país e vem carregada de metáforas, o que seria uma ousadia descrever cada significado dela e confesso não ter condições para tamanha ousadia. Por isto, destaco trechos que mexem bastante comigo como a importância de sonhar e construir tal sonho, não se inquietando com a conformidade das coisas e sempre cutucando nossa criatividade em busca de uma evolução humana melhor!

Como nossos pais
Antônio Carlos Belchior

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço
O seu lábio e a sua voz

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando o vil metal

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais

Um forte abraço a todos!

domingo, 25 de maio de 2008

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...

Essa frase da música brasileira é bastante reflexiva. A canção, idem, atualíssima. Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior é mais um grande cantor/compositor que o Ceará apresenta para o mundo. Durante sua infância foi cantador de feira e poeta repentista, algo bastante comum na época nas feiras livres do Nordeste do país.

Após abandonar o curso de medicina, dedicou-se inteiramente à música. Já no Rio de Janeiro, venceu o Festival Universitário da Mpb em 1971, com a canção Na hora do almoço.

Elis Regina foi sua madrinha musical, pois em 1972 gravou sua composição Mucuripe, em parceria com Fagner e regravada depois pelo rei Roberto Carlos. A gravação de Elis abriu portas para seu primeiro disco em 1974. A partir de então, seus sucessos alcançaram o povo brasileiro e outros cantores também puderam interpretar criações suas: Como nossos pais, Apenas um rapaz latino-americano, Medo de avião, Paralelas, Velha roupa cigana, entre outras são lembradas e regravadas por muitas pessoas da música brasileira.

Belchior anda meio afastado da mídia mas segue fazendo seus shows e encantando seu público fiel que canta sempre junto seus sucessos, sobretudo os mais populares. Quem nunca cantou o início de medo de avião? Quem não admira a interpretação de Paralelas que Elba Ramalho e tantos outros cuidaram tão bem? E quem não se emociona com a interpretação de Elis Regina pra essa canção abaixo?:

Como nossos pais
(Belchior)

Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos Como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tô por fora ou então que tô inventando
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos Como os nossos pais...

Um forte abraço a todos!