segunda-feira, 27 de abril de 2026

♫Debaixo dos caracóis dos seus cabelos♫

Lançada em 1971 e regravada ao vivo em 1998, Debaixo dos caracóis dos seus cabelos tem uma história interessante, pois, depois da visita que Roberto fez ao então exilado Caetano Veloso em 1969, em Londres, ficou com essa ideia na mente (a de homenagear o baiano, por sua ausência em sua terra e saudando uma possível volta), até que 71 foi lançada esta canção que na época e, durante muito tempo, teve sua inspiração ofuscada, parecendo apenas uma canção romântica, em que se saudava a volta de alguém que tinha caracóis em seu penteado.

Só na década de 90, quandoa  regrava em sua turnê, Caetano revela a homenagem que recebeu, enfatizando sua gratidão e sua compreensão ainda maior àquele a quem chamam de rei! No especial de 1992 cantou a canção e em 2008 foi chamado ao palco após Roberto entoar esta canção. Ferndanda Takai regravou esta canção no disco em que homenageia Nara que também a regravou no final dos anos 70. Quem aprende violão adora os solinhos dela. E pela importância de juntar tanta gente boa da nossa música, eis a letra de mais um clássico:

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora
Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 20 de abril de 2026

♫Meu pequeno Cachoeiro♫

Roberto Carlos fez aniversário ontem e escolheu mais uma vez sua terra natal, Cachoeiro do Itapemirim, para comemorar com um grandioso show. Isso já aconteceu algumas vezes em sua carreira e lembro de dois momentos: em 1995 (que o Fantástico e o Vídeo show fizeram uma cobertura bem legal) e em 2009 (quando iniciou as comemorações pelos seus 50 anos de carreira). E aqui temos uma canção que canta todo esse amor que ele tem por Cachoeiro.

Composta por seu conterrâneo Raul Sampaio (muitos pensam ser composição do Roberto), tem uma tocante letra que fala da geografia da cidade, da vontade de voltar ao berço, citando a casa, a rua, o pé de flamboyant (que a pedido do cantor foi incluída), a escola, tudo com muita saudade. Um ponto muito interessante é que, além de ser gravada por ele em 1970 e em 2005, foi regravada apenas em instrumental por Luiz Gonzaga em 1972, o que me faz reafirmar que as diferenças entre os dois "reis" só existiram entre as más línguas e os mal informados!

Meu pequeno Cachoeiro
Raul Sampaio

Eu passo a vida recordando
De tudo quanto aí deixei
Cachoeiro, cachoeiro
Vim pro rio de janeiro
Pra voltar e não voltei

Mas te confesso na saudade
As dores que arranjei pra mim
Pois todo o pranto destas mágoas
Ainda irei juntar nas águas
Do teu Itapemirim

Meu pequeno Cachoeiro
Vivo só pensando em ti
Ai que saudade dessas terras
Entre as serras
Doce terra onde eu nasci

Recordo a casa onde eu morava
O muro alto, o laranjal
Meu flamboyant na primavera
Que bonito que ele era
Dando sombra no quintal

A minha escola, a minha rua
Os meus primeiros madrigais
Ai como o pensamento voa
Ao lembrar a terra boa
Coisas que não voltam mais

Meu pequeno Cachoeiro
Vivo só pensando em ti
Ai que saudade dessas terras
Entre as serras
Doce terra onde eu nasci

segunda-feira, 13 de abril de 2026

CD Agnaldo Timóteo canta Roberto Carlos

Agnaldo Timóteo, que teve no início de sua carreira dois de seus maiores sucessos presenteados por Roberto Carlos (Meu grito e Os brutos também amam), fez em 1998 um CD todo dedicado à obra do rei da música brasileira: Em nome do amor, Agnaldo Timóteo canta Roberto Carlos, que trouxe grandes canções do repertório do Roberto, sobretudo dos anos 70 e início dos anos 80, sob a leitura e o vozeirão do Agnaldo.

Clássicos como Emoções, À distância, Seu corpo, Fera ferida, Outra vez, Como vai você, Falando sério e Amante à moda antiga se unem a outras meio esquecidas da coroa real: Não se esqueça de mim, As flores do jardim da nossa casa, Um jeito estúpido de te amar, Custe o que custar e Sonho lindo. Até A palavra adeus que não consta na discografia oficial de Roberto (saiu apenas na coletânea As 14 mais) foi resgatada brilhantemente por Agnaldo.

Pensei que este trabalho o levaria como convidado ao especial daquele ano ou de anos posteriores, o que nunca aconteceu, fato que deixou Agnaldo sempre magoado por fazer parte do "clube dos esquecidos". Ele sempre regravou outras canções do repertório do Roberto, o definindo como o melhor do país. E este é mais um daqueles grandes álbuns dedicados à obra do rei, que não liberava este tipo de projeto para todo mundo e, por isso, podemos dizer que aqui está um privilégio para o Agnaldo e para nós, os fãs da música nacional!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

♫O calhambeque♫

Abril e aqui no Blog Música do Brasil celebramos a obra de Roberto Carlos, em virtude de seu aniversário no próximo dia 19. E hoje temos um clássico da década de 60, sempre presente em seus shows (já teve até um inflável no palco), em seu acústico, em alguns dvds nacionais e importados (a canção foi um dos primeiros sucessos em espanhol, como Mi cacharrito). Já foi interpretada por outros nomes como o próprio Erasmo Carlos, além de Leonardo, Lulu Santos, Eduardo Lages e Caetano Veloso.

A letra de O calhambeque é uma adaptação feita pelo tremendão à versão original, que fala de uma aventura na estrada entre um motorista, a polícia e um afoito caminhoneiro. Já a versão brasileira conta as aventuras de um playboy que realiza a troca temporária de seu Cadillac, que foi para a oficina, por um Calhambeque (carro mais antigo) que, inicialmente o causa vergonha, mas depois o garante na conquista de todas as garotas. A parte inicial declamada não foi mais apresentada por Roberto em suas apresentações ao vivo, mas nas regravações de outros intérpretes sempre esteve presente. A levada, a buzina, as paradas sempre presentes tornaram esta uma das inesquecíveis de seu repertório!

O calhambeque (Road hog)
John Loudermilk e Erasmo Carlos

Essa é umas das muitas histórias que acontecem comigo
Primeiro foi Suzy, quando eu tinha lambreta
Depois comprei um carro, parei na contra-mão
Tudo isso sem contar o tremendo tapa que eu levei
Com a história do Splish Splash
Mas essa história também é interessante


Mandei meu Cadillac pro mecânico outro dia
Pois há muito tempo um conserto ele pedia
E como vou viver sem um carango pra correr?
Meu Cadillac, bi-bi
Quero consertar meu Cadillac

Com muita paciência o rapaz me ofereceu
Um carro todo velho que por lá apareceu
Enquanto o Cadillac consertava, eu usava
O Calhambeque, bi-bi
Quero buzinar o Calhambeque

Saí da oficina um pouquinho desolado
Confesso que estava até um pouco envergonhado
Olhando para o lado com cara de malvado
O Calhambeque, bi-bi
Buzinei assim o Calhambeque

E logo uma garota fez sinal para eu parar
E no meu Calhambeque fez questão de passear
Não sei o que pensei, mas eu não acreditei
Que o Calhambeque, bi-bi
O broto quis andar no Calhambeque

E muitos outros brotos que encontrei pelo caminho
Falavam: Que estouro, que beleza de carrinho
E fui me acostumando e do carango fui gostando
E o Calhambeque, bi-bi
Quero conservar o Calhambeque

Mas o Cadillac finalmente ficou pronto
Lavado, consertado, bem pintado, um encanto
Mas o meu coração, na hora exata de trocar
Aha ha!
O Calhambeque, bi-bi
Meu coração ficou com o Calhambeque

Bem! Vocês me desculpem, mas agora eu vou-me embora
Existem mil garotas querendo passear comigo
É, mas é por causa desse Calhambeque, mora?
Bye! Bye! Bye!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 30 de março de 2026

Livro Rita Lee uma autobiografia

Este é o primeiro livro de memórias de Rita Lee e podemos chamar de sua biografia oficial. Nele, Rita nos contou tudo que julgou de importante para seus fãs guardarem como informação da artista número um do rock nacional e uma das mais importantes do país. Desde sua infância, relacionamento com pais e irmãs, as tragédias, dramas, os primeiros passos na música, amores, filhos, o amor pelos animais, uma carreira de sucessos dessa figura fundamental da música tupiniquin.

Algumas fotos de diversas épocas e o relato leve das memórias da época em que passou pelos Mutantes, os Festivais, a carreira solo, as primeiras composições, o êxito da parceria mais que bem sucedida com o companheiro de uma vida, Roberto de Carvalho, os discos mais prazerosos de se lapidar, os programas e shows, o entrosamento e a parceria com alguns colegas como Elis Regina e João Gilberto, até os últimos passos, últimas gravações e últimos shows.

O sucesso desta biografia foi tão interessante que Rita lançou o que podemos chamar de volume 2, uma continuação que comentaremos em breve, pois tá aqui uma artista inesquecível e isso se comprova não apenas por sua fantástica obra, mas também pela atividade intensa que ela teve pós aposentadoria, com algumas canções, raras aparições e estes livros que, como diz um de seus clássicos, fez muita gente feliz!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 23 de março de 2026

♫Divina comédia humana♫

Belchior é daqueles nomes que você reconhece por ter uma marca própria, uma espécie de carimbo singular. Suas letras longas são uma de suas principais características. Não temos outro parecido ou, de repente um seguidor, um discípulo, ao menos que eu conheça. O cara é único mesmo. Essa canção teve uma bela releitura de Simone, recentemente para seu projeto ao vivo em que comemora seus 50 anos de carreira.

Temos aqui um belo exemplo do que estou tentando falar, pois tudo se torna pouco para definir, descrever uma figura assim de tantas obras interessantes. Não vou dizer que consigo de forma plena decifrar o que ele quis dizer nessa canção que, para mim, é uma declaração de amor das mais profundas da música nacional. O que chega em mim é que ele tenta descrever o que sente perante este sentimento, sem mergulhar no famoso água com açúcar, fazendo analogias e, quando tenta deixar de ser profundo, alcança ainda mais uma profundidade típica de poetas como o próprio, aceitando todas as nuances do amor, com a felicidade, a dor, o sofrimento, o gozo, a liberdade, o delírio, a paixão, a poesia, a música!

Divina comédia humana
Antônio Carlos Belchior

Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito

Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual

Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão, morando na filosofia

Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno

Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo
E algum modo de dizer não, eu canto...

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 16 de março de 2026

CD Daniela Mercury O canto da cidade

Este foi o álbum que projetou Daniela Mercury ao sucesso nacional, sendo o segundo disco de estúdio de sua carreira. Lançado em 1992 e com produção de Liminha, o disco trouxe ao menos seis canções com forte execução nas rádios. É considerado um dos melhores de sua carreira e um dos mais importantes dos anos 90.

Além da faixa homônima, tivemos neste CD os sucessos Batuque, O mais belo dos belos, Você não entende nada, Só pra te mostrar (com Herbert Vianna), Bandidos da América, além das canções Geração perdida, Rosa negra, Vem morar comigo, Exótica das artes, Rimas irmãs, Monumento vivo.

É um trabalho que firma Daniela entre os grandes nomes do Axé. Aprecio outros momentos dela, quando foi além desse ritmo e mostrou a grande intérprete que é, gravando também músicas românticas, como no álbum Feijão com arroz, o meu preferido! Mas, não posso deixar de reconhecer a importância desse álbum, sobretudo no início de sua carreira.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 9 de março de 2026

♫A mulher em mim (The woman in me)♫

Ontem foi dia internacional da mulher e resgatamos essa canção composta por uma mulher e cantada por outra. Uma internacional e outra brasileira. Shania Twain fez essa canção na década de 90 e Roberta Miranda a cantou em 1997, sendo tema da novela global O amor está no ar.

Inclusive, houve uma curiosidade em 2023, quando Britney Spears lançou sua biografia com o mesmo nome e isso alavancou a canção de Roberta novamente em plataformas nacionais. A letra em português foi feita pelo campeão de hits Cláudio Rabello e descreve como se sente uma mulher depois de tantas lutas em busca de um verdadeiro e almejado amor. Não é uma letra que celebra esta data, mas é algo que descreve a sensibilidade de algumas mulheres que sonham em ser felizes no amor bem sucedido.

A mulher em mim (The woman in me)
Shania Twain, Mutt Lange e Cláudio Rabello)

Em meu coração
Os amores vem e vão
Quando pude escolher
Me cansei de perder

Não vai ser sempre assim
Não sou tão forte assim
Alguém vou encontrar
E assim sem esperar

A mulher em mim
Vai então pedir
Me fala de amor
Me faz ser feliz

Porque é assim que eu sou
Ah, eu preciso dizer
Que a mulher em mim
Precisa de um homem que é você

Quando o mundo for demais
A lua fria e o sol fulgás
Se quiser se esconder
Eu escondo você

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 2 de março de 2026

Artistas da música nas escolas de samba 2026!!!

Este ano tivemos algumas homenagens das escolas de samba reverenciando nossos astros da música. A Mocidade Independente de Pe. Miguel, do Rio de Janeiro, trouxe o samba enredo Rita Lee a padroeira da liberdade, homenageando nossa eterna e inesquecível rainha do rock nacional.

A Imperatriz Leopoldinense, também do Rio de Janeiro, trouxe ao sambódromo o enredo Camaleônico, apresentando a vida e obra de Ney Matogrosso. O sambista Heitor dos Prazeres foi tema da Vila Isabel e Chico Science e o Manguebeat foram celebrados pela Grande Rio. Em São Paulo, o compositor Paulo César Pinheiro foi reverenciado pela Estrela do Terceiro Milênio e o cantor Benito di Paula foi homenageado pela Águia de ouro.

Independente do resultado, já que isso é lá com os jurados e seus quesitos, a sensação de ter sua vida saudada por uma agremiação já garante a emoção de presenciar toda essa justa homenagem sob os merecidos aplausos da plateia e do público de casa.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

♫Clareou♫

Quem escuta essa canção na abertura da novela Três graças, talvez não saiba que se trata de uma regravação, pois Clareou, este samba otimista e tão alto astral, já teve outras leituras famosas como as de Diogo Nogueira, Xande de Pilares, Péricles, Ivete Sangalo, entre outros. Li que a primeira gravação é de Paula Lima.

Como dito acima, muito alto astral, um mantra a se seguir todos os dias, afinal de contas, ao menos a luz do dia é igual para todos e nós precisamos nos apegar a algo para seguir atravessando as dificuldades de cada cotidiano e que bom haver canções assim, "fincadas" num ritmo contagiante, como é o samba, e que pode ser uma base para acreditarmos no resultado de nossos esforços!

Clareou
Serginho Meriti e Rodrigo Leite

A vida é pra quem sabe viver
Procure aprender a arte
Pra quando apanhar não se abater
Ganhar e perder faz parte

Levante a cabeça, amigo, a vida não é tão ruim
Um dia a gente perde mas nem sempre o jogo é assim
Pra tudo tem um jeito
E se não teve jeito ainda não chegou ao fim

Mantenha a fé na crença se a ciência não curar
Pois se não tem remédio, então remediado está
Já é um vencedor
Quem sabe a dor de uma derrota enfrentar
E a quem Deus prometeu, nunca faltou
Na hora certa, o bom Deus dará

Deus é maior
Maior é Deus e quem tá com Ele
Nunca está só
O que seria do mundo sem Ele?

Chega de chorar
Você já sofreu demais, agora chega
Chega de achar que tudo se acabou
Pode a dor uma noite durar
Mas um novo dia sempre vai raiar
E quando menos esperar, clareou
Clareou, ô-ô, ô-ô

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Livro Chico Buarque Paratodos

Em 1999 Regina Zappa lançou este que seria base para uma futura biografia mais completa sobre Francisco Buarque de Holanda. Li a versão de 99 e depois lerei esta biografia completa que foi lançada mais recentemente, em 2024, por ocasião dos seus 80 anos. Sem entrar no mérito das discussões que acompanha este tema nas últimas décadas, considero um livro assim mais que necessário, pois mereceríamos muitos livros explicando o fenômeno Chico Buarque. 

Sua infância, sua vida particular e, sobretudo seu início e decorrer de uma carreira mais que bem sucedida, se tornando um dos principais nomes da nossa música. Os primeiros passos na música, um pouco de seu casamento e sua relação com as filhas, as experiências nos festivais, o exílio, as trocas de figurinhas com grandes colegas, seus grandes influenciadores e suas influências, um pouco da importância de suas criações, além de sua paixão pelo futebol e suas "sérias" partidas que poderiam ter nos levado o músico e nos apresentado um craque dos estádios. 

Muita coisa pra contar que só poderia pedir uma, duas, dez, tantos livros em volta do maior compositor brasileiro moderno que nosso país e o mundo contemporâneo reconheceram! Lerei outras biografias e em breve volto a falar sobre a atualização que este exemplar sofreu, em homenagem ao rapaz tímido dos olhos verdes!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

♫Fé♫

Quando pequeno ouvi que palavrão e oração não andavam juntos, pois certas palavras não se combinam, nem deveríamos falar, tipo aquilo que chamamos de "baixo calão"! Mas, a vida comum é diferente e experimentamos muitos sentimentos diante de obstáculos, adversidades, preconceitos e injustiças que vão construindo ou destruindo aquilo que chamamos de conhecimento e/ou cultura.

Simpatizo bastante com essa canção da Iza, que conheci via Caetano e Bethânia, que também a interpretam tão bem. E considero os tais palavrões presentes na letra apenas um detalhe de quem fala, à sua maneira, o que deseja expressar dentro do que vive e aprende. Diria que é uma oração moderna cantada por quem sentiu de perto tudo isso que conta. Agradecer e saber onde pisa, reconhecer onde chegou e para onde seguir, ter conexão com as coisas santas é um ponto interessante de identificação dessa canção com o povo. O resto, palavrão ou erros de português, se não são as tais licenças poéticas, se perdem na hipocrisia de quem não tem vontade de gritar e sentir esse refrão dessa canção escrita a 8 pensamentos juntos!


Iza, Sérgio Santos, Pablo Bispo, Ruxell, Lukinhas, Henrique Bacellar, Junior Pierro e Fabinho Negramande

Hoje eu só vim agradecer por tudo que Deus me fez
Quem me conhece sabe o que vivi e o que passei
O tanto que ralei pra chegar até aqui
E cheguei, cheguei

Lembro de vários veneno
Eu, ainda menor, nunca sonhei pequeno
A minha coroa me criou sozinha
Levantando sempre no raiar do dia, bem cedo

Sempre aprendi com ela
A ser grata pelo que ainda vem
Hoje tu só vê os close, nunca viu meus corre
Mas pra quem confia em Deus, o sonho nunca morre, é, é

Fé pra quem é forte, fé pra quem é foda
Fé pra quem não foge a luta
Fé pra quem não perde o foco
Fé pra enfrentar esses filha da puta

Fé no proceder, na luta e na lida
Enquanto a gente não conquista
Segue em frente firme que a nossa firma é forte
Nunca foi sorte, irmão, sempre foi Deus, sempre foi Deus

Hoje, eu sonhei que um dia eu estaria onde ninguém pensou
Se ele quiser, eu piso onde ninguém pisou
Humildade e sabedoria para me guiar
E o impossível é possível pra quem acreditar

Fé pra quem é forte, fé pra quem é foda
Fé pra quem não foge a luta
Fé pra quem não perde o foco
Fé pra enfrentar esses filha da puta

Ô, mãe, ô, mãe do céu
Abençoai, abençoai, abençoai a correria
E o nosso pão de cada dia
Ô, mãe, ô, mãe do céu
Abençoai, abençoai, abençoai a correria
É minha fé que me guia

Fé pra quem é forte, fé pra quem é foda
Fé pra quem não foge a luta
Fé pra quem não perde o foco
Fé pra enfrentar esses filha da puta

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

DVD O Incrível monstro trapalhão

Como de costume, em todo janeiro comentamos algum filme dos trapalhões, já que o inesquecível quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias tornaram feliz a infância de muitos, inclusive deste que vos escreve. Numa época em que internet não existia, o que restava era assistir aos filmes que passavam e, para quem gostava deles como eu, torcer pela exibição de algum título, dos tantos que cresci assistindo. Este vem do início de 1981.

Os trapalhões são mecânicos em um autódromo e Didi é Dr. Jegue, que possui um laboratório e desenvolve um combustível mais eficiente e uma poção que o transforma em um ser monstruoso, tipo incrível hulk (apesar de sonhar em ser um novo superman), o que ajuda ao grupo a combater os inimigos de corrida e de compra (na verdade, roubo) do combustível que iria substituir o petróleo, tesouro tão almejado até hoje pelas nações ambiciosas deste planeta.

Alcione Mazzeo, Paulo Ramos, Eduardo Conde e Carlos Kurt são alguns dos atores que completam o elenco que não tem nenhuma canção marcante, mas que configura um dos poucos filmes em que Didi termina acompanhado. E a nostalgia sempre bate quando revisito a filmografia desses caras que foram tão importantes tambbém em minhas antigas férias de janeiro!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Show Caetano Veloso e Maria Bethânia na Globo

Antigamente tínhamos vários especiais de música nas emissores de rádio e televisão, algo que foi se tornando rarefeito nos últimos anos, talvez porque o público nem acompanha tanto. Ano passado, por exemplo, só estive antenado ao que aconteceu na Globo (nem sei se houveram outros especiais em outras emissoras). 

Mas, ao menos tivemos, além do já postado Roberto Carlos especial, um programa dedicado à turnê que aconteceu em 2024/2025 e reuniu os dois irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Com vários recortes da passagem de ambos por várias cidades brasileiras, a maior parte do show é composta de duetos, em canções que foram sucessos no repertório de ambos, ou seja, ambos cantando, sem convidados ou nenhum solo de músico. Algumas apresentações solos dos artistas também fizeram desse um encontro memorável, onde o repertório sempre deixará uma lista de canções que poderiam ter aparecido. 

Mas, o que tivemos e que foi suficiente para enaltecer esse programa ao máximo foram clássicos como Alegria alegria, Os mais doces bárbaros, Gente, Oração ao tempo, Eu e água, Um índio, Sozinho, O leãozinho, Você não me ensinou a te esquecer, Você é linda, Deus cuida de mim, Brincar de viver, Explode coração, As canções que você fez pra mim, Baby, O quereres, Fé, Reconvexo e duas das maiores vozes deste planeta desses intérpretes, que por acaso são parentes e que tem a música na veia há mais de 50 anos.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

♫Êxtase♫

Começamos 2026 com essa belíssima canção do Guilherme Arantes. Êxtase foi lançada em 1979 e, segundo seu autor, foi composta em homenagem à sua primeira filha que nascia ali. De fato, quem experimenta a maternidade e/ou a paternidade sabe o que é ter um filho, a emoção indescritível desse momento. 

E, mesmo sem querer romantizar muito, é um sentimento como descrito nesta canção, que pode ter sua letra tomada como algo romântico entre um casal, por exemplo. Como um novo ano que se inicia, uma nova vida que começa, uma nova chance de sermos maiores e melhores!

Êxtase
Guilherme Arantes

Eu nem sonhava te amar desse jeito
Hoje nasceu novo sol no meu peito
Quero acordar te sentindo ao meu lado
Viver o êxtase de ser amado
Espero que a música que eu canto agora
Possa expressar o meu súbito amor

Com sua ajuda tranquila e serena
Vou aprendendo que amar vale a pena
Que essa amizade é tão gratificante
Que esse diálogo é muito importante
Espero que a música que eu canto agora
Possa expressar o meu súbito amor

Eu nem sonhava te amar desse jeito...

Feliz 2026 a todos!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Roberto Carlos especial 2025!!!

E em nossa última postagem do ano vamos comentar a apresentação do tradicional Roberto Carlos especial, exibido no último dia 22 e gravado na cidade de Gramado/RS. Com cenas de RC andando pelas ruas da natalina cidade, o show começa com Emoções, seguida de Esse cara sou eu e vem o primeiro convidado: João Gomes, o pernambucano ilustre que conquistou o país com sua música e sua humildade, cantou a sua Eu tenho a senha e, com Roberto, a mensagem Fé. Só esse já me daria uma postagem, pois é Roberto, como sempre, me mostrando que há coisas boas na música brasileira. E aqui é meu Nordeste, é Gonzaga que não foi ao especial de RC, mas que mandou um dos mais novos representantes de sua universidade. Na sequência, Amigo e aquela eterna homenagem ao tremendão!

Outro amigo revisita o especial: Benjor e Roberto atacaram de Eu sou terrível e Chove chuva. Prezando pelos clássicos religiosos dessa vez, temos Luz divina e, em seguida, a próxima convidada, Fafá de Belém, com quem cantou Eu te amo te amo te amo (teria escolhido outra para eles) e Como han pasado los años, que eu conhecia pelo Julio Iglesias em 2003, mas que descobri ter sido lançada por Rocio Durcal em 1995. Aqui, Roberto e Fafá cantaram parte em português,  numa química perfeita. Dizem que a versão em português foi feita pelo próprio RC e como seria legal se isso fosse lançado em CD, ou ao menos nas tais plataformas digitais. Nossa Senhora vem naquela versão belíssima que arranca lágrimas de muitos!

Dentre várias listas de supostos convidados, nunca imaginei o Supla e, como muitos, recebi isso com preconceito. Não conheço o repertório dele. E confesso que gostei do dueto com Roberto na homenagem a Elvis/Beatles, em Tutti frutti/Hound dog/Blue suede shoes/ And i love her, dispensando a sua Garota de Berlim (apenas por não apreciar). Meu menino Jesus e o coral de crianças (um dos momentos mais lindos e tocantes) arrancou lágrimas de quem vos escreve, num momento sublime de amor e paz. Na sequência, com Sophie Charlotte cantou Proposta e As canções que você fez pra mim, ambas com aquela suavidade que as vozes pedem. O programa foi finalizado com Jesus Cristo e trechos de Eu ofereço flores e Noite feliz (essa poderia ter vindo completa), com aquele gostinho de quero outros. Tomara que, durante muitos anos, nós que apreciamos esse programa de final de ano, possamos nos render a mais emoções como os desta edição, que trouxe um maravilhoso alto astral, sobretudo do Roberto, que cantou várias com seus convidados (nos últimos anos olhava mais que cantava nos duetos) e, também visitou outras canções que fogem um pouco do habitual que apresenta em suas turnês! Viva ao rei e a seus convidados e, por que não dizer, ao público que aprecia esse tradicional programa?

Feliz 2026 a todos!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Feliz Natal e Boas festas 2025!!!

O Blog Música do Brasil deseja a todos os leitores deste modesto espaço um abençoado Natal e Boas festas 2025 e que tenhamos uma fartura de comida, saúde, alegria e paz aos corações, além de muita música, ao gosto do cliente!

Que a Luz que representa o Menino Jesus acenda bons sentimentos nos corações dos seres e que essa prova maior do Amor do Pai por nós possa nos transformar em pessoas cada vez melhores, banhados por essa mesma Luz!

Feliz Natal e Boas festas 2025!!!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Olhando as estrelas - 74

É pena que Simone não esteja na lista de uma das convidadas do especial deste ano de Roberto Carlos, gravado em Gramado/RS, pois seria bem pertinente, já que para muitos brasileiros, como eu, são esses dois que cantam em nossas casas em épocas natalinas (e não apenas nesta época). Ele, por trazer uma tradição antiga de lançar seus discos e apresentar seus especiais na Globo. Ela, por lançar há 30 anos o disco natalino de maior sucesso até hoje em terras tupiniquins.

Roberto e Simone já se encontraram diversas vezes. Ela já foi considerada a Roberto de saias, por usar sempre branco em suas turnês e lembrar um pouco o rei em suas interpretações românticas (não com imitação, mas com uma certa influência que ela não nega). Já cantaram juntos em algumas situações: no especial dele em 1989; no especial dela em 1993; participaram juntos de projetos como o Voces unidas em 1985 e estão entre os artistas brasileiros mais conhecidos no mundo hispânico.

Simone já gravou diversas composições do repertório do Roberto, como Outra vez, Seu corpo, Vou ficar nu para chamar sua atenção, À distância, Eu preciso de você, Falando sério, Pensamentos, Jesus Cristo, Proposta, As curvas da estrada de Santos, entre tantas que caberiam perfeitamente em um disco inteiro dedicado ao ídolo. Quem sabe, sua majestade não lembre dela em próximas edições e tenhamos mais encontros maravilhosos dessas estrelas.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Blog Música do Brasil - 18 anos!!!

Amanhã, 09/12 este Blog comemora 18 anos. Isso é sinônimo de maioridade? Talvez de resistência, pois como já venho falando em seus últimos aniversários, resisto porque gosto de falar da música nacional, mesmo hoje percebendo que estou mais restrito à música produzida nos anos 1960-2000. 

Mas, isso não significa que décadas anteriores e/ou posteriores, inclusive a atual não figure por aqui. É simplesmente uma constatação do período musical que mais me seduz. E isso é muito bom, porque já falei sobre muita coisa e sinto que ainda há muito o que se falar. Chegamos aos 18 concluindo que se restringir a uma época da música não é nada mal, como já pensei em anos anteriores e nesta terapia sempre descobrimos novidades pois foram muitos nomes que trabalharam neste período. 

Este ano comemoramos bem a Jovem Guarda, mergulhamos em trilhas sonoras de novelas e abrimos algumas boas literaturas para indicar aos amantes da música tupiniquim, além de continuarmos a comentar sobre as canções que nos marcam e os CD´s que figuram em minha coleção, os músicos, compositores e o que cada um deles representa sob minha humilde ótica de apreciador de música. Ao leitor, uma fatia desse bolo repleto de vozes, instrumentos e sons que por aqui ecoam! E aquele velho brinde à música brasileira e aos seus apreciadores!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

CD Simone ao vivo 50 anos

Dezembro começando e este ano posso dizer que tenho presente de Natal pra indicar a quem curte mídia fisica. Os CD´s e Lp´s sumiram por completo? Graças a Deus não! Apesar de poucos, ainda são lançados, para a alegria dos colecionadores. A Biscoito fino é uma dessas gravadoras que continua lançando. E este ano, Simone lançou um CD ao vivo como produto de comemoração pelos seus 50 anos de carreira.

Achei bastante interessante o critério usado por ela e seu diretor Marcus Preto para selecionar o repertório, de uma carreira cheia de sucessos: priorizar os hits que ela foi "autora". Não confundir isso com compositora, mas canções de grandes compositores como Ivan Lins, Milton Nascimento, Chico Buarque ou José Augusto, e que foram imortalizadas por ela. A isso se soma a única inédita em show, a canção Divina comédia maravilhosa, de Belchior, escrita pra ela em 1977 e que infelizmente não foi gravada na época. Resolvido agora.

Teria que ser uns dois ou três CD´s duplos, para não sentirmos falta daquela inesquecível canção. Mas, o repertório inclui Tô que tô, O que será (à flor da terra), Sangrando, Começar de novo, Cigarra, Jura secreta, Sangue e pudins, Sob medida, Alma, Depois das dez, Um desejo só não basta, Separação, Encontros e despedidas, Boca em brasa (Com Zélia Duncan), Iolanda (Com Zélia Duncan), Ex-amor (Com Zélia Duncan), Desesperar jamais, Tô voltando e O amanhã (com a participação de integrantes da Portela), para garantir a trilha sonora de nosso Natal, carnaval e qualquer época festiva do ano!

Um forte abraço a todos!