segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

♫Fé♫

Quando pequeno ouvi que palavrão e oração não andavam juntos, pois certas palavras não se combinam, nem deveríamos falar, tipo aquilo que chamamos de "baixo calão"! Mas, a vida comum é diferente e experimentamos muitos sentimentos diante de obstáculos, adversidades, preconceitos e injustiças que vão construindo ou destruindo aquilo que chamamos de conhecimento e/ou cultura.

Simpatizo bastante com essa canção da Iza, que conheci via Caetano e Bethânia, que também a interpretam tão bem. E considero os tais palavrões presentes na letra apenas um detalhe de quem fala, à sua maneira, o que deseja expressar dentro do que vive e aprende. Diria que é uma oração moderna cantada por quem sentiu de perto tudo isso que conta. Agradecer e saber onde pisa, reconhecer onde chegou e para onde seguir, ter conexão com as coisas santas é um ponto interessante de identificação dessa canção com o povo. O resto, palavrão ou erros de português, se não são as tais licenças poéticas, se perdem na hipocrisia de quem não tem vontade de gritar e sentir esse refrão dessa canção escrita a 8 pensamentos juntos!


Iza, Sérgio Santos, Pablo Bispo, Ruxell, Lukinhas, Henrique Bacellar, Junior Pierro e Fabinho Negramande

Hoje eu só vim agradecer por tudo que Deus me fez
Quem me conhece sabe o que vivi e o que passei
O tanto que ralei pra chegar até aqui
E cheguei, cheguei

Lembro de vários veneno
Eu, ainda menor, nunca sonhei pequeno
A minha coroa me criou sozinha
Levantando sempre no raiar do dia, bem cedo

Sempre aprendi com ela
A ser grata pelo que ainda vem
Hoje tu só vê os close, nunca viu meus corre
Mas pra quem confia em Deus, o sonho nunca morre, é, é

Fé pra quem é forte, fé pra quem é foda
Fé pra quem não foge a luta
Fé pra quem não perde o foco
Fé pra enfrentar esses filha da puta

Fé no proceder, na luta e na lida
Enquanto a gente não conquista
Segue em frente firme que a nossa firma é forte
Nunca foi sorte, irmão, sempre foi Deus, sempre foi Deus

Hoje, eu sonhei que um dia eu estaria onde ninguém pensou
Se ele quiser, eu piso onde ninguém pisou
Humildade e sabedoria para me guiar
E o impossível é possível pra quem acreditar

Fé pra quem é forte, fé pra quem é foda
Fé pra quem não foge a luta
Fé pra quem não perde o foco
Fé pra enfrentar esses filha da puta

Ô, mãe, ô, mãe do céu
Abençoai, abençoai, abençoai a correria
E o nosso pão de cada dia
Ô, mãe, ô, mãe do céu
Abençoai, abençoai, abençoai a correria
É minha fé que me guia

Fé pra quem é forte, fé pra quem é foda
Fé pra quem não foge a luta
Fé pra quem não perde o foco
Fé pra enfrentar esses filha da puta

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

DVD O Incrível monstro trapalhão

Como de costume, em todo janeiro comentamos algum filme dos trapalhões, já que o inesquecível quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias tornaram feliz a infância de muitos, inclusive deste que vos escreve. Numa época em que internet não existia, o que restava era assistir aos filmes que passavam e, para quem gostava deles como eu, torcer pela exibição de algum título, dos tantos que cresci assistindo. Este vem do início de 1981.

Os trapalhões são mecânicos em um autódromo e Didi é Dr. Jegue, que possui um laboratório e desenvolve um combustível mais eficiente e uma poção que o transforma em um ser monstruoso, tipo incrível hulk (apesar de sonhar em ser um novo superman), o que ajuda ao grupo a combater os inimigos de corrida e de compra (na verdade, roubo) do combustível que iria substituir o petróleo, tesouro tão almejado até hoje pelas nações ambiciosas deste planeta.

Alcione Mazzeo, Paulo Ramos, Eduardo Conde e Carlos Kurt são alguns dos atores que completam o elenco que não tem nenhuma canção marcante, mas que configura um dos poucos filmes em que Didi termina acompanhado. E a nostalgia sempre bate quando revisito a filmografia desses caras que foram tão importantes tambbém em minhas antigas férias de janeiro!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Show Caetano Veloso e Maria Bethânia na Globo

Antigamente tínhamos vários especiais de música nas emissores de rádio e televisão, algo que foi se tornando rarefeito nos últimos anos, talvez porque o público nem acompanha tanto. Ano passado, por exemplo, só estive antenado ao que aconteceu na Globo (nem sei se houveram outros especiais em outras emissoras). 

Mas, ao menos tivemos, além do já postado Roberto Carlos especial, um programa dedicado à turnê que aconteceu em 2024/2025 e reuniu os dois irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Com vários recortes da passagem de ambos por várias cidades brasileiras, a maior parte do show é composta de duetos, em canções que foram sucessos no repertório de ambos, ou seja, ambos cantando, sem convidados ou nenhum solo de músico. Algumas apresentações solos dos artistas também fizeram desse um encontro memorável, onde o repertório sempre deixará uma lista de canções que poderiam ter aparecido. 

Mas, o que tivemos e que foi suficiente para enaltecer esse programa ao máximo foram clássicos como Alegria alegria, Os mais doces bárbaros, Gente, Oração ao tempo, Eu e água, Um índio, Sozinho, O leãozinho, Você não me ensinou a te esquecer, Você é linda, Deus cuida de mim, Brincar de viver, Explode coração, As canções que você fez pra mim, Baby, O quereres, Fé, Reconvexo e duas das maiores vozes deste planeta desses intérpretes, que por acaso são parentes e que tem a música na veia há mais de 50 anos.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

♫Êxtase♫

Começamos 2026 com essa belíssima canção do Guilherme Arantes. Êxtase foi lançada em 1979 e, segundo seu autor, foi composta em homenagem à sua primeira filha que nascia ali. De fato, quem experimenta a maternidade e/ou a paternidade sabe o que é ter um filho, a emoção indescritível desse momento. 

E, mesmo sem querer romantizar muito, é um sentimento como descrito nesta canção, que pode ter sua letra tomada como algo romântico entre um casal, por exemplo. Como um novo ano que se inicia, uma nova vida que começa, uma nova chance de sermos maiores e melhores!

Êxtase
Guilherme Arantes

Eu nem sonhava te amar desse jeito
Hoje nasceu novo sol no meu peito
Quero acordar te sentindo ao meu lado
Viver o êxtase de ser amado
Espero que a música que eu canto agora
Possa expressar o meu súbito amor

Com sua ajuda tranquila e serena
Vou aprendendo que amar vale a pena
Que essa amizade é tão gratificante
Que esse diálogo é muito importante
Espero que a música que eu canto agora
Possa expressar o meu súbito amor

Eu nem sonhava te amar desse jeito...

Feliz 2026 a todos!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Roberto Carlos especial 2025!!!

E em nossa última postagem do ano vamos comentar a apresentação do tradicional Roberto Carlos especial, exibido no último dia 22 e gravado na cidade de Gramado/RS. Com cenas de RC andando pelas ruas da natalina cidade, o show começa com Emoções, seguida de Esse cara sou eu e vem o primeiro convidado: João Gomes, o pernambucano ilustre que conquistou o país com sua música e sua humildade, cantou a sua Eu tenho a senha e, com Roberto, a mensagem Fé. Só esse já me daria uma postagem, pois é Roberto, como sempre, me mostrando que há coisas boas na música brasileira. E aqui é meu Nordeste, é Gonzaga que não foi ao especial de RC, mas que mandou um dos mais novos representantes de sua universidade. Na sequência, Amigo e aquela eterna homenagem ao tremendão!

Outro amigo revisita o especial: Benjor e Roberto atacaram de Eu sou terrível e Chove chuva. Prezando pelos clássicos religiosos dessa vez, temos Luz divina e, em seguida, a próxima convidada, Fafá de Belém, com quem cantou Eu te amo te amo te amo (teria escolhido outra para eles) e Como han pasado los años, que eu conhecia pelo Julio Iglesias em 2003, mas que descobri ter sido lançada por Rocio Durcal em 1995. Aqui, Roberto e Fafá cantaram parte em português,  numa química perfeita. Dizem que a versão em português foi feita pelo próprio RC e como seria legal se isso fosse lançado em CD, ou ao menos nas tais plataformas digitais. Nossa Senhora vem naquela versão belíssima que arranca lágrimas de muitos!

Dentre várias listas de supostos convidados, nunca imaginei o Supla e, como muitos, recebi isso com preconceito. Não conheço o repertório dele. E confesso que gostei do dueto com Roberto na homenagem a Elvis/Beatles, em Tutti frutti/Hound dog/Blue suede shoes/ And i love her, dispensando a sua Garota de Berlim (apenas por não apreciar). Meu menino Jesus e o coral de crianças (um dos momentos mais lindos e tocantes) arrancou lágrimas de quem vos escreve, num momento sublime de amor e paz. Na sequência, com Sophie Charlotte cantou Proposta e As canções que você fez pra mim, ambas com aquela suavidade que as vozes pedem. O programa foi finalizado com Jesus Cristo e trechos de Eu ofereço flores e Noite feliz (essa poderia ter vindo completa), com aquele gostinho de quero outros. Tomara que, durante muitos anos, nós que apreciamos esse programa de final de ano, possamos nos render a mais emoções como os desta edição, que trouxe um maravilhoso alto astral, sobretudo do Roberto, que cantou várias com seus convidados (nos últimos anos olhava mais que cantava nos duetos) e, também visitou outras canções que fogem um pouco do habitual que apresenta em suas turnês! Viva ao rei e a seus convidados e, por que não dizer, ao público que aprecia esse tradicional programa?

Feliz 2026 a todos!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Feliz Natal e Boas festas 2025!!!

O Blog Música do Brasil deseja a todos os leitores deste modesto espaço um abençoado Natal e Boas festas 2025 e que tenhamos uma fartura de comida, saúde, alegria e paz aos corações, além de muita música, ao gosto do cliente!

Que a Luz que representa o Menino Jesus acenda bons sentimentos nos corações dos seres e que essa prova maior do Amor do Pai por nós possa nos transformar em pessoas cada vez melhores, banhados por essa mesma Luz!

Feliz Natal e Boas festas 2025!!!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Olhando as estrelas - 74

É pena que Simone não esteja na lista de uma das convidadas do especial deste ano de Roberto Carlos, gravado em Gramado/RS, pois seria bem pertinente, já que para muitos brasileiros, como eu, são esses dois que cantam em nossas casas em épocas natalinas (e não apenas nesta época). Ele, por trazer uma tradição antiga de lançar seus discos e apresentar seus especiais na Globo. Ela, por lançar há 30 anos o disco natalino de maior sucesso até hoje em terras tupiniquins.

Roberto e Simone já se encontraram diversas vezes. Ela já foi considerada a Roberto de saias, por usar sempre branco em suas turnês e lembrar um pouco o rei em suas interpretações românticas (não com imitação, mas com uma certa influência que ela não nega). Já cantaram juntos em algumas situações: no especial dele em 1989; no especial dela em 1993; participaram juntos de projetos como o Voces unidas em 1985 e estão entre os artistas brasileiros mais conhecidos no mundo hispânico.

Simone já gravou diversas composições do repertório do Roberto, como Outra vez, Seu corpo, Vou ficar nu para chamar sua atenção, À distância, Eu preciso de você, Falando sério, Pensamentos, Jesus Cristo, Proposta, As curvas da estrada de Santos, entre tantas que caberiam perfeitamente em um disco inteiro dedicado ao ídolo. Quem sabe, sua majestade não lembre dela em próximas edições e tenhamos mais encontros maravilhosos dessas estrelas.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Blog Música do Brasil - 18 anos!!!

Amanhã, 09/12 este Blog comemora 18 anos. Isso é sinônimo de maioridade? Talvez de resistência, pois como já venho falando em seus últimos aniversários, resisto porque gosto de falar da música nacional, mesmo hoje percebendo que estou mais restrito à música produzida nos anos 1960-2000. 

Mas, isso não significa que décadas anteriores e/ou posteriores, inclusive a atual não figure por aqui. É simplesmente uma constatação do período musical que mais me seduz. E isso é muito bom, porque já falei sobre muita coisa e sinto que ainda há muito o que se falar. Chegamos aos 18 concluindo que se restringir a uma época da música não é nada mal, como já pensei em anos anteriores e nesta terapia sempre descobrimos novidades pois foram muitos nomes que trabalharam neste período. 

Este ano comemoramos bem a Jovem Guarda, mergulhamos em trilhas sonoras de novelas e abrimos algumas boas literaturas para indicar aos amantes da música tupiniquim, além de continuarmos a comentar sobre as canções que nos marcam e os CD´s que figuram em minha coleção, os músicos, compositores e o que cada um deles representa sob minha humilde ótica de apreciador de música. Ao leitor, uma fatia desse bolo repleto de vozes, instrumentos e sons que por aqui ecoam! E aquele velho brinde à música brasileira e aos seus apreciadores!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

CD Simone ao vivo 50 anos

Dezembro começando e este ano posso dizer que tenho presente de Natal pra indicar a quem curte mídia fisica. Os CD´s e Lp´s sumiram por completo? Graças a Deus não! Apesar de poucos, ainda são lançados, para a alegria dos colecionadores. A Biscoito fino é uma dessas gravadoras que continua lançando. E este ano, Simone lançou um CD ao vivo como produto de comemoração pelos seus 50 anos de carreira.

Achei bastante interessante o critério usado por ela e seu diretor Marcus Preto para selecionar o repertório, de uma carreira cheia de sucessos: priorizar os hits que ela foi "autora". Não confundir isso com compositora, mas canções de grandes compositores como Ivan Lins, Milton Nascimento, Chico Buarque ou José Augusto, e que foram imortalizadas por ela. A isso se soma a única inédita em show, a canção Divina comédia maravilhosa, de Belchior, escrita pra ela em 1977 e que infelizmente não foi gravada na época. Resolvido agora.

Teria que ser uns dois ou três CD´s duplos, para não sentirmos falta daquela inesquecível canção. Mas, o repertório inclui Tô que tô, O que será (à flor da terra), Sangrando, Começar de novo, Cigarra, Jura secreta, Sangue e pudins, Sob medida, Alma, Depois das dez, Um desejo só não basta, Separação, Encontros e despedidas, Boca em brasa (Com Zélia Duncan), Iolanda (Com Zélia Duncan), Ex-amor (Com Zélia Duncan), Desesperar jamais, Tô voltando e O amanhã (com a participação de integrantes da Portela), para garantir a trilha sonora de nosso Natal, carnaval e qualquer época festiva do ano!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

♫Querida♫

Muitos enaltecem o Tom Jobim compositor e o exuberante músico. Mas, poucos percebem que Tom também é um grande cantor. E isso se verifica, por exemplo, em um das suas últimas gravações, uma das minhas preferidas dele: Querida. Essa canção foi tema de abertura da novela O dono do mundo, que usava cenas de Charles Chaplin, enquanto a canção tocava. Mas, nem a posso enquadrar na série temas inesquecíveis de novela, pois, para mim, a canção foi maior que a abertura e/ou a novela que não me seduziu tanto.

Talvez, pelo arranjo, pelos vocais, pela levada, pela letra, por tudo junto, me faz colocar essa (que nem é considerada clássica de seu repertório), como uma das melhores e das que mais gosto de cantar. Imagino que nem todos a classifiquem assim, por isso não foi regravada por outros nomes, ou então, ficou tão a marca do Tom que, ninuém se atreveu a mexer nessa interpretação. Uma canção de amor que grita a saudade de quem espera, de quem observa as coisas da vida, enquanto em seu mundo interior só brilha mesmo a presença tão desejada de sua querida, bandida, fingida,...

Querida
Tom Jobim

Longa é a tarde, longa é a vida
De tristes flores, longa ferida
Longa é a dor do pecador, querida

Breve é o dia, breve é a vida
De breves flores na despedida
Longa é a dor do pecador, querida
Breve é a dor do trovador, querida

Longa é a praia, longa restinga
Da Marambaia à Joatinga
Grande é a fé do pescador, querida
E a longa espera do caçador, perdida

O dia passa e eu nessa lida
Longa é a arte, tão breve a vida
Louco é o desejo do amador, querida, querida
Longo é o beijo do amador, bandida
Belo é o jovem mergulhador, na ida
Vasto é o mar, espelho do céu, querida, querida
Querida

Você tão linda nesse vestido
Você provoca minha libido
Chega mais perto meu amor bandido
Bandida, fingido, fingida, querido, querida

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

CD 30 anos da Jovem Guarda volume 5

Em nossa última postagem sobre as coletâneas lançadas há 30 anos, quando se comemorava 30 anos de Jovem Guarda, abordamos o quinto volume, com Os vips cantando A volta, Sivinha com Splish splash e Wanderléa com Eu já nem sei. Na sequência, Golden boys com Alguém na multidão e Wanderley Cardoso com o seu Bom rapaz.

Temos ainda Lacinhos cor-de-rosa com Lilian, O ciúme com Deny e Dino e Wooly Bully com The fevers. E mais clássicos da época em Namoradinha de um amigo meu com Jerry Adriani, Vá embora daqui com Marcos Roberto e O escândalo com Renato e seus blue caps. O tremendão Erasmo Carlos também aparece com um clássico do finalzinho da época, mas que marcou toda a música brasileira: Sentado à beira do caminho.

Por fim, temos Veja se me esquece com Dori Edson e Quero que vá tudo pro inferno, com todo o elenco que participou do projeto 30 anos da jovem guarda. Foi bastante interessante abordar parte daquelas tardes de domingo com seus clássicos revividos na década de 90, com uma sonoridade atualizada e algumas surpresas, que tornaram ainda mais esse momento inesquecível em nossa música nacional!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Livro A canção no tempo volume 2

Finalizei a leitura do livro A canção no tempo volume 2, de Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano. Recentemente comentei sobre o volume 1, que aborda a música do início do século até 1957. Este segundo volume me despertou mais interesse e quase começo por ele, por abordar a época que mais aprecio: 1958 a 1985. Até lamentei não termos um terceiro volume, ao menos que falasse de 1986 até 2010, mas seus autores já não estão entre nós e, mesmo as duas edições tendo sido lançadas em 1998, não demonstraram interesse em uma continuação, julgando terem abordado o que mais importa na música do século passado nestes dois volumes.

Como no volume 1, destacou algumas canções que julgaram mais representativas, explicando em breves comentários a importância e o alcance de cada uma. Além disso, uma lista de outros sucessos daquele ano, tanto nacionais, quanto internacionais, explicando um pouco sobre a história cultural do país que respira neste período a Bossa nova, a Jovem Guarda, a Tropicália, os Festivais, o Clube da esquina, o Rock nacional dos anos 80, Grandes sambistas, entre outros. É possível que alguém, assim como eu, sinta falta de tal canção ou citação de artista ou banda desta época, mas não é discutível dizer que estamos falando do período mais rico de nossa música nacional.

Depois de lido os dois volumes compreendo melhor a importância de ter visto logo o primeiro, para entender a sequência do segundo volume que aborda meus artistas favoritos: Tom, Vinícius, vários Joãos, Chico, Caetano, Gil, Ivan, Roberto, Erasmo, Paulinho, Gal, Bethânia, Rita, Simone, Elis, Milton, Tim, Fagner, Lulu, Fábio, Roupa nova, etc. A pesquisa para os dois livros começou em 1986 e se limitaram até o ano anterior, não considerando relevância no que aconteceu nos 12 anos seguintes, o que poderia proporcionar um terceiro volume. Fato lamentável, mas que não arranha a importância histórica destes valiosos trabalhos!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

♫Clube da esquina nº 2♫

Algumas canções por si já dizem tudo. Outras ainda alcançam a genialidade de, em uma frase dizer tudo. Há ainda outras que em várias frases dizem tudo. Essa canção foi feita pelo Milton lá em 1972 apenas com sua bela melodia. Anos mais tarde, a pedido de Nana Caymmi, Lô e Márcio Borges colocaram letra e, simplesmente, temos um clássico e um mantra! Conste que existe outra canção dos mesmos autores com o título Clube da esquina e, por isso, nesta temos o "nº 2".

De fato, a melodia é bela, triste, melancólica, sempre me remete a solidão de um fim de tarde numa praia calma. E a letra aborda uma época de repressão da ditadura militar, destacando a resistência e a força do ser, a necessidade de não desistir de seus sonhos, das lutas de tantos que habitam as cidades e que precisam apenas crer na força interior e seguir na batalha dessa estrada de incertezas que é a vida. Adoro a interpretação dada pelo Flávio Venturini e, claro, as de Milton, sobretudo pelos seus impecáveis vocais. Quando fiz essa postagem não imaginei que hoje nos despediríamos do Lô, a quem, modestamente, prestamos nossa homenagem e nosso agradecimento por tamanha obra!

Clube da esquina nº 2
Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges

Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço, aço, aço...

Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos, calmos, calmos...

E lá se vai mais um dia...

E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio...

E lá se vai mais um dia...

E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente, gente...

E lá se vai mais um dia...

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Os compositores do Brasil - 107

Ele é compositor de sucessos na voz de Anavitória, Ana Carolina, Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Chico Buarque, Chico César, Daniela Mercury, Dominguinhos, Elba Ramalho, Emílio Santiago, Erasmo Carlos, Frejat, Gal Costa, Gilberto Gil, João Bosco, Lenine, Leila Pinheiro, Maria Bethânia, Marina Lima, Milton Nascimento, Roberta Sá, Ney Matogrosso, Rita Lee, Sandra de Sá, Samuel Rosa, Tetê Espíndola, Zeca Baleiro, só pra citar alguns desse extenso currículo. 

Com alguns destes inclusive divide suas composições. Seu nome Carlos Rennó, natural de São José dos campos e autor de canções como Escrito nas estrelas, Todas elas juntas num só ser, Fogo e gasolina, Quede água?, Canção pra Amazônia, Envergo mas não quebro, Canção pra ti, Tenho um xodó por ti, Estava escrito nas estrelas, Verão, Quando eu fecho os olhos, entre tantas.

Dono de grandes sucessos e com um currículo valioso destes, Rennó tinha que aparecer nesta série onde homenageamos os grandes compositores da nossa música e que, vira e mexe, são apresentados por aqui neste modesto espaço virtual!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Temas inesquecíveis de novelas 6 - (Oceano)

A novela Top model foi exibida no período 1989 - 1990. Confesso que lembro pouco dela, principalmente do núcleo do Nuno Leal Maia e seus filhos. Lembro que cada mãe de um filho seu vinha visitar e uma delas foi Rita Lee. Também lembro do casal romântico, vivido por Tamauturgo Ferreira e Malu Mader. E o que não me esqueço mesmo é do tema entre os dois, Oceano, do Djavan. E, pensar que recentemente, o próprio autor revelou que fez essa canção uns 5 anos antes e que ficou esquecida, até ser resgatada por sua filha!

Se você fechar os olhos e ouvir essa canção, consegue visualizar o mar e essa sensação, os gênios que a compuseram (aí incluo, além do Djavan, músicos participantes) conseguiram. E como a novela se ambientava também em uma praia, houve um casamento perfeito entre tema e canção. Óbvio que a canção tornou-se um clássico do Djavan, mas podemos dizer que isso se potencializou um pouco mais por causa da novela e pelas cenas que, com ela, penetravam na casa de cada brasileiro, que parava pra ver aquela linda história de amor que a canção ditava!

Oceano
Djavan

Assim que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão
Esquecera de mim

Enfim, de tudo o que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai na sela dessas dores
Não sabe voltar, me dá teu calor

Vem me fazer feliz porque eu te amo
Você deságua em mim, e eu, oceano
E esqueço que amar é quase uma dor

Só sei viver se for por você

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Show de Roberto Carlos no Recife em 11/10/2025

Neste final de semana fui ver Roberto Carlos se apresentar mais uma vez no Geraldão. No dia 11, assisti da cadeira perto do palco e no dia 12, voltei à arquibancada, como na primeira vez, há exatos 31 anos. O show foi o mesmo, o artista impecável em sua voz que, já não tem àquela extensão, mas continua dourada e com um vigor que me leva a crer que ele pode cantar até os 200 anos, se desejar.

O repertório, considerado sempre engessado nos últimos anos, veio com sutis modificações desde que o vi aqui mesmo nesse espaço há 3 anos. Depois da abertura instrumental, temos as imutáveis Emoções, Além do horizonte, Detalhes, Outra vez, Nossa Senhora, O calhambeque, Lady Laura, Esse cara sou eu, Como é grande o meu amor por você e Jesus Cristo. Outras saem e voltam ao repertório dos últimos anos, como é o caso de Como vai você, Desabafo, Olha e Cavalgada (esta com o ápice na iluminação que, segue impecável, junto com a banda).

Então, de novidade mesmo podemos citar a inclusão de O cadillac, Mulher de 40, Amigo (em homenagem a Erasmo), o medley Seu corpo/Café da manhã/Os seus botões/Falando sério/O côncavo e o convexo (não teve Eu e ela) e a canção Eu ofereço flores (que dá nome ao show). Muito legal rever um show no Geraldão, com todo público cantando do começo ao fim (pena que alguns desafinaram na hora das rosas, que já virou guerra das rosas, indo lá pra frente na canção Amigo, pois ainda faltavam 4 canções para sua majestade entregar as flores a alguns). Minha sogra viu pela primeira vez e foi junto à minha esposa no primeiro dia; meu tio e eu revivemos minha primeira vez a um show do Roberto no segundo dia. E também muito legal reencontrar fãs famosos do Roberto, a exemplo de James e Adriano que estavam por lá, fato que comprova que além de seu som, sua voz, o rei também compartilha conosco seu "um milhão de amigos"!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

CD 30 anos da Jovem Guarda volume 4

O volume 4 da série de CD´s lançados em 1995 e que comemoram os 30 anos da Jovem guarda traz a ternurinha Wanderlea e a canção que faz jus a este apelido, como faixa de abertura: Ternura. Em seguida, Sérgio Reis, que ainda não reinava na música sertaneja nos anos 60, vem com seu conhecido Coração de papel. E Os Incríveis apresentam a clássica Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones.

No clima de versões, temos em seguida Renato e seus blue caps com Feche os olhos e, Leno, com Ritmo de chuva. Waldirene é a eterna Garota do Roberto e o tremendão Erasmo ataca com o clássico Gatinha manhosa. Os vips apresentam Parei na contramão e Martinha dá uma lindíssima versão à Nossa canção. Os Golden Boys vem com Ai de mim e Eduardo Araújo ataca de É papo firme.

Por fim, temos Jerry Adriani com Broto legal, Trio esperança com O passo do elefantinho e Wanderley Cardoso encerra o projeto com seu Doce de coco, deixando o CD longe de ser algo enjoado. Gravações inesquecíveis que não podem faltar na coleção de todo amante da música nacional e que deseja reviver ou conhecer as jovens tardes de domingo.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

♫Pega rapaz♫

Saudades na música brasileira tem sinônimo de grandes nomes que nos encantaram com suas obras. É o caso da eterna Rita Lee que sempre nos presenteou com algum grande hit. Como neste caso, a canção abordada hoje vem de 1987 e foi tema da novela Brega e Chique. Mas, não se tornou inesquecível por ser tema de novela, muito menos uma canção recorrente em seus shows (nem lembro de vê-la ao vivo nos shows que tenho em CD). Mesmo assim, considero uma das melhores de seu repertório.

Uma canção com a "marca" Rita Lee, arranjo, vocais e levada que já a lembram nas primeiras notas. A letra de Pega rapaz é um tanto sensual, coisa que Rita sempre soube fazer com a elegância que o tema sugere e isso sempre foi para poucos na música brasileira. E pensar que a expressão "pega rapaz" tem a ver com um modelo de penteado, algo curioso do título. Um ponto ainda talvez pouco comentado é que esta canção mexeu até com o público infantil, pois lembro de ver algumas crianças (na época eu também era criança) cantando e isso é meio inexplicável, talvez algo daquela geração anos 80.

Pega rapaz
Rita Lee e Roberto de Carvalho

Pega rapaz
Meu cabelo à la garçon
Prova o gosto desse tom, sur ton
Do meu batom na tua boca
Alô doçura
Me puxa pela cintura
Tem tudo a ver o meu pinguim
Com a tua geladeira

Nós dois a fim de cruzar a fronteira
Numa cama voadora, fazedora de amor

De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
De frente, de trás
Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás, cada vez mais!

Pega rapaz
Meu cabelo à la garçon
Prova o gosto desse tom sur ton
Do meu batom na tua boca
Alô doçura
Me puxa pela cintura
Tem tudo a ver o teu xaxim
Com a minha trepadeira

Nós dois pra lá, bem pra lá de Nirvana
Numa cama voadora, fazedora de amor

De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
De frente, de trás
Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás
Cada vez mais

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Livro A canção no tempo volume 1

Recentemente, terminei de ler este livro A canção no tempo volume 1 e já estou no volume 2, que comentarei mais adiante. De Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo, o texto é ideal para quem deseja voltar ao início do século passado, quando o assunto é música popular. Conhecemos direitinho, sob a ótica dos autores os primeiros sucessos da música brasileira. Lançado em 1997, esta série de 2 volumes busca explicar a evolução da música brasileira ocorrida em 85 anos.

E em cada capítulo que, começa englobando vários anos até uma produção mais consistente e significativa, de onde seguem-se os capítulos ano a ano, inclusive no volume 2, encontramos, além dos sucessos mais marcantes, também os lançamentos em Long play e os sucessos internacionais que aterrissavam em terras tupiniquins. 

Muito legal, neste primeiro capítulo conhecer os sucessos das obras de Noel Rosa, Luiz Gonzaga, Lamartine Babo, Dorival Caymmi, Ary Barroso, das vozes de Carmem Miranda, Dalva de Oliverira, Ângela Maria, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Tito Madi, Lupicínio Rodrigues, Pixinguinha, Silvio Caldas, Ataulfo Alves, Dolores Duran, Cauby Peixoto, Tom Jobim (no início) e compreender melhor toda a raiz da música brasileira que passeava por marchinhas carnavalescas, samba canção, xotes, baião, sambas, o início e o tempo áureo do rádio, gente tão importante que lutou para termos e fazermos a melhor música do mundo!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

♫Drão♫

Algumas coisas na música brasileira são bem específicas e precisamos saber de muitos mais detalhes da vida do compositor para enterdermos sua obra. É o caso desse clássico de Gilberto Gil que ouvi pela primeira vez com Caetano Veloso e que só entendi melhor quando me chegou a informação do que era "Drão", o apelido de Sandra, sua ex-esposa, a qual se referia essa canção.

Com uma introdução e um solinho que a acompanha nos três versos que a compõe, Gil tenta cantar o fim de um amor, buscando a culpa toda pra si, como algo irremediável. E tenta fazer isso também jogando holofotes nas sementes desse amor, os filhos e nos presenteando com belíssimas passagens sobre o que pensa do amor.

Drão
Gilberto Gil

Drão, o amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar n'algum lugar
Ressuscitar no chão, nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Nossa caminha dura
Dura caminhada pela estrada escura

Drão, não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão, estende-se infinito
Imenso monolito, nossa arquitetura
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Nossa caminha dura
Cama de tatame, pela vida afora

Drão, os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão, não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce, trigo
Vive, morre, pão
Drão...

Um forte abraço a todos!