segunda-feira, 20 de julho de 2026

♫Ruas de outono♫

Aqui no Brasil não sinto o clima da estação outono. Lembro de uma professora do primário que dizia que sentimos verão e inverno e muitas vezes, só verão! Mas, na nossa música sim, somos apresentados a esta estação com suas características e influências. É o caso desta canção da Ana Carolina, eternizada na voz de Gal Costa e também interpretada pela própria Ana e por Zizi Possi.

Tema da novela global Paraíso tropical, a letra dessa canção fala de um personagem que caminha por aí, tentando se recompor de um amor que não deu certo, mas que acredita neste novo amor como solução para um recomeço de sucesso, com pitadas daquele romantismo clássico da música brasileira!

Ruas de outono
Ana Carolina e Antônio Villeroy

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar

As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar

Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você
Quer me acompanhar

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Programa Viver sertanejo

Todo domingo pela manhã é apresentado este programa que tem como anfitrião o carismático Daniel. Não assisti a todas as edições desde sua estreia, mas aos que pude ver, gostei bastante. Mesmo tendo como base a música sertaneja deste país, o programa também oferece grandes surpresas, como no último domingo quando fez um especial dedicado à obra do Fagner.

Também vi outras edições com Paula Fernandes e Ana Castela juntas, além de outro programa onde Daniel cantava com sua filha. Além disso, temos a oportunidade de conhecermos um pouco mais a obra de artistas consagrados até os mais esquecidos do mundo sertanejo, pela mídia.

Sempre foi tradição na televisão brasileira programas assim, sobretudo nos domingos pela manhã, a exemplo do Som brasil apresentado por Lima Duarte, passando pelos programas de Inezita Barroso até os que foram apresentados por Rolando Boldrin, que espero comentar um pouco sobre cada um em breve. E aqui, Daniel segue com esse legado, emprestando seu carisma e respeito, proporcionando um programa à altura da família brasileira!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 6 de julho de 2026

CD Joanna 20 anos ao vivo

Em 1999 Joanna comemorou 20 anos de carreira com um projeto ao vivo, revivendo seus grandes sucessos até então e lançando outros que também se tornariam sucessos. Em álbum duplo encontramos Descaminhos, Vertigem, Espelho, Recado e uma regravação de Agora eu sei, canção esquecida do repertório de Roberto Carlos.

E ainda temos Pinta de bacana, Águas de Oxum, Momentos, Lua branca, Quarto de hotel, Outro amor não quero não e Amor bandido. No segundo CD, temos no início e no final o grande sucesso até então inédito neste trabalho, a canção Tô fazendo falta, que também se tornaria clássica em seus shows. Na sequência, Chama, Cicatrizes, Agora e Mal acostumada (Joanna também foi uma das tantas que regravou essa canção).

Por fim, temos Nos bailes da vida, Uma ficha no arquivo, Decisão, Olerê olará (com a participação de Zeca Pagodinho), Fonte de prazer e Amanhã talvez. Provavelmente faltou alguma ou muitas, pois Joanna sempre teve um repertório maravilhoso, uma coleção de sucessos. Mas, não podemos negar que estamos diante de um grande show que poderia ter sido lançado também em DVD.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

♫Tatuagem♫

Na década de 90 surgiram várias bandas de forró que viriam a ser chamadas de forró estilizado por incrementarem instrumentos eletrônicos e fazerem algo diferente do que se chama forró tradicional autêntico com zabumba, triângulo e sanfona. Confesso que, por ser tão amante desse forró pé-de-serra, não me senti seduzido, como a maioria dos jovens de minha época.

Mesmo com esse defeito, ainda simpatizei com alguns sucessos e hoje reconheço como essas bandas fizeram coisas interessantes. E uma delas é a banda Mastruz com leite e esse é um de seus maiores sucessos, que imagino tocar sempre em seus shows. Uma canção romântica que sempre escuto por aí nesta época e, por isso, a escolhi para este dia de São Pedro, o derradeiro santo junino! Uma letra apaixonada que dita o amor como uma tatuagem que cola e nunca mais conseguimos nos libertar!

Tatuagem
Rita de Cássia

Pode milhões e milhões de quilômetros nos separar
Sei que ele acaba voltando, vem logo me procurar
Mesmo que fique com outras tentando me esquecer
Sei que ele acaba voltando, ligando, querendo me ver

O nosso amor é como tatuagem
Está em nós grudado e colado
E bem mais forte está no coração

Não adianta tentar fugir melhor admitir
É a mim que você ama
Não adianta me esquecer, pois, eu nasci pra você
E é a mim que teu coração chama

O nosso amor é como tatuagem
Está em nós grudado e colado
E bem mais forte está no coração

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Polêmicas nas atrações das festas juninas

Esse ano vi colocarem gasolina na fogueira ao incluírem entre as atrações dos dois principais pólos de festas juninas do Nordeste, Caruaru e Campina grande, um show de Roberto Carlos que, a princípio, nada tem a ver com o forró tradicional de outro rei, o Luiz Gonzaga, de quem era inimigo só nas versões dos que buscam likes internet a fora.

Até defendo que festa junina é sob o som de Gonzaga e os seus e aí entram artistas como Flávio José (que teve shows cancelados na Bahia porque queriam economizar justamente em seu cachê), Santanna, Petrúcio Amorim, Alcymar Monteiro, Nando Cordel, ou ainda Elba, Fagner, Waldonys, ou bandas do forró eletrônico como Calcinha preta, Cavaleiros do forró, Magníficos, Mastruz com leite, etc. Mas, aí é coisa política de quem contrata e não do artista que é pago para fazer o que sabe. Lembro que uma vez assisti um show de Fábio Jr. em Limoeiro e, ao final, alguém lamentou que ele não tocou um forrozinho sequer! Nesse ponto, talvez falte um pouco mais de engajamento de quem é contratado. Roberto poderia ter, ao menos cantado seu Baile da fazenda, como Marisa Monte cantou e reverenciou Marinês. 

Mas, não acho ruim ter esses e outros astros fazendo parte da festa, afinal eles tem um grande público e festa vive de rendas. O que deixa a desejar é que outros artistas, como os citados acima, têm seus palcos e cachês reduzidos em virtudes de cachês pagos a artistas de renomes nacional e isso é muito desrespeitoso. Mas, nada que deva produzir uma enxurrada de desrespeito com quem vem abrilhantar ainda mais a festa, como foi o caso do Roberto (que muitos não podem pagar pelo ingresso caro e tiveram a chance única de vê-lo). Isso é assunto para muito mais que apenas uma postagem e fica em xeque não apenas a saúde cultural de nossas festas, mas também resolver estas e outras questões com o devido respeito aos artistas e ao público envolvido!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Maria Bethânia completa 80 anos!!!

No próximo dia 18/06 Maria Bethânia completa 80 anos e como faço com alguns gigantes de nossa música (e também quando me lembro), eis uma postagem celebrando, agradecendo, vibrando pela alegria de viver em uma época em que uma pessoa assim fez chegar a todos nós seu valioso trabalho.

Lembro que, depois de Roberto, a primeira artista de quem comprei disco foi ela. E passei a admirar sua voz, suas interpretações, sua maneira de cantar em shows que vi apenas em DVD (espero ainda vê-la ao vivo). E isso me fez sempre oscilar entre qual a maior cantora do país, ora respondendo Ângela Maria, ora Elis, ora Gal, ora Marisa Monte, ora Maria Bethânia.

Acho que até quem nem morre de amores por ela aprecia Tocando em frente, ou quando canta algo do Chico ou do mano Caetano ou todas as canções do disco em que interpreta Roberto ou quando canta Titãs ou até Iza, mais recentemente. Enredo da Mangueira recentemente, sua escola do coração, é digna de todas as homenagens à uma voz que se eterniza como uma das pedras preciosas de nossa canção!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 8 de junho de 2026

♫É de dar água na boca♫

Nando Cordel tem tantos clássicos que fica difícil escolher um entre todos que podemos executar nesta época. Um exemplo é essa lindíssima canção, gravada solo ou em dueto com Amelinha, ainda na década de 90. Uma letra simples, com vários versos repetidos e uma levada que nos remete aos melhores baiões de Gonzaga, garantem a festa.

A letra destaca aquela conquista marota, de um personagem simples, de repente até tímido, por uma pessoa que desperta seu coração de uma maneira extrema, a ponto de o deixar sempre acelerado, doido de prazer, chegando a implorar pela compaixão em ser correspondido a esse imenso sentimento, tudo regado à uma dança agarradinha sob o ritmo!

É de dar água na boca
Nando Cordel

É de dar água na boca
Quando eu olho pra você
O meu coração, coitado, 
fica logo acelerado
Fica doido de prazer

Tem dó de mim, não faz assim, que dói demais
Você comigo é muito bom
O teu amor é sempre mel
Sou uma estrela precisando do teu céu

Vem pros meus braços ser feliz
Vem pro meu colo chamegar
Me dá um beijo, meu desejo é te amar

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 1 de junho de 2026

CD Luiz Gonzaga Danado de bom

Em 1984 Luiz Gonzaga voltou com tudo às paradas de sucesso com o LP Danado de bom, depois lançado em CD. A canção Pagode russo, composta em 1947 ganha letra de João Silva e abre o álbum com um estrondoso sucesso. Do disco gravado com Fagner no mesmo ano, saiu o medley Respeita Januário/Riacho do navio/Forró no escuro. 

A faixa-título Danado de bom tem a um diálogo introdutório com Elba Ramalho, depois de um solo de sanfona. Mas, a mesma não canta nesta, só emprestando sua voz à Sanfoninha choradeira, também presente no disco. Gonzaguinha também participa em dueto nas faixas Pense n´eu e Adeus Iracema (esta também com a participação de Dominguinhos). Onildo Almeida, o mesmo da Feira de Caruaru, compôs outro grande sucesso deste álbum: Aproveita gente, com solos de sanfona maravilhosos. 

Completam o trabalho as canções Nessa estrada da vida, Regresso do rei (parceria de Gonzaga com Onildo), Casamento de Rosa, São João sem futrica, Terra vida e esperança, Lula meu filho. Um dos melhores trabalhos de Gonzaga. Junho começando e aquela velha trilha sonora que aquece nosso Nordeste!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

♫Tá escrito♫

Já falei em algumas oportunidades que antigamente domingo era sinônimo de samba, nas rádios principalmente, nos churrascos, nos encontros onde alguém resolvia soltar a voz, o pai da alegria estava lá. E alguns desses inúmeros sambas trazem não apenas a magia do ritmo contagiante da felicidade, mas também uma boa letra reflexiva.

É o caso de Tá escrito, do grupo Revelação, lançada em 2009, que traz uma letra muito positiva, motivacional e que levanta qualquer astral. Talvez o melhor samba lançado nos últimos 20 anos, é uma canção que alcançou muito sucesso e reconhecida e amada por todos que ouvem ou cantam seus valiosos versos, sobretudo pela fé em acreditar que cada um tem seu encontro marcado com o aguardado momento de felicidade.

Tá escrito
Carlinhos Madureira, Gilson Bernini e Xande de Pilares

Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar a sua hora

Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar a sua hora

Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer

É dia de Sol, mas o tempo pode fechar
A chuva só vem quando tem que molhar
Na vida é preciso aprender, se colhe o bem que plantar
É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar

Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 18 de maio de 2026

CD Julio Iglesias De niña a mujer

Considero este o primeiro grande CD do Julio que expandiu ainda mais seu mercado. E, penso que aqui no Brasil isso também aconteceu. Em homenagem à sua filha, estampou a capa junto a ela, inclusive com o mesmo figurino. Trabalho lançado em 1981, a faixa de abertura é Devaneios, que tornou-se clássico de seu repertório e que foi versionada para o português pelo tremendão Erasmo Carlos.

Volver a empezar é a versão do clássico de Cole Porter, Begin the beguine, também tornando-se um grande sucesso na voz de Julio. Segue-se, todas em espanhol, Despues de ti, Que nadie sepa mi sufrir, De niña a mujer, Y pensar, Grande grande grande, Isla en el sol. Em português também temos Manuela e Um dia ri o outro chora, esta última em versão de Carlos Lyra.

Foi um trabalho que solidificou ainda mais a carreira de Julio no mundo todo e, claro, também aqui no Brasil. Devaneios é lembrada bastante por cantores da noite. Meu pai adorava Um dia ri o outro chora. A faixa Grande grande grande ganhou uma versão em português, assinada por Gonzaguinha, mas só lançada no álbum do ano seguinte.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Olhando as estrelas - 75

A série que celebra encontros memoráveis de nossa música volta no tempo para explorar um pouco a relação da intérprete e um dos enormes compositores que revelou! Elis só foi pequena em estatura porque como artista foi imensa, revelando grandes nomes e um deles é nada mais, nada menos que Ivan Lins que, em todas as entrevistas que dá, menciona como conheceu e a importância que a "pimentinha" teve em seu início e toda carreira.

Só pra citar, ela imortalizou um de seus primeiros clássicos, até hoje presente em seus shows: a famosa Madalena. Além dela, gravou, posteriormente Cartomante, Qualquer dia, Aos nossos filhos, Me deixa em paz, Começar de novo. E fico pensando em quais outras poderia ter cantado dele. Imagino Vitoriosa e Lembra de mim, por exemplo, em sua interpretação. 

Na década de 70, os dois apresentaram o programa Som livre exportação, já comentado anteriormente. Como perdemos com sua partida, mas como somos felizes com sua herança! E que encontro esse de bilhões de estrelas, essa enorme artista que acendeu a luz desse também nome essencial à nossa música! Ave Elis! Ave Ivan!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Temas inesquecíveis de novelas 7 - (Coração sertanejo)

A novela O rei do gado exibida em 1996 trouxe a trilha sonora mais vendida entre os CD´s com este tema, assunto já comentado há alguns anos quando comentamos sobre a mídia. E uma das canções inesquecíveis dessa trilha é Coração sertanejo, gravada pela dupla Chitãozinho e Xororó. Clássico do repertório deles, não tem como não ouvir a canção e, automaticamente, lembrar daquela imensidão de gados que as cenas exibiam.

Antônio Fagundes, como o inesquecível Bruno Mezenga, soube ser um vencedor e, por isso, um merecedor deste tema que aborda o Brasil rural, com toques bucólicos e românticos, com direito ao violeiro, fogo, natureza e muito amor à terra e ao ofício de boiadeiro. Essa novela trouxe outros grandes sucessos que abordaremos em breve nesta série.

Coração sertanejo
Neuma Morais e Neon Morais

Andei, andei, andei
Até encontrar
Este amor tão bonito
Que me fez parar
Nesse pedaço de chão
No coração do sertão
Encontrei meu lugar

Tem peão de boiadeiro
Que vive a laçar
Tem tanto amor verdadeiro
Que nunca vai faltar
Lendas de animais e rios
Aves, flores, desafios
Este é o meu lugar

E no final do dia
O fogo faz companhia
E um violeiro toca
Pra gente sonhar
Aqui não se vê tristeza
Em meio a natureza
No coração sertanejo
É que é o meu lugar

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 27 de abril de 2026

♫Debaixo dos caracóis dos seus cabelos♫

Lançada em 1971 e regravada ao vivo em 1998, Debaixo dos caracóis dos seus cabelos tem uma história interessante, pois, depois da visita que Roberto fez ao então exilado Caetano Veloso em 1969, em Londres, ficou com essa ideia na mente (a de homenagear o baiano, por sua ausência em sua terra e saudando uma possível volta), até que 71 foi lançada esta canção que na época e, durante muito tempo, teve sua inspiração ofuscada, parecendo apenas uma canção romântica, em que se saudava a volta de alguém que tinha caracóis em seu penteado.

Só na década de 90, quandoa  regrava em sua turnê, Caetano revela a homenagem que recebeu, enfatizando sua gratidão e sua compreensão ainda maior àquele a quem chamam de rei! No especial de 1992 cantou a canção e em 2008 foi chamado ao palco após Roberto entoar esta canção. Ferndanda Takai regravou esta canção no disco em que homenageia Nara que também a regravou no final dos anos 70. Quem aprende violão adora os solinhos dela. E pela importância de juntar tanta gente boa da nossa música, eis a letra de mais um clássico:

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora
Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho
Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 20 de abril de 2026

♫Meu pequeno Cachoeiro♫

Roberto Carlos fez aniversário ontem e escolheu mais uma vez sua terra natal, Cachoeiro do Itapemirim, para comemorar com um grandioso show. Isso já aconteceu algumas vezes em sua carreira e lembro de dois momentos: em 1995 (que o Fantástico e o Vídeo show fizeram uma cobertura bem legal) e em 2009 (quando iniciou as comemorações pelos seus 50 anos de carreira). E aqui temos uma canção que canta todo esse amor que ele tem por Cachoeiro.

Composta por seu conterrâneo Raul Sampaio (muitos pensam ser composição do Roberto), tem uma tocante letra que fala da geografia da cidade, da vontade de voltar ao berço, citando a casa, a rua, o pé de flamboyant (que a pedido do cantor foi incluída), a escola, tudo com muita saudade. Um ponto muito interessante é que, além de ser gravada por ele em 1970 e em 2005, foi regravada apenas em instrumental por Luiz Gonzaga em 1972, o que me faz reafirmar que as diferenças entre os dois "reis" só existiram entre as más línguas e os mal informados!

Meu pequeno Cachoeiro
Raul Sampaio

Eu passo a vida recordando
De tudo quanto aí deixei
Cachoeiro, cachoeiro
Vim pro rio de janeiro
Pra voltar e não voltei

Mas te confesso na saudade
As dores que arranjei pra mim
Pois todo o pranto destas mágoas
Ainda irei juntar nas águas
Do teu Itapemirim

Meu pequeno Cachoeiro
Vivo só pensando em ti
Ai que saudade dessas terras
Entre as serras
Doce terra onde eu nasci

Recordo a casa onde eu morava
O muro alto, o laranjal
Meu flamboyant na primavera
Que bonito que ele era
Dando sombra no quintal

A minha escola, a minha rua
Os meus primeiros madrigais
Ai como o pensamento voa
Ao lembrar a terra boa
Coisas que não voltam mais

Meu pequeno Cachoeiro
Vivo só pensando em ti
Ai que saudade dessas terras
Entre as serras
Doce terra onde eu nasci

segunda-feira, 13 de abril de 2026

CD Agnaldo Timóteo canta Roberto Carlos

Agnaldo Timóteo, que teve no início de sua carreira dois de seus maiores sucessos presenteados por Roberto Carlos (Meu grito e Os brutos também amam), fez em 1998 um CD todo dedicado à obra do rei da música brasileira: Em nome do amor, Agnaldo Timóteo canta Roberto Carlos, que trouxe grandes canções do repertório do Roberto, sobretudo dos anos 70 e início dos anos 80, sob a leitura e o vozeirão do Agnaldo.

Clássicos como Emoções, À distância, Seu corpo, Fera ferida, Outra vez, Como vai você, Falando sério e Amante à moda antiga se unem a outras meio esquecidas da coroa real: Não se esqueça de mim, As flores do jardim da nossa casa, Um jeito estúpido de te amar, Custe o que custar e Sonho lindo. Até A palavra adeus que não consta na discografia oficial de Roberto (saiu apenas na coletânea As 14 mais) foi resgatada brilhantemente por Agnaldo.

Pensei que este trabalho o levaria como convidado ao especial daquele ano ou de anos posteriores, o que nunca aconteceu, fato que deixou Agnaldo sempre magoado por fazer parte do "clube dos esquecidos". Ele sempre regravou outras canções do repertório do Roberto, o definindo como o melhor do país. E este é mais um daqueles grandes álbuns dedicados à obra do rei, que não liberava este tipo de projeto para todo mundo e, por isso, podemos dizer que aqui está um privilégio para o Agnaldo e para nós, os fãs da música nacional!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

♫O calhambeque♫

Abril e aqui no Blog Música do Brasil celebramos a obra de Roberto Carlos, em virtude de seu aniversário no próximo dia 19. E hoje temos um clássico da década de 60, sempre presente em seus shows (já teve até um inflável no palco), em seu acústico, em alguns dvds nacionais e importados (a canção foi um dos primeiros sucessos em espanhol, como Mi cacharrito). Já foi interpretada por outros nomes como o próprio Erasmo Carlos, além de Leonardo, Lulu Santos, Eduardo Lages e Caetano Veloso.

A letra de O calhambeque é uma adaptação feita pelo tremendão à versão original, que fala de uma aventura na estrada entre um motorista, a polícia e um afoito caminhoneiro. Já a versão brasileira conta as aventuras de um playboy que realiza a troca temporária de seu Cadillac, que foi para a oficina, por um Calhambeque (carro mais antigo) que, inicialmente o causa vergonha, mas depois o garante na conquista de todas as garotas. A parte inicial declamada não foi mais apresentada por Roberto em suas apresentações ao vivo, mas nas regravações de outros intérpretes sempre esteve presente. A levada, a buzina, as paradas sempre presentes tornaram esta uma das inesquecíveis de seu repertório!

O calhambeque (Road hog)
John Loudermilk e Erasmo Carlos

Essa é umas das muitas histórias que acontecem comigo
Primeiro foi Suzy, quando eu tinha lambreta
Depois comprei um carro, parei na contra-mão
Tudo isso sem contar o tremendo tapa que eu levei
Com a história do Splish Splash
Mas essa história também é interessante


Mandei meu Cadillac pro mecânico outro dia
Pois há muito tempo um conserto ele pedia
E como vou viver sem um carango pra correr?
Meu Cadillac, bi-bi
Quero consertar meu Cadillac

Com muita paciência o rapaz me ofereceu
Um carro todo velho que por lá apareceu
Enquanto o Cadillac consertava, eu usava
O Calhambeque, bi-bi
Quero buzinar o Calhambeque

Saí da oficina um pouquinho desolado
Confesso que estava até um pouco envergonhado
Olhando para o lado com cara de malvado
O Calhambeque, bi-bi
Buzinei assim o Calhambeque

E logo uma garota fez sinal para eu parar
E no meu Calhambeque fez questão de passear
Não sei o que pensei, mas eu não acreditei
Que o Calhambeque, bi-bi
O broto quis andar no Calhambeque

E muitos outros brotos que encontrei pelo caminho
Falavam: Que estouro, que beleza de carrinho
E fui me acostumando e do carango fui gostando
E o Calhambeque, bi-bi
Quero conservar o Calhambeque

Mas o Cadillac finalmente ficou pronto
Lavado, consertado, bem pintado, um encanto
Mas o meu coração, na hora exata de trocar
Aha ha!
O Calhambeque, bi-bi
Meu coração ficou com o Calhambeque

Bem! Vocês me desculpem, mas agora eu vou-me embora
Existem mil garotas querendo passear comigo
É, mas é por causa desse Calhambeque, mora?
Bye! Bye! Bye!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 30 de março de 2026

Livro Rita Lee uma autobiografia

Este é o primeiro livro de memórias de Rita Lee e podemos chamar de sua biografia oficial. Nele, Rita nos contou tudo que julgou de importante para seus fãs guardarem como informação da artista número um do rock nacional e uma das mais importantes do país. Desde sua infância, relacionamento com pais e irmãs, as tragédias, dramas, os primeiros passos na música, amores, filhos, o amor pelos animais, uma carreira de sucessos dessa figura fundamental da música tupiniquin.

Algumas fotos de diversas épocas e o relato leve das memórias da época em que passou pelos Mutantes, os Festivais, a carreira solo, as primeiras composições, o êxito da parceria mais que bem sucedida com o companheiro de uma vida, Roberto de Carvalho, os discos mais prazerosos de se lapidar, os programas e shows, o entrosamento e a parceria com alguns colegas como Elis Regina e João Gilberto, até os últimos passos, últimas gravações e últimos shows.

O sucesso desta biografia foi tão interessante que Rita lançou o que podemos chamar de volume 2, uma continuação que comentaremos em breve, pois tá aqui uma artista inesquecível e isso se comprova não apenas por sua fantástica obra, mas também pela atividade intensa que ela teve pós aposentadoria, com algumas canções, raras aparições e estes livros que, como diz um de seus clássicos, fez muita gente feliz!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 23 de março de 2026

♫Divina comédia humana♫

Belchior é daqueles nomes que você reconhece por ter uma marca própria, uma espécie de carimbo singular. Suas letras longas são uma de suas principais características. Não temos outro parecido ou, de repente um seguidor, um discípulo, ao menos que eu conheça. O cara é único mesmo. Essa canção teve uma bela releitura de Simone, recentemente para seu projeto ao vivo em que comemora seus 50 anos de carreira.

Temos aqui um belo exemplo do que estou tentando falar, pois tudo se torna pouco para definir, descrever uma figura assim de tantas obras interessantes. Não vou dizer que consigo de forma plena decifrar o que ele quis dizer nessa canção que, para mim, é uma declaração de amor das mais profundas da música nacional. O que chega em mim é que ele tenta descrever o que sente perante este sentimento, sem mergulhar no famoso água com açúcar, fazendo analogias e, quando tenta deixar de ser profundo, alcança ainda mais uma profundidade típica de poetas como o próprio, aceitando todas as nuances do amor, com a felicidade, a dor, o sofrimento, o gozo, a liberdade, o delírio, a paixão, a poesia, a música!

Divina comédia humana
Antônio Carlos Belchior

Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito

Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual

Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão, morando na filosofia

Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno

Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo, tempo
E algum modo de dizer não, eu canto...

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 16 de março de 2026

CD Daniela Mercury O canto da cidade

Este foi o álbum que projetou Daniela Mercury ao sucesso nacional, sendo o segundo disco de estúdio de sua carreira. Lançado em 1992 e com produção de Liminha, o disco trouxe ao menos seis canções com forte execução nas rádios. É considerado um dos melhores de sua carreira e um dos mais importantes dos anos 90.

Além da faixa homônima, tivemos neste CD os sucessos Batuque, O mais belo dos belos, Você não entende nada, Só pra te mostrar (com Herbert Vianna), Bandidos da América, além das canções Geração perdida, Rosa negra, Vem morar comigo, Exótica das artes, Rimas irmãs, Monumento vivo.

É um trabalho que firma Daniela entre os grandes nomes do Axé. Aprecio outros momentos dela, quando foi além desse ritmo e mostrou a grande intérprete que é, gravando também músicas românticas, como no álbum Feijão com arroz, o meu preferido! Mas, não posso deixar de reconhecer a importância desse álbum, sobretudo no início de sua carreira.

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 9 de março de 2026

♫A mulher em mim (The woman in me)♫

Ontem foi dia internacional da mulher e resgatamos essa canção composta por uma mulher e cantada por outra. Uma internacional e outra brasileira. Shania Twain fez essa canção na década de 90 e Roberta Miranda a cantou em 1997, sendo tema da novela global O amor está no ar.

Inclusive, houve uma curiosidade em 2023, quando Britney Spears lançou sua biografia com o mesmo nome e isso alavancou a canção de Roberta novamente em plataformas nacionais. A letra em português foi feita pelo campeão de hits Cláudio Rabello e descreve como se sente uma mulher depois de tantas lutas em busca de um verdadeiro e almejado amor. Não é uma letra que celebra esta data, mas é algo que descreve a sensibilidade de algumas mulheres que sonham em ser felizes no amor bem sucedido.

A mulher em mim (The woman in me)
Shania Twain, Mutt Lange e Cláudio Rabello)

Em meu coração
Os amores vem e vão
Quando pude escolher
Me cansei de perder

Não vai ser sempre assim
Não sou tão forte assim
Alguém vou encontrar
E assim sem esperar

A mulher em mim
Vai então pedir
Me fala de amor
Me faz ser feliz

Porque é assim que eu sou
Ah, eu preciso dizer
Que a mulher em mim
Precisa de um homem que é você

Quando o mundo for demais
A lua fria e o sol fulgás
Se quiser se esconder
Eu escondo você

Um forte abraço a todos!