domingo, 15 de junho de 2008

Diz que fui por aí...

No ano em que a Bossa Nova completa 50 anos, nada mais legal e justo lembrarmos da grande intérprete e responsável pelo movimento: Nara Lofego Leão. Uma corrente de pesquisadores defende que a Bossa Nova começou mesmo no apartamento da Nara, em Copacabana, onde se reuniam grandes nomes da música brasileira para tocar o som do momento. Mas, essa não é a única contribuição de Nara à música brasileira. É creditada a ela o descobrimento de Chico Buarque.

Sua estréia se deu em 1963 ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra na comédia Pobre Menina Rica. Mas, sua consagração se deu após o golpe militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Valle e Zé Kéti, show que representava uma resposta à dura repressão imposta pelo regime. Ao se afastar do show no ano seguinte, por problemas de saúde, Nara foi substituída pela então estreante Maria Bethânia. A partir daí percebemos um certo eclétismo na carreira da Nara que sempre foi elegante ao interpretar Bossa Nova, músicas de protesto, Tropicalismo, Jovem Guarda e ao atuar com enfâse nos Festivais, vencendo com a interpretação de A banda de Chico Buarque em 1966.

Interpretações inesquecíveis da Nara ficaram marcadas na música brasileira. O que falar de A banda, A felicidade, A Rita, Além do horizonte, Canta Maria, Carcará, Carolina, Chega de saudade, Com açúcar com afeto, Da cor do pecado, Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, Diz que fui por aí, Dueto, Estrada do sol, Esse seu olhar, Fotografia, Insensatez, João e Maria, Meditação, Noite dos mascarados, O amor em paz, O barquinho, Olê olá, Opinião, Sabiá, Wave e tantas outras inesquecíveis em sua doce voz?

Nara já não está entre nós, mas ela não foi embora em definitivo. Recentemente teve sua discografia reeditada. Ano passado mereceu uma homenagem de Fernanda Takai do grupo Pato Fu, com um disco todo dedicado ao seu repertório. E, esse ano, com o aniversário da Bossa Nova, ela está simplesmente por aí, como interpretou anos atrás na canção do Zé Kéti:

Diz que fui por aí
(Zé Kéti e Hortêncio Rocha)

Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando o violão embaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
Se houver motivo
É mais um samba que eu faço
Se quiserem saber se volto
Diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói, o meu peito me rói
Eu estou na cidade, eu estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela

Um forte abraço a todos!

Um comentário:

Vinícius Faustini disse...

Nara, essa doçura de voz e de presença nos palcos brasileiros. Pra mim, uma das cantoras que eu gostaria de ter visto se apresentar ao vivo.

Ela soube como muitos transitar pelos vários salões de festa da Música Popular Brasileiro, da Bossa Nova até as canções de morro, de Roberto e Erasmo até as versões de canções americanas. Uma voz belíssima da nossa música, que me orgulho de ser conterrâneo dela.

Abraços, homem!

Vinícius Faustini

www.emocoesrc.blogspot.com