domingo, 31 de agosto de 2014

♫Vai♫

Fui um dos fãs que gostou bastante quando Paulo Ricardo aflorou sua fase romântica gravando canções desse gênero em alguns de seus lançamentos em carreira solo. Não sei se todo roqueiro é no fundo um romântico, mas no caso do Paulo e do Roberto, seu ídolo, essa afirmativa se verifica perfeitamente. E creio que Paulo poderia lançar, vez por outra, algum projeto com canções desse gênero sem nenhum risco de passar desapercebido.

É o caso da interpretação dada a esta canção que, apesar de ter tocado bastante nas rádios e ter um arranjo belíssimo, hoje anda um pouco esquecida. Mais uma de Michael Sullivan, a letra de Vai apresenta um amor partido, representa um grito desesperado de despedida mais que necessária, mas que não é definitiva, pois mesmo distantes, estarão um presente no outro.

Vai
(Michael Sullivan)

Vai
já não há motivos pra ficar agora
Pegue tudo que é seu e vá embora
Alguma coisa aconteceu, algo que havia se perdeu
Ou que um dia foi um grande amor

Me abrace, mas não chore por favor
Melhor dizer adeus e não guardar rancor
Não vamos trocar ressentimentos, melhor a gente dar um tempo
Tentar deixar pra trás o que passou

Vai
e leve com você meu coração
Porque eu já não preciso dele não
Pois tudo que ele trouxe foi desilusão

Vai
mas saiba que você não foi capaz
De amar a quem sempre te amou demais
E que jamais poderá te esquecer

Agora vai e vê se não olha pra trás
A vida é o que você faz
Que é melhor apenas que você
Vire suas costas, bata a porta e se vá

Agora vai e vê se não olha pra trás
A vida é o que você faz
E apesar de tudo terminar
Eu te amo ainda e acho que sempre vou te amar
Mesmo sem você eu vou tentar, recomeçar

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Olhando as estrelas - 47

Chico César e Daniela Mercury tem uma história musical belíssima que se cruzam em determinados momentos. Um CD campeão de hits e vendagens da baiana veio com um sucesso composto pelo paraibano, que também foi tema da novela O rei do gado, a canção À primeira vista, que mesmo sendo gravado pelo compositor, tornou-se imortal mesmo na voz de Daniela.

Além desta, Daniela também imortalizou outra belíssima canção do repertório do Chico, a canção Pensar em você, que dizem ter sido feito por encomenda para Roberto Carlos, mas que este deixou passar essa pérola para a voz da Daniela e ganhar o sucesso de mais um clássico no repertório dela.

Só com estas, Chico e Daniela mostram que formam uma dupla bastante afinada, onde intérprete e compositor dão vida ao sucesso. E torcemos que mais figuras sejam trocadas entre eles, pois a nossa música só tem a ganhar com o brilho de suas estrelas!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os Músicos do Brasil - 53

Eduardo Souto Neto é mais um excelente nome que consta no grupo de grandes músicos que este país possui. Natural do Rio de Janeiro, Eduardo é maestro, pianista e produtor musical. Filho e neto de pianistas, começou seu interesse pelo instrumento aos nove anos de idade, sendo premiado com seus arranjos e composições desde as décadas de 60 e 70.

Mais tarde, como contratado da Rede Globo, trabalhou em vinhetas de programas como os de Jô Soares e também foi responsável pelo Tema da vitória, entoado a cada vitória brasileira nas pistas e popularizado pelas vitórias de Ayrton Senna. Também atuou em vários comerciais históricos como os de João Gilberto na Brahma, Tom Jobim na Coca-cola ou mais recentemente, o do Bradesco com o tema da Árvore de Natal.

Em sua lista de artistas com os quais trabalhou estão Djavan, Ivan Lins, Gonzaguinha, Gilberto Gil, Marisa Monte, Elba Ramalho, Guilherme Arantes, Renato Russo, Paulo Ricardo, Gal Costa, Rita Lee, Fagner, Simone, Zizi Possi, João Bosco, Titãs, Paulinho da Viola, Daniela Mercury, Ana Carolina, Roupa Nova, Leila Pinheiro, Luiz Melodia, entre tantos que atestam seu trabalho como um dos melhores deste país.

Um forte abraço a todos!

domingo, 24 de agosto de 2014

♫Deslizes♫

Essa canção é um clássico da música romântica nacional. Imortalizada pelo Fagner em 1987, é uma das preferidas dos cantores da noite e também permanece em quase todas as listas onde se citam as cinco melhores da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas. Também foi gravada por outros nomes como Chitãozinho e Xororó e Emílio Santiago.

Deslizes é daquelas canções que apresentam uma letra extensa, que narra aquele amor arrebatador. Um amor insistente que, mesmo com tantas dificuldades, permanece firme na vontade de que o tempo seja apenas um detalhe em sua explicação, pois mesmo com tantas adversidades e até de forma inexplicável ainda permanece na mente e no sentimento do protagonista da canção.

Deslizes
(Michael Sullivan e Paulo Massadas)

Não sei porque insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim o que bem quer
Se ao teu lado, sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei quem você é

Eu sei de tudo com quem andas, aonde vais
Mas eu disfarço o meu ciúme mesmo assim
Pois aprendi que o meu silêncio vale mais
E desse jeito eu vou trazer você pra mim

E como prêmio eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo tão antigo
E fecho os olhos para todos os teus passos
Me enganando só assim somos amigos

Por quantas vezes me dá raiva de querer
Em concordar com tudo que você me faz
Já fiz de tudo pra tentar te esquecer
Falta coragem pra dizer que nunca mais

Nós somos cúmplices, nós dois somos culpados
No mesmo instante em que teu corpo toca o meu
Já não existe nem o certo, nem errado
Só o amor que por encanto aconteceu

E é só assim que eu perdoo os teus deslizes
E é assim o nosso jeito de viver
E em outros braços tu resolves tuas crises
Em outras bocas não consigo te esquecer

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

♪Partituras musicais 9 - Vinícius Faustini♪

E aqui tenho outro amigo, outra pessoa que tanto admiro e com a qual tanto já aprendi: Vinícius Faustini. Natural de Vitória/ES e residindo atualmente no Rio de Janeiro, Vinícius é jornalista, radialista esportivo e escritor, autor do livro Diário de um salafrário, sendo referência entre seus amigos como um Nelson Rodrigues atual, de quem é fã assumido.

Mas, a grande paixão que Vinícius tem e que nos une é a música e em especial, a de Roberto Carlos, de quem se define como súdito, desde a época do Portal Clube do rei, onde o conheci. Vinícius é daquele fã que não perde tempo com críticas e dedica sua atenção ao que de bom a música do rei nos proporciona. Já fui entrevistado por esse grande cara e agora, inverti, de forma audaciosa, os papeis e conversei com ele sobre música, assunto que vocês verão agora:

1 - Uma música?

♪Só uma? Vou tentar ficar restrito a Panorama ecológico, de Roberto e Erasmo, 1978

2 - Um momento musical inesquecível?

♪Roberto Carlos e Caetano Veloso interpretando músicas de Tom Jobim, em show no Municipal do Rio de Janeiro, em 2008.

3 - Qual show do Roberto gostaria de ter visto e não pode ver?

♪"Palhaço", de 1978, em especial pelos textos que entremeavam as canções e pelo figurino ousado com o qual RC se apresentou

4 - E qual foi o show inesquecível dele?

♪Vou citar dois: "Coração", de 1991, por ser o primeiro no qual fui e vi o encontro entre Roberto Carlos e Robertinho Carlos. E "Luz", de 1993. Na dúvida, é melhor dizer "o próximo".

5 – Você também é fã de Eduardo Lages. Qual canção gravada por ele que você mais aprecia?

♪"Mac’Arthur's Park". Embora as demais sejam sensacionais

6 - E o que você indicaria para Eduardo gravar em futuros trabalhos?

♪Valsinha, de Chico Buarque e Vinícius de Moraes; Zum e Adiós, nonino, de Astor Piazzolla.

7 – E com Roberto, o que gostaria de ouvir?

♪Bom, tem o disco em homenagem a Tito Madi, que há alguns anos ele falou que iria lançar. Mas também gostaria que ele fizesse suas leituras pra músicas de Chico Buarque, como O que será (À flor da pele), Carolina, Valsinha, Gente humilde, Amor barato. Também queria ouvir Você é linda, Andar com fé, Lembra de mim, Meu violão, Se eu não te amasse tanto assim, Embarcação, Minha e Amor, I love you, que certamente ficariam ótimas. E também alguma do Sérgio Sampaio, pra concretizar o sonho que o conterrâneo dele citou em Meu pobre blues.

8 - Um compositor brasileiro?

♪Não vou citar só um não, pois nunca tive preferência exclusiva. Vamos à lista (que sequer está em ordem): Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Sidney Miller, Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant, Caetano Veloso, Aldir Blanc, João Bosco, Paulo Sérgio Valle, Eduardo Lages, Ary Barroso, Noel Rosa, Luiz Gonzaga, Nando Cordel, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo, Dominguinhos, Carlos Colla, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Kleiton, Kledir, Sérgio Sá, Isolda, Moraes Moreira, Lamartine Babo, Sérgio Sampaio, Raul Sampaio, Edu Lobo, Fagner, Belchior, Dolores Duran, Francis Hime... E ainda sobrou gente.

9 - Um músico brasileiro?

♪Mesmo pessoas achando que sou suspeito ao falar do Eduardo Lages, vou ratificar que gosto muito de seus trabalhos. Também admiro muito o Márcio Montarroyos, Gilson Peranzzetta, Cristóvão Bastos, Roberto Menescal, Lincoln Olivetti e José Lourenço.

10 - O arranjo que mais aprecia em alguma canção nacional?

♪De Eduardo Lages para a versão ao vivo de Roberto Carlos para Cavalgada, Eu sei que vou te amar e Por causa de você, a versão em disco de Cenário, além das interpretações solo do maestro pra E por isso estou aqui, Perdoa e Carinhoso. Os arranjos de Luiz Cláudio Ramos para Geni e o zepelim e Ana de Amsterdam no disco ao vivo mais recente de Chico Buarque. A versão de Márcio Montarroyos para Carinhoso. O arranjo impactante que José Lourenço fez para Panorama ecológico. A belíssima interpretação de Francis Hime ao piano pra Embarcação, e os de Cristóvão Bastos.

11 - Cite três discos que escuta sem pular nenhuma faixa. (pode ser do rei ou de outros artistas também)

♪Três é crueldade. Mas vamos tentar. Roberto Carlos - 1977; Carlos, Erasmo e Meus caros amigos, de Chico Buarque.
Peraí que já vi mais três: MPB-4 - Melhores momentos (com a formação inicial do grupo), Chico em Cy e Do guarani ao guaraná, de Sidney Miller.
Peraí que vi mais três: Cruel, de Sérgio Sampaio; Álbum musical, de Francis Hime e Malabaristas do sinal vermelho, de João Bosco.
Peraí que vi mais três: Kleiton e Kledir ao vivo, Elis - 1972 e A peleja do diabo com o dono do céu, de Zé Ramalho.
Peraí que tem O inimitável, de Roberto Carlos; Erasmo Carlos - 50 anos na estrada e Tim Maia - 1971.
Peraí que tem Troplicália, Gal & Caetano e Doces bárbaros.
Peraí que tem Construção, de Chico Buarque; Chico & Bethânia e Muito, de Caetano.
Peraí que tem Roberto Carlos - 1981, Erasmo Carlos convida e Inesquecível, de Eduardo Lages.
Peraí que tem E que tudo mais vá pro inferno, de Nara Leão, Na carreira, de Chico Buarque e o álbum branco de Caetano Veloso.
Peraí que tem Roberto Carlos – 1971; As canções que você fez pra mim, de Maria Bethânia e A banda dos contentes, de Erasmo Carlos.
Peraí que tem Cicatrizes, de MPB4; Solto na buraqueira, de Sá & Guarabyra e Tim Maia - 1973.
Peraí que tem Milton Nascimento - 1969, Roberto Carlos - 1980 e 1990 - Projeto SalvaTerra, de Erasmo Carlos.
Peraí que tem Cenário, de Eduardo Lages, Bate-boca, de Quarteto em Cy & MPB4 e Um senhor talento, de Sérgio Ricardo.
Peraí, que tem Eu não peço desculpa, de Caetano Veloso e Jorge Mautner; Simone - ao vivo no Canecão e Roberto Carlos em ritmo de aventura. Opa, peraí, é melhor parar que acho que a gente vai ficar um bom tempo nesta resposta.

12 - O que gostaria de ouvir Roberto cantar em seus shows?

♪Bom, canções de seu repertório que podem ser resgatadas, como Tolo e Coração (que merece uma interpretação da letra inteira), Se você pensa (nos moldes do arranjo que o Eduardo fazia nos anos 90), As curvas da Estrada de Santos, Amante à moda antiga, Sua estupidez, Seres Humanos e Ele está pra chegar. E, em tempos de surgimento de tantos donos da verdade, seria bom não excluir Ilegal, imoral ou engorda. Agora, seria legal voltar a incluir uma ou outra música de outros artistas, como era feito nos shows dos anos 70, 80 e no início dos anos 90. Ou, talvez, de acordo com o show, incluir uma "tirada da cartola". Por exemplo, no Rio, cantar "Samba do avião e "Princesinha do mar". Em São Paulo, cantar "Sampa". No Recife, cantar "Asa Branca". Em Minas, cantar "Travessia".

13 - Seu especial favorito?

♪O especial de 1984 foi o primeiro que vi, e me fez gostar de Roberto Carlos - com um ano e meio. Porém, com o passar dos anos vi outros programas que mostraram a verdadeira face da obra dele. Além de mostrar suas músicas anualmente, ele abre espaço pra todos os estilos de música. Através do RC, conheci a safra de Milton Nascimento a Anitta, de Chico Buarque a Michel Teló, de Tim Maia a José Augusto. E a variedade me chamou muita atenção. Por isto, escolho o programa intitulado "Um circo chamado Brasil", de 1986, no qual Roberto visita o repertório de Tom Jobim, o samba de Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Sombrinha e Fundo de Quintal e duas gerações da música sertaneja, ao levar Rancinho e as duplas Chitãozinho & Xororó e Christian & Ralph. Só que seria injusto deixar outros programas de fora.

14 - Um dueto inesquecível desses especiais?

♪Vamos lá: Amigo, com Erasmo Carlos (show dos 50 anos no Maracanã, em 2009 - EU ESTAVA LÁ!), O que será (À flor da pele), com Chico Buarque (1993); Estrada do sol, com Tom Jobim, e a conversa entre eles sobre natureza (1986); Fera ferida, com Maria Bethânia (1993); Força estranha e Chega de saudade, com Caetano Veloso, além da conversa moderada por Nelson Motta (2008); Coração de estudante, com Milton Nascimento e Wagner Tiso; Lobo mau, com Erasmo Carlos, Cássia Eller, Barão Vermelho e Skank; Pede a ela, com Tim Maia; Se eu não te amasse tanto assim, com Ivete Sangalo (2004); Correnteza, com Djavan (1996); o pout-pourri com Paula Fernandes (2010 - EU FUI!); Como uma onda, com Lulu Santos (2013); Ternura, com Wanderléa (especial de meio de ano de 2009); O Homem, com Arlindo Cruz (2012); Outra vez, com Simone (1989); Como vai você, com Fafá de Belém (1987) e Meu querido, meu velho, meu amigo, com Michel Teló (2012). 
Se for contar os especiais antes do ano no qual nasci mas consegui achar em vídeo, incluo Acalanto, com Dorival Caymmi e Silvio Caldas (1975), Como dois e dois, com Caetano Veloso (1975); Fascinação, com Carlos Galhardo (1976); A deusa da minha rua, com Orlando Silva (1976); Mensagem, com Isaurinha Garcia (1976); Lígia, com Tom Jobim (1978); Desabafo, com Maria Bethânia (1979) e Conceição, com Cauby Peixoto (1980). Gilberto Gil disse uma vez que "existem várias formas da Música Popular Brasileira, e eu gosto de todas". No dia em que descobrirem nossos estilos de música (inclusive os que estão por vir) sem ideias pré-concebidas, seremos melhores. Afinal, como disse Roberto Carlos em um de seus especiais, "quem tem medo de brega não entende de Brasil".

15 - Quem ainda merecia ser convidado para o especial de fim de ano?

♪Danilo Caymmi, Nana Caymmi, Ivan Lins, Zé Renato, João Bosco, Quarteto em Cy e o grupo Bate-Bola.

16 - E o que você gostaria de ouvir eles cantarem em algum eventual show de fim de ano?

♪Seria muito legal ver RC cantando Para falar de Tereza e Na paz do seu sorriso com Danilo Caymmi, Não se esqueça de mim e Acalanto com Nana Caymmi, Papel maché e Sentado à beira do caminho com João Bosco, Falando de amor e O amor é a moda com o Quarteto em Cy, Aqui é o país do futebol e Verde e amarelo com o Bate-Bola. Também ia ser legal resgatar em duetos com o Erasmo canções lindas, mas pouco lembradas como Meu mar, Do fundo do meu coração e A pescaria. Gostaria que Eduardo Lages fosse um convidado a parte, com as apresentações dele virando um dueto com RC - seja a "Eu nunca amei alguém como eu te amei", ou tendo espaço para "Olha", "Cenário" e "Perdoa". Também gostaria muito de ver um dueto com Jorge Mautner, com "Guzzy Muzzy" e "Eu sou terrível"

17 - Além do rei, quais outros artistas aprecia na música brasileira?

♪Bom, a lista vai ficar extensa... Chico Buarque, Caetano Veloso, João Bosco, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Cartola, Eduardo Lages, Erasmo Carlos, Gal Costa, Maria Bethânia, Quarteto em Cy, Milton Nascimento, Sidney Miller, Sergio Sampaio, Zé Renato, Dorival Caymmi, MPB4 (a formação original), Toquinho, Miúcha, Kleiton e Kledir, Gilberto Gil, Jorge Mautner, Paula Fernandes, Ivan Lins, Sérgio Ricardo, Guilherme Arantes, Almir Sater, Sérgio Reis...

18 - Um trecho de uma canção?

♪"Não vou mudar, esse caso não tem solução, sou fera ferida, no corpo, na alma e no coração" (Fera ferida, 1982 - Roberto Carlos e Erasmo Carlos).

19 - Como define Roberto Carlos?

♪Um rei que não quer ser - e que, pelo visto, a alegoria que recebeu é utilizada com mais afinco por detratores. E, principalmente, um cantor que me apresentou à Música Popular Brasileira.

20 - Quem você sugere para entrevistarmos nesta série?

♪Eduardo Lages

Vinícius, muito obrigado por dedicar seu valioso tempo a estas perguntas. Obrigado sobretudo por ser quem é, esse cara tão admirado por todos. É sempre prazeroso aprender com você e desejar cada vez mais sucesso em sua caminhada! Obrigado por tanto contribuir com esse espaço (além das entrevistas que me fez no passado, temos também aquela série sobre o programa Chico & Caetano, de qual foi responsável, além dos prazerosos comentários que sempre nos rendeu). Há alguns anos, no show do Maracanã, você me ligou para me parabenizar por meu aniversário! Faz de conta que esta pequena homenagem é um retorno a seu gesto sempre tão gentil, ok? 

Um forte abraço!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A flauta mágica

Lembro na década de 90 de presenciar um comercial de um carro que hoje já não é mais fabricado, mas que o cantor da trilha do comercial continua atuante. O automóvel era o Kadett, modelo da Chevrolet e o cantor era Edson Cordeiro, interpretando a ária da Rainha da noite, da Flauta mágica, com uma voz que mais parecia mesmo uma flauta mágica. Natural de Santo André/SP, Edson começou a cantar ainda pequeno, fazendo parte de coro de Igreja Evangélica.

Entoando canções clássicas que vão desde Noel Rosa a Mozart, e ecléticas que vão desde Bee Gees a Tim Maia, Edson é um contratenor brasileiro. Tornou-se conhecido também pelo seu primeiro disco lançado em 1992, no qual constava um dueto com Cássia Eller. Além desta, também já gravou com nomes como Rita Lee e Ney Matogrosso. 

Edson tem seu site pessoal, onde divulga seu trabalho e também suas turnês que incluem países da Europa, onde mais se apresenta. E é mais um respeitável artista brasileiro que mostra a diversidade musical deste nosso país!

Um forte abraço a todos!

domingo, 17 de agosto de 2014

♫Miedo♫

Essa é mais uma pérola do Lenine, interpretada em seu Acústico MTV com a cantora Julieta Venegas. A canção é entoada parte em espanhol e parte em português e reflete um tema muito comum a todos e até pouco cantado, sobretudo sob a ótica que esse sábio artista apresenta para nós: o medo e todas as suas facetas, resultado dessa letra maravilhosa!

O medo, que por muitos é visto como algo totalmente negativo, um freio na hora de ousar com a devida coragem pode também ser visto como um elemento de dosagem na hora de tomar decisões que também demonstram nossa coragem. É como se, na dose certa, o medo não fosse nocivo como sempre costumamos atribuir a esse sentimento, como Lenine nos fala em sua extensa, sábia e reflexiva letra!

Miedo
(Lenine e Pedro Guerra)
Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo que dá medo do medo que dá

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

CD Erasmo Carlos Gigante gentil

"Mesmo hostil, todo gigante pode ser... gentil" Estamos diante do melhor disco com canções inéditas lançado em 2014! E não me intimido ao pensar que ainda não terminamos o ano e que outros lançamentos superem este CD, pois sei que dificilmente isso vai acontecer, não pela falta de talentos dos outros artistas, mas pelo excelente trabalho aqui mostrado. Erasmo lançou Gigante gentil, mais um CD com canções inéditas (a única regravação é a de Além do horizonte, faixa para a novela homônima), que tende a entrar para a lista dos cinco melhores discos de toda sua carreira.

Com um trabalho de encarte invejável, riquíssimo em sua arte, fato este comum nos discos do passado, Erasmo mostra que o melhor está por vir nas faixas que compõem o álbum. A começar pela faixa-título, uma bronca pelas injustas ofensas que encontrou na internet sobre si, ao começar a navegar na rede. E é com essa gentileza toda que ele nos presenteia com a belíssima 50 tons de cor e mostra que anda conectado com a modernidade nas faixas Colapso e Amor na rede. Uma grande lição para um país que ainda não aprendeu a respeitar o idoso e seus ensinamentos sábios.

Como não respeitar o brilho de cabelos brancos que nos oferece uma singela e profunda filosofia em Coisa por coisa? Esses mesmos cabelos se unem a outros caracóis cantados no passado e que agora presenteia o tremendão com a letra de Sentimentos complicados. Isso mesmo, uma parceria histórica entre Erasmo Carlos e Caetano Veloso neste trabalho que também reedita parcerias com Arnaldo Antunes, na faixa Teoria do óbvio e Nelson Motta, nas canções Amor na rede e Manhãs de love. O mesmo Erasmo brota toda sua sensibilidade nas belas canções Moça e Caçador de deusas. Uma sonoridade gostosa, atual e sem preconceitos com o passado, como é a lição principal do disco que mestre Erasmo nos passa. Simplesmente um trabalho gigante, de um astro da mesma grandeza e magnitude!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Os compositores do Brasil - 80

Outro grande nome da música brasileira, de todos os tempos, Lamartine de Azevedo Babo, natural do Rio de Janeiro/RJ é um compositor antológico! Viveu na época de outros grandes nomes como Ary Barroso e Pixinguinha, com quem dividiu trabalhos artísticos. Tornou-se conhecido com algumas marchinhas como O teu cabelo não nega, Linda morena e A marchinha do grande galo.

É também uma referência na composição dos hinos dos principais times cariocas e até de alguns não tão famosos, como o Flamengo, Fluminense, Botafogo, Bangu, Vasco, Olaria, São Cristóvão, etc. É também o autor de outro grande clássico da nossa música: No rancho fundo, imortalizada mais recentemente pela dupla Chitãozinho e Xororó. Outros sucessos de seu repertório são Serra da boa esperança, Eu sonhei que tu estavas tão linda, Cantores do rádio, Vaca amarela, etc.

Entre outros nomes que gravaram seus sucessos, temos Mário Reis, Francisco Alves, Carmem Miranda, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Os Mutantes, entre outros. Lamartine partiu para a eternidade ainda na década de 60, mas diante de sua contribuição musical, hoje e sempre será lembrado como um dos grandes nomes da nossa história artística!

Um forte abraço a todos!

domingo, 10 de agosto de 2014

♫Naquela mesa♫

Esta é uma das mais belas canções interpretadas pelo Nelson Gonçalves e que representa bem esta data: dia dos pais. Claro que aqui estamos falando de uma figura paterna que já não está mais presente, como acontece com tantos. E como é triste imaginar que muitos só percebem a falta que faz uma figura assim quando percebe que em seu lugar resta apenas saudade.

Vivemos em uma sociedade em que a figura materna é enaltecida, mas creio que ficamos devendo quanto à figura paterna. E como é bonito quando pai e filho tem relações amorosas. Infelizmente presenciamos muito mais desentendimentos entre filhos e pai que entre filhos e mãe. E a letra de Naquela mesa enaltece exatamente isso, o filho que tanto admira seu pai, que se torna seu fã!

Naquela mesa
Sérgio Bittencourt

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

♪Partituras musicais dos fãs 8 - Derbson Frota♪

O nosso entrevistado de hoje é um "cabra da peste", aqui do Nordeste, do interior do Ceará! Lá da cidade de Tianguá vem o simpático e sempre gentil Derbson Frota, um grande fã de Roberto Carlos que realizou seu grande sonho recentemente de conhecer pessoalmente o rei, quando penetrou em seu camarim no mais recente show realizado em Fortaleza. Professor de informática e filho de radialista, Derbson é daqueles grandes fãs da música brasileira e em especial, das canções do rei!

Conheci Derbson pelo Portal Clube do rei e depois pelo site do Fabiano Cavalcanti e pude perceber estas e outras qualidades que ele e outros fãs, residentes no Ceará, possuem de serem tão atenciosos com todos nós! Ainda quero entrevistar Fabiano, Marley e Mazé, mas por enquanto vamos ver o que esse querido amigo tem a dizer para nós! Eis a entrevista:

1 - Uma música?

Rapaz, a primeira pergunta é logo pra arrebentar. Quem é fã sabe que é muito difícil escolher uma música preferida. Mas vou citar Cama e mesa, de 1981.

2 - Um momento musical inesquecível?

Roberto Carlos cantando Cavalgada, com aquele arranjo do show “Detalhes” é o ápice de qualquer show!

3 - Qual show do Roberto gostaria de ter visto e não pode ver?

Na verdade eu gostaria de ter visto todos os que não vi, rsrsr. Mas vou citar o show “Luz”. O repertório foi excelente!

4 - E qual foi o show inesquecível dele?

O da Arena Castelão, em Fortaleza, dia 5 de Abril de 2014. Foi o show mais emocionante que já fui, e pra coroar com chave de ouro, fui ao camarim de RC depois do show.

5 - Você também é fã do Eduardo Lages, então qual a melhor canção gravada por ele?

Além do horizonte, do CD Nossa canções.

6 - E o que você gostaria que Eduardo ainda gravasse?

Se você disser que não me ama, Sinto muito minha amiga, todas de Roberto Carlos.

7 - Qual música gostaria que Roberto gravasse de outro artista? 

Sempre que ouço uma bonita canção de outro(a) cantor(a), penso: “Ah, se essa música fosse cantada por RC ficaria show.” Gostaria de ver RC interpretar Deus te proteja de mim, do Wando.

8 - Um compositor brasileiro?

O próprio Roberto. Afinal, quem compôs letras que se tornaram clássicos, em parceria como Detalhes, Cavalgada, A distância, Cama e mesa, Amigo e Jesus Salvador e sozinho, como Como é grande o meu amor por você, Amor sem limite, Pra sempre e Esse cara sou eu, é digno de troféu!

9 - Um músico brasileiro?

Bicho, é Robertão Carlos e ponto!

10 - O arranjo que mais aprecia em alguma canção nacional?

Aprecio muito o arranjo de Desabafo, do longínquo disco de 1979 de RC.

11 - Cite três discos que escuta sem pular nenhuma faixa. (pode ser do rei ou de outros artistas também).

Vamos lá: Os discos de 1976, 1981 e 1994 de Roberto Carlos.

12 - O que gostaria de ouvir Roberto cantar em seus shows?

São tantas emoções, né? Eu gostaria de ouvir músicas do seu próprio repertório, que ele nunca cantou ou há muito tempo não canta, como Se você pensa, Amada amante, Rotina, Não se afaste de mim, Meu ciúme e Alô, por exemplo. 

13 - Seu especial favorito?

Complicaaaaado! Vou citar o especial de 1994.

14 - Um dueto inesquecível desses especiais?

Como dizemos aqui no Ceará, “Eita, macho!!” São tantos, né? Roberto Carlos e Gal Costa cantando Olha, em 1983.

15 - Quem ainda merecia ser convidado para o especial de fim de ano?

Dos que ainda não foram, cito Zé Ramalho, Lenine e Oswaldo Montenegro.

16 - Qual dueto em disco gostaria de ver com Roberto?

Gostaria de ver Roberto Carlos e José Augusto cantando Evidências.

17 - Além do rei, quais outros artistas aprecia na música brasileira?

José Augusto, Fábio Jr e Wando.

18 - Um trecho de uma canção?

Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi... Um chocolate pra quem adivinhar quem é o cantor... rsrs.

19 - Como define Roberto Carlos?

Um artista que nasceu com o dom de cantar e encantar os corações. Um cantor que conseguiu e ainda consegue, através de suas músicas, falar sobre o amor de uma forma simples e profunda, fazer-nos refletir sobre a palavra de Deus e nos conscientizarmos sobre a natureza e outros temas afins. Além de tudo, nos mostra que é possível vencer as provações da vida com força, humildade e fé.

20 - Quem você sugere para entrevistarmos nesta série?

Acho que os fãs do rei Roberto tem sempre curiosidade em conhecer mais sobre os outros fãs. Esse quadro é fantástico e nos possibilita isso. Sugiro grandes “súditos” do rei, como Fabiano Cavalcante, Odival Lima(o dono da chácara Recanto do Rei)(ambos de Fortaleza), Ana Luiza Machado(Belo Horizonte), Adnélia Santos(RJ), além do próprio Everaldo Farias, dono deste blog, sem dúvida alguma um grande fã de RC!

Derbson, obrigado por mais essa gentileza de dividir conosco suas opiniões e ideias musicais. Gosto muito de você, e apesar de não o conhecer pessoalmente, percebo um ser humano ímpar, capaz de fazer amizades por onde passa. E tenho certeza que essa não é apenas a minha opinião, pois todos que lerem essa entrevista perceberão em cada linha um toque de simplicidade e carisma, típicos seus!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Os Intérpretes do Brasil - 38

Chico Buarque não figura na lista dos maiores intérpretes do país, mesmo sendo considerado um patrimônio da nossa música por sua contribuição artística e histórica em composições marcantes e inesquecíveis. Entretanto, isso se deve mais ao compositor que ao cantor, pois escuto muitos contestarem sua voz ou atuação nos palcos, caracterizada sobretudo por sua sempre timidez.

Considero Chico o melhor intérprete de si mesmo, por isso o incluo nesta série, sob esta ótica. Em sua carreira, poucas foram as vezes em que ousou interpretar outros nomes, caso dos anos 70 quando fez sucesso com Sinal fechado, de Paulinho da Viola, por exemplo. Gosto muito de suas interpretações da obra do Tom Jobim, como é o caso de Lígia ou Sem você e também de suas investidas em sambas do passado, como Sem compromisso, influência, segundo ele, do próprio Tom.

Mas, a meu ver, ninguém melhor para cantar alguns de seus clássicos que ele mesmo. É o caso de canções como Construção, Futuros amantes, Eu te amo ou Cotidiano que, embora tenham tido outras leituras, não conseguem se desmembrar de seu criador. E diga-se de passagem que são grandes composições, com harmonias sempre bem trabalhadas, o que reforça o patrimônio que Chico representa para todos nós!

Um forte abraço a todos!

domingo, 3 de agosto de 2014

♫Iluminados♫

Muitas vezes o artista ousa, a fim de falar exatamente aquilo que deseja em sua obra. Considero uma ousadia, mais que bem sucedida essa do Ivan Lins e do Vítor Martins, na letra de Iluminados. Descrever o amor e suas ações, da forma como ele faz nesta canção é uma grande ousadia e um verdadeiro êxito! E o curioso é que não precisou de tantas frases, grandes versos pra dizer tudo isso!

De forma concisa, em três versos, Ivan define de forma bárbara o que o amor faz a muitos e também fez ao personagem desta canção. Muitos culpam o amor de todos os seus desenganos e desesperos, mas nem todos percebem que é o mesmo sentimento que faz ressurgir das cinzas toda alma capaz de começar de novo e sempre amar!

Iluminados
Ivan Lins e Vítor Martins

O amor tem feito coisas
Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta ferida

O amor junta os pedaços
Quando um coração se quebra
Mesmo que seja de aço
Mesmo que seja de pedra
Fica tão cicatrizado
Que ninguém diz que é colado

Foi assim que fez em mim
Foi assim que fez em nós
Esse amor iluminado

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

CD Roberto Carlos 1969

CD Roberto Carlos 1969
E com este trabalho encerramos a série que explora os discos do rei Roberto Carlos. Ainda falaremos de outros trabalhos paralelos de sua discografia em outras oportunidades, mas chegamos ao fim da década de 60 com este que é uma de suas pérolas maiores. Desde a capa, diferenciada e que traz o Roberto sentado em uma praia com seu até então inseparável cachimbo, até grandes clássicos que ficaram marcados na música brasileira. Alguns afirmam que este trabalho em LP vinha com um poster, mas não o tenho!

O que dizer de As flores do jardim da nossa casa, As curvas da estrada de Santos, Não vou ficar e Sua estupidez? Só por essas já teríamos um excelente trabalho. Mas, daqui também se destacaram Aceito seu coração, Nada vai me convencer, Do outro lado da cidade e Não adianta, que seguem a linha do trabalho comentado na postagem anterior ora com a voz mais potente, típico da fase soul, ora com a voz mais suave, típico da influência João Gilberto, que Roberto carrega durante toda sua carreira, mesmo imprimindo sua personalidade a essa influência.

Contracapa do CD RC 1969
Completam o trabalho as canções Quero ter você perto de mim, Oh meu imenso amor (em que Roberto apresenta uma voz diferenciada, tipo os cantores do rádio do passado) e Nada tenho a perder. Um belo trabalho que direcionava Roberto a seu romantismo incomparável e a uma carreira mais que bem sucedida. Estes discos dos anos 60 são os que menos escuto, porém este, o anterior e o de 1966 são os meus preferidos desta década onde imperou o rock, o início do soul e o sempre romantismo de Roberto Carlos!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 29 de julho de 2014

CD O Inimitável Roberto Carlos

CD Roberto Carlos O inimitável
Aqui temos um disco mais maduro dos anos 60 de sua majestade. Um disco que permeia a fase soul e penetra no universo romântico que guiaria toda a carreira do maior artista da música brasileira de todos os tempos. O inimitável traz grandes canções, grandes clássicos e mesmo algumas habitando o grupo de esquecidas pelo rei em seu repertório de shows, da mesma forma, povoam o conjunto de inesquecíveis por seus fãs!

Lançado em dezembro de 1968 e sob um ambiente onde muitos surgiam querendo ser Roberto Carlos, O inimitável é apenas um título de um de seus principais álbuns em toda sua carreira. Basta dizer que temos aqui canções onde sua voz e interpretações se tornam mais "vigorosas" como em Se você pensa, Eu te amo te amo te amo, Ninguém vai tirar você de mim, As canções que você fez pra mim, Nem mesmo você, Ciúme de você e Não há dinheiro que pague.

Contracapa CD RC 1968
Mas, não paramos só nisso, pois em outra vertente estão grandes interpretações com uma voz mais suave em É meu é meu é meu, Quase fui lhe procurar, O tempo vai apagar e A madrasta. Esta última, resultado do último festival de qual o rei participou e, segundo Caetano, foi o mais vaiado, embora ele mantivesse a elegância de sempre em sua interpretação ímpar. Gosto de quase todas as canções e considero este um dos melhores discos dos anos 60, juntamente com o de 1969, quando Roberto já reinava na música brasileira. Não simpatizo tanto com as fotos nem da capa ou contracapa que lembra a apresentação dele no Festival de San Remo, do qual foi vencedor naquele ano.

Um forte abraço a todos!

domingo, 27 de julho de 2014

♫Todo amor que houver nessa vida♫

Dá saudade de um tempo não muito distante em que haviam grandes letras inspiradas e com frases marcantes como esta do Cazuza, já gravada pelo próprio e por outros nomes como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Frejat, Cássia Eller, entre outros. Todo amor que houver nessa vida foi a canção que despertou a atenção de todos para o poeta e para o conteúdo de sua poesia.

A letra traz um romantismo real, não aquele idealizado e difundido por tantos outros poetas. Um amor que traz consigo necessidades sexuais, financeiras e psicológicas para sobreviver ao tempo e às adversidades do cotidiano comum que Cazuza parecia entender bem quando cria esta que é também um clássico do rock nacional!

Todo amor que houver nessa vida
Cazuza

Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

CD Roberto Carlos em ritmo de aventura

CD Roberto Carlos em ritmo de aventura
Outro grande trabalho de sua majestade dos anos 60 foi este disco, produzido em paralelo ao filme que levaria o mesmo nome. E também com sucessos marcantes, alguns verdadeiros clássicos, chega às lojas em novembro de 1967 o Roberto Carlos em ritmo de aventura, trabalho que mostrava porque Roberto Carlos era terrível.

Eu sou terrível, Por isso corro demais, Quando, E por isso estou aqui, Só vou gostar de quem gosta de mim são canções que habitam até hoje a mente daqueles que viveram este momento e os que não viveram essa época também. O que dizer da primeira gravação de Como é grande o meu amor por você, uma canção clássica do Brasil? E muitos outros também curtem outras esquecidas, como é o caso de Você deixou alguém a esperar, De que vale tudo isso, É tempo de amar, Folhas de outono e O sósia.

Contracapa do CD RC 1967
Como se percebe, não há aqui nenhuma canção que podemos classificar como mediana, pois trata-se de um trabalho posto no mais alto patamar, para sua época. As fotos da capa e contracapa são também fora de série, pois trazem o rei em suas aventuras no filme e podem ser classificadas num grupo restrito de capas diferenciadas em sua discografia. Enfim, um disco clássico do rei e da música brasileira.

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 22 de julho de 2014

CD Roberto Carlos 1966

CD Roberto Carlos 1966
Com este trabalho, Roberto Carlos iniciou uma tradição que cumpriu por mais de 30 anos, tornando muitos brasileiros felizes, nos quais me incluo orgulhosamente: fim de ano é com disco novo do rei e diga-se disco novo como sendo um trabalho de canções inéditas. Lançado em dezembro de 1966 e sob o sucesso do programa Jovem Guarda e a coroação do rei da juventude, este trabalho é, para mim, o primeiro grande disco do rei.

Daqui temos clássicos como Eu te darei o céu, Nossa canção, Esqueça, Negro gato, Namoradinha de um amigo meu e É papo firme. Outros sucessos como Querem acabar comigo, Eu estou apaixonado por você, O gênio e Não precisa chorar são sempre lembradas. Até canções que não tiveram tanta expressão como Ar de moço bom e Esperando você são legais e eu diria que temos aqui, a meu ver, um disco daqueles que todas as faixas são boas de se ouvirem.

Contracapa do CD RC 1966
Gosto muito de Nossa canção, O gênio e da execução ao vivo de Namoradinha de um amigo meu. Já cantei diversas vezes para mim mesmo a canção Querem acabar comigo e pergunto quem nunca teve essa sensação de se sentir acuado? A capa preta, apenas com o rosto de sua majestade, sem título e com seu nome em letras minúsculas, e a contracapa com ele tocando violão deixaram a desejar, mas temos aqui um ótimo trabalho, histórico para Roberto e para a música brasileira!

Um forte abraço a todos!

domingo, 20 de julho de 2014

♫Viver e reviver♫

Os Beatles sempre foram sucesso em nossas terras e vez por outra alguém resolve fazer versões de suas canções. Bem ou mal sucedidas, tais versões alcançam êxitos por aqui, sobretudo porque uma ênfase nas canções deles é que trazem belíssimas melodias, ficando a cargo de algum bom letrista acertar ou errar. Vale salientar que nem sempre a versão é uma tradução, ao pé da letra, do original, como muitos esperam.

Essa canção, por exemplo, do repertório da Gal Costa é uma das mais belas versões feitas, a meu ver. O poeta Fausto Nilo acertou e a sempre doce voz da Gal casou direitinho em Viver e reviver, sucesso radiofônico dos anos 80 e tema da novela global Bebê a bordo. Sua letra fala de um amor que não pode ser esquecido e de como é importante acreditar nesse sentimento que edifica a cada um.

Viver e reviver (Here, there and everywere)
John Lennon, Paul McCartney e Fausto Nilo

A vida é muito mais
Quando estou perto de você

E eu bem que tentei construir
Sonhos de paz vendo a relva crescer
Pobre de quem pensar que o amor morreu

É, hoje eu lembrei de você
Noutro caminho tão longe daqui
Longe de mim eu sei o que você quer

Eu quero reviver
O que existe nas miragens que ninguém mais crê
A nossa viagem pelo céu de mel

Não ninguém pode esquecer
Que o sonho é livre, não morre jamais
Lembre de nós aonde esse amor viver
Vou viver e reviver
Viver e reviver...

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

CD Roberto Carlos Jovem Guarda

CD Roberto Carlos Jovem Guarda
Lançado em novembro de 1965, este é um disco e um ano histórico para Roberto Carlos. Neste ano ele lança dois discos inéditos, façanha jamais repetida em sua carreira. Também é o ano que estreia, em agosto, o programa Jovem Guarda que dá nome a seu trabalho e traz uma das faixas mais importantes e polêmicas de sua carreira: Quero que vá tudo pro inferno.

Sucesso explosivo que levou o rei ao topo das paradas e ao tão almejado sucesso nacional, Quero que vá tudo pro inferno se tornou clássica e, nos últimos 25 anos habita a polêmica de estar banida, ao menos temporariamente como muitos sonham, do repertório de shows, embora haja tantos pedidos. Mas, nem isso apaga o sucesso arrebatador que foi naquele ano, superando artistas consagrados e firmando o rock e o movimento Jovem Guarda de vez na música brasileira, coroando Roberto na música jovem.

Contracapa do RC Jovem Guarda
Confesso que esta não é das minhas melhores músicas, nem mesmo desse disco, que aprecio mais que os anteriores. Gosto muito de O feio, Eu te adoro meu amor, Gosto do jeitinho dela e Escreva uma carta meu amor. Foram sucessos também Lobo mau, Pega ladrão, Mexericos da Candinha e a regravação do fado Coimbra. Temos ainda Sorrindo pra mim, O velho homem do mar e Não é papo pra mim, todas com expressiva repercussão. Capa e contracapa trazendo fotos de estúdio e em gravações, que se tornavam cada vez mais comum na corte do rei da música jovem!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 15 de julho de 2014

♪Partituras musicais dos fãs 7 - Armindo Guimarães♪

Esse cara já vem sendo solicitado por muitos membros que já foram ou ainda serão temas dessa série. Natural de Porto, em Portugal, torna a série internacional, pois é o português mais amado entre os fãs brasileiros de Roberto Carlos. Um ilustre ser que muitos gostariam de conhecer pessoalmente por sua simpatia, doçura e bom humor compartilhado com todos.

Conheci Armindo Guimarães pelo Portal Clube do rei e atualmente o acompanho pelo seu site, o Portal Splish, splah, pois não conheço quem não se torne fã das histórias que ele nos conta, dos bate-papos que cria entre ele, Roberto, Eduardo e membros da equipe RC, ou das comidas e postagens temperadas com seu bom humor! Vamos à aguardada entrevista:

1 - Uma música?

♪Cavalgada, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1977.

2 - Um momento musical inesquecível?

♪O trem das onze de Adoniram Barbosa e Quero que vá tudo pro inferno, uma das músicas de Roberto Carlos que tanto me influenciou na adolescência.

3 - O que você coleciona do Roberto?

♪Existem fãs para todos os gostos. Uns que se especializaram neste ou naquele campo da carreira do rei, outros que não faltam a um show, outros que apenas se limitam a ouvir músicas, outros que se dedicam a escrever sobre isto e aquilo. Eu posso incluir-me nestes últimos. Com efeito, nunca fui apegado aos objetos, valorizando mais as coisas da vida e da alma. Contudo, tenho alguns discos de vinil (LPs e singles), CDs, DVDs, uma ou outra revista e pouco mais. De tudo, destaco o livro da Revista Saber Violão Especial, contendo por ordem alfabética todas as letras das canções de Roberto Carlos até ao ano de 1986, ano de edição do livro a que eu chamo de “minha bíblia do Rei”. Na capa e contracapa possui uma foto de Roberto Carlos que de tanto uso já quase não se vê, isto já para não falarmos na lombada cheia de fita adesiva a fim de que nenhuma página se perca. Outro objecto que guardo com carinho é o DVD Duetos que ganhei num concurso do site oficial de Roberto Carlos, contendo dedicatória escrita e assinada por ele próprio: “Amigo Armindo um abração – Roberto Carlos - 10-5-2007. Para além disso, possuo toda a obra discográfica do maestro Eduardo Lages, que me foi oferecida pelo próprio. 

4 - Como começou esse contato com RC, um artista fora de seu país?

♪A minha relação com o Roberto começou numa altura em que se ouvia as suas músicas por tudo quanto era sítio em Portugal. Estávamos em 1962/1963, tinha eu 7/8 anos e não me cansava de ouvir Susie, Triste e abandonado, Na lua não há, Splish Splash, Só por amor, Nunca mais te deixarei, É preciso ser assim, Professor de amor, etc. Depois veio O Calhambeque, É proíbido fumar, Um leão está solto nas ruas…

5 - Qual a primeira lembrança tem do Roberto?

♪O medalhão que usava ao peito e a sua inseparável pulseira que eu também uso desde criança.

6 - Você também é fã do Eduardo Lages, então qual a canção que ele interpretou que mais te emociona?

♪Escolher uma música do Mestre Maestro, como eu gosto de lhe chamar, é tão difícil como escolher uma do rei, mas assim de repente, lembro-me de Cavalgada, Confissão e E por isso estou aqui, esta última incluída há anos no meu celular e que me tem dado problemas com alguns amigos que se queixam que sempre que me telefonam eu demoro imenso tempo a atender. Pudera! O celular toca e eu, em vez de atender, deixo-me ficar a ouvir a música.

7 - E qual você ainda gostaria de ouvi-lo gravar?

♪Canção do Mar, com letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, interpretada por Amália Rodrigues e mais recentemente por Dulce Pontes, e no Brasil gravada em 1956 por Agostinho dos Santos e em 1957 por Almir Ribeiro. 

8 - Um compositor brasileiro?

♪Milton Nascimento.

9 - Um músico brasileiro?

♪Sem dúvida, o rei!

10 - O arranjo que mais aprecia em alguma canção brasileira?

♪Construção de Chico Buarque.

11 - Fale-me um pouco sobre a criação do Portal Splish, splash.

♪O Portal Splish Splash, que criei em 7-7-2008, era inicialmente um Blog pessoal que devido aos imensos visitantes oriundos dos mais variados países, rapidamente foi batizado pelos próprios fãs com a designação de Splish Splash, que substituiu a de Armindo Guimarães que até então detinha.

12 - O que gostaria de ouvir Roberto cantar em seus shows?

♪Quero que vá tudo pro inferno.
13 - Roberto gravou Coimbra e Nem às paredes confesso. Qual fado sugere para ele gravar?

♪Teria vários fados que gostaria de ouvir na voz do rei, mas ao contrário, o meu sonho era ouvi-lo cantar Meu pequeno Cachoeiro em jeito de fado. Aliás, nem era preciso muito pois que o tema, tal qual se apresenta, já me cheira a fado.

14 - Um dueto inesquecível desses especiais?

♪Dizem que a seguir ao rei, Fafá de Belém é a cantora brasileira mais popular em Portugal e eu assino. Assim sendo, o meu dueto preferido é o de Roberto Carlos e Fafá de Belém, em Se você quer.

15 - Quem ainda merecia ser convidado para o especial de fim de ano?

♪Sou de opinião que para inovar o ideal seria um convidado português que tenha no seu repertório músicas do rei, como por exemplo, o cantor Marco Paulo ou os fadistas Nuno da Câmara Pereira ou José da Câmara, este último com um CD editado em 2010 com 13 músicas de Roberto Carlos.

16 - Você tem vontade de apresentar um programa de rádio sobre Roberto Carlos?

♪Conheço e ouço algumas rádios brasileiras com programas inteiramente dedicados a Roberto Carlos e tiro o chapéu a algumas delas. Lamentavelmente a diferença horária entre Portugal e Brasil (4 horas ou 3) é muitas vezes impeditiva de seguir tais programas de rádio. Pese embora não ter experiência nenhuma em locução, gostaria, contudo, de eu próprio ter um programa radiofônico com músicas de Roberto Carlos, mas que não se confinasse apenas a essa vertente, incluindo músicas luso-brasileiras como forma de divulgar o que nos dois países irmãos há de melhor em termos musicais, pois constato que ao contrário do que se passa em Portugal que conhece muitos músicos brasileiros, no Brasil, os músicos portugueses são praticamente desconhecidos.

17 - Além do rei, quais outros artistas aprecia na música brasileira?

♪Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Fafá de Belém.

18 - Um trecho de uma canção?
♪Este trecho que eu considero sublime:
 
"E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
que na beleza dessa hora
o sol espera pra nascer".♪

Roberto Carlos e Erasmo Carlos - Cavalgada - 1977.

19 - Como define Roberto Carlos?

♪Roberto Carlos é o protótipo do integral, sendo que a sua obra é o espelho do seu modus vivendi, refletindo não só os seus anseios e receios, mas também a sua temperança e o seu otimismo, quiçá por saber que o mundo é, se não perfeito, pelo menos o melhor dos mundos possíveis, que recusa ao mal toda a existência positiva. Quem canta o amor e o desamor, a alegria e a tristeza, a esperança e a desesperança, essas assimetrias que regem o quotidiano, tem, necessariamente, que possuir um espírito amplo e tolerante.
E é esse espírito amplo e tolerante, de meio século de integralidade e de contrastes, que faz de Roberto Carlos um caso sério de popularidade, bem patente nos milhares de fãs espalhados pelos quatro cantos do mundo onde não raro muitos aprendem português para melhor entender as suas mensagens, as suas emoções. Fãs que estejam onde estiverem, acompanham a vida artística e até pessoal do Rei. Fãs que anseiam por um novo disco, por mais um concerto, por um autógrafo. Fãs que lhe escrevem cartas de amor e de alento. Fãs que sonham poder um dia abraçá-lo, ou pelo menos ter com ele uma breve conversa só para lhe dizer quanto o admiram.

20 - Quem você sugere para entrevistarmos nesta série?

♪Carlyle Zamith.

Armindo, todas as palavras que eu pudesse usar para te agradecer seriam insuficientes. Tenha certeza que todos estávamos ansiosos por suas palavras e por conhecê-lo um pouco mais, pois a admiração já é extrema. Obrigado por, no mês de meu aniversário, você me dá esse presente tão generoso! Como te disse uma vez, você sabe fazer a amizade atravessar o oceano e nos levar à terra de onde descendemos de forma ímpar!

Um forte abraço a todos!

domingo, 13 de julho de 2014

♫Mel na boca♫

Esse é um clássico no mundo do samba, cantado até por gente alheio a esse estilo, como é o caso da Joanna, que já a gravou em dueto com Jorge Aragão. E, além desta, temos as leituras de Alcione, Beth Carvalho, Almir Guineto, Fundo de quintal e vários outros grandes sambistas que, com suas leituras, transformaram essa belíssima canção neste clássico do samba.

A letra de Mel na boca fala de um amor partido trazido por alguém que engana com suas promessas vazias e que deixa saudades em seu lugar depois de banhar os lábios de seu amor com muito mel, que representa uma paixão desenfreada. Mas, como em todo bom samba não cabe muita tristeza, há a expectativa de um novo raio de sol que brilhará pelo caminho!

Mel na boca
David Corrêa

Oh, quanta mentira suportei
Neste teu cinismo de doçura
Pode parar com essa ideia de representação
Os bastidores se fecharam pra desilusão

É mentira
Cadê toda promessa de me dar felicidade?
Bota mel em minha boca
Me ama, depois deixa a saudade, será...

Será que o amor é isso?
Se é feitiço, vou jogar flores no mar
Um raio de luz do sol voltará a brilhar
Que se apagou e deixou noite em meu olhar

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

CD Roberto Carlos Canta para juventude

CD Roberto Carlos Canta para juventude
Em abril de 1965 Roberto Carlos lança mais um álbum de sua carreira, se firmando como ídolo de juventude e já preparando o caminho para o programa que estrearia mais a frente e também inauguraria o movimento que entrou para a história da música brasileira, o Jovem Guarda, de qual seria o líder, junto a Erasmo Carlos e Wanderléa.

Desse disco, talvez o único clássico tenha sido Não quero ver você triste, que, podemos considerar o primeiro "rap", não pelo estilo, mas por usar uma forma até então não muito comum: a de declamar uma canção que só ganharia letra mais tarde, por outro autor. Merecem destaque também as canções A garota do baile e a bela Aquele beijo que te dei. No mais, temos História de um homem mau, Noite de terror, Como é bom saber, Os sete cabeludos, Parei olhei, Os velhinhos, Eu sou fã do monoquini, Brucutu e Rosita.

Contracapa do CD RC 1965
Ainda estou comentando sobre álbuns que curto pouco, pois o repertório deles me são pouco atrativos. Talvez um dia eu os redescubra ou quem sabe nunca curta tanto por não ter vivido essa época. Na capa, o primeiro disco azul do rei, fato que se tornaria constante anos mais tarde. Na contracapa, um Roberto, ou melhor dois Robertos comportados, contrastando o roqueiro que até arriscava alguns passos no palco.

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 8 de julho de 2014

CD Roberto Carlos É proibido fumar

CD Roberto Carlos É proibido fumar
Em agosto de 1964, Roberto Carlos lança outro trabalho onde se percebe uma significativa evolução em sua carreira discográfica. Clássicos como É proibido fumar e O calhambeque ficariam marcados para sempre em seu repertório e construiriam  projeções para uma carreira mais que bem sucedida. Talvez ainda não tivesse alcançado o sucesso nacional desejado, mas já começava a solidificar as bases para alcançar esse desejo.

Gosto mais deste que do disco anterior e aqui temos o Roberto moderno dos anos 60 com sua voz afinada e delicada como na canção Rosinha ou o roqueiro de Um leão está solto nas ruas e Broto do jacaré. O contestador em Nasci para chorar ou o romântico ingênuo de Jura-me. Considero que todos esses convertiam para o rock, estilo definido em seu repertório daí então!

Contracapa do CD RC 1964
E aqui também verificamos canções que atraiam bastante o público infantil, sobretudo na canção O calhambeque. Outras canções que completam o álbum são Meu grande bem, Minha história de amor, Amapola, Louco não estou mais e Desamarre o meu coração. Na capa, algo raro, Roberto Carlos de camisa vermelha e de braços cruzados. Na contracapa, todo de preto e dançando passos de uma pré-Jovem Guarda. Um bom disco, mas que não costumo ouvir tanto, por não apreciar suficientemente essa fase de sua majestade!

Um forte abraço a todos!