quinta-feira, 23 de julho de 2009

Eu hei de ouvir cantar uma sabiá...

Outro grande grupo vocal da década de 60 é o Quarteto em Cy, formado pelas irmãs Cybele, Cylene, Cynara e Cyva. Também iniciaram a carreira ao mesmo tempo que o Mpb - 4 e tiveram o apadrinhamento de Vinícius de Moraes. Navegando no repertório de Vinícius, Chico, Caymmi e Tom, o grupo continua sendo um dos mais perfeitos vocais desse país!

Embora não muito conhecido das novas gerações, suas apresentações são fascinantes, pois dão um toque ímpar para canções como A noite do meu bem, Água de beber, Alguém como tu, Anos dourados, Apesar de você, Bye bye Brasil, Chega de saudade, Carta ao Tom, Começaria tudo outra vez, Dindi, Desafinado, Eu sei que vou te amar, Falando de amor, Nada além, Nervos de aço, Noite dos mascarados, Onde anda você, Samba do avião, Samba de Orly, Tarde em Itapuã, Vai passar, entre tantas.

Agora diga, depois de alguns verdadeiros clássicos desse explêndido grupo, há dúvida do refinamento de seu trabalho? Bem que poderíamos presenciar mais apresentações na mídia de grupos assim que enaltecem a música brasileira com seus arranjos vocais perfeitos e seu bom gosto musical!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Amigo é pra essas coisas...

Um dos grupos musicais que possui uma das carreiras mais sólidas desse país, o MPB - 4, com quase cinquenta anos de estrada continua encantando seu público fiel. Formado pelos cantores Ruy, Magro, Aquiles e Miltinho, sua formação original vem desde 1964. Em 2004, Ruy foi substituído por Dalmo, que é sobrinho de Cauby Peixoto.

Já nos anos 60, acompanhavam artistas como Chico Buarque, participando de suas gravações e em festivais, como na faixa Roda viva. E desde então, década a década o grupo vem realizando seus lançamentos e apresentações marcantes, também com outros artistas como Milton Nascimento, Toquinho e Quarteto em Cy.

De todo esse tempo ficam os perfeitos arranjos vocais do grupo e sucessos como Amigo é pra essas coisas, Anos dourados, Apesar de você, Cálice, Falando de amor, Fé cega faca amolada, Gabriela, O cio da terra, O som da cuíca, Partido alto, Quem te viu quem te vê, Samba da bênção, Vai trabalhar vagabundo, Sabiá, Por quem merece amor, entre outras, de um quarteto eternamente cultuado por seu trabalho tão primoroso.

Um forte abraço a todos!

domingo, 19 de julho de 2009

Balada do louco

Uma das canções mais marcantes da Rita Lee, composta em parceria com seu primeiro marido Arnaldo Batista, quando ambos faziam parte do grupo Os Mutantes. Balada do louco revela a questão da discriminação, sobretudo com deficientes mentais. Mas, também pode ser vista como um tapa na cara das pessoas preconceituosas que definem padrões e condenam as diferenças que expõem pessoas fora dos limites desses padrões!

Se refletirmos com mais precisão, concluímos que precisamos evoluir no quesito respeito às diferenças, sobretudo quando estas são mais evidentes! E quão difícil parece ser dedicar amor a essas pessoas tão carinhosas que não tem de menos, mas tem de mais a nos oferecer! E, sem sombra de dúvidas, é na diferença que se apóia a diversidade humana e intelectual dos seres!

Balada do louco
(Rita Lee e Arnaldo Batista)

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

Um forte abraço a todos!

sábado, 18 de julho de 2009

Milton Nascimento e Jobim Trio em Novas Bossas

Um dos trabalhos mais premiados de 2008 foi esse: Milton Nascimento une sua voz, seu piano e violão ao Jobim Trio formado por Daniel Jobim (piano), Paulo Jobim (violão) e Paulo Braga (bateria), que rendeu para a música brasileira um trabalho primoroso, intitulado Novas Bossas.

Em um projeto que caracteriza-se por ser o ponto de encontro entre o Clube da Esquina e a Bossa Nova, sua abordabem segue esse mesmo parâmetro com um repertório que parte de um movimento até encontrar o outro. É o que pode ser verificado na faixa de abertura Tudo que você podia ser dos irmãos Lô e Márcio Borges, eternos parceiros do Clube. Na sequência, uma composição de Daniel Jobim: Dias azuis, com direito a Danilo Caymmi na flauta.

Temos uma versão do Milton para seu clássico Caís, onde ele mesmo toca piano. Dorival Caymmi é homenageado na canção O vento e para encerrar a parte "clube" temos a canção Tarde, de Milton e Márcio Bórges. Muitos pensavam que esse projeto seria todo em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, mas começamos com esse movimento a partir da sexta faixa com Brigas nunca mais, Caminhos cruzados, Inútil paisagem, Chega de saudade, Medo de amar, Velho Riacho e Esperança perdida.

Encerramos o trabalho, que é de estúdio, embora alguns pensassem que fosse ao vivo, com Trem de ferro, que é do Tom e tem muito a ver com Minas e com Samba do avião, clássico de Tom e do Rio. Eis aqui um majestoso trabalho que une dois grandes Estados em uma arte que pertence não só ao país, mas ao mundo todo como é o caso da voz e do trabalho do Milton e do Jobim Trio.

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Viola, minha viola

Uma das mais marcantes cantoras do país, talvez a maior no estilo sertanejo: Ignez Magdalena Aranha de Lima, ou simplesmente Inezita Barroso, como é conhecida entre o público brasileiro. Natural de São Paulo, desde os sete anos já cantava e tocava violão. Mais tarde, estudou piano e conseguiu gravar seu primeiro disco em meados dos anos 50, emplacando sucessos como Ronda e Moda de pinga.

Com mais de cinquenta anos de carreira e oitenta discos lançados, Inezita apresenta há quase trinta anos o programa Viola minha viola, na TV Cultura, onde abre espaço para a autêntica música caipira, apresentando artistas pouco conhecidos na mídia. Além de cantar e apresentar, Inezita também é atriz e professora de folclore.

Com um repertório que exalta a música raiz do interior do Brasil, Inezita já emplacou sucessos como Marvada pinga, Rio de lágrimas, Meu limão meu limoeiro, Menino da porteira, Viola enluarada, Maringá, Tristeza do Jeca, Adeus Minas Gerais, Lampião de gás, Viola quebrada, Viola minha viola entre outras. É, sem sombra de dúvidas, uma das mais expressivas artistas e sua voz, um patrimônio nacional!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Morar no interior do meu interior...

Nos bares da vida, como diz a canção do Milton, revela também seus conterrâneos, como é o caso desse cantor e compositor da nova música brasileira. Desde o final da década de 80, Wander tenta suas canções na noite, mesclando sucessos conhecidos com suas próprias composições. Em 1996 venceu festival em Minas e o prêmio foi convertido na produção de seu primeiro cd independente.

Curiosamente, era conhecido como Wanderly e não obteve muito sucesso com essa primeira empreitada. Foi em 1998 que Elza Soares o descobriu e gravou Subindo a ladeira, também o convidando para fazerem shows juntos. Vários intérpretes já gravaram suas composições como Gal Costa, Zeca Baleiro, Alcione, Leila Pinheiro, entre outros.

Wander possui vários sucessos entre seu público cativo como Onde Deus possa me ouvir, Românticos, Esperando aviões, Farol, Eu e ela, Obscuridade, Ninguém vai tirar você de mim, entre outros, sempre mesclando romantismo, pop e rock com aquele jeito mineiro de encantar o país! Temos aqui uma das grandes promessas que já se confirma com os anos!

Um forte abraço a todos!

domingo, 12 de julho de 2009

Roberto Carlos no Maracanã!!!

Este foi um dos meus presentes ontem! Um dos maiores acontecimentos artísticos que presenciei, o show do Roberto no Maracanã vai ser uma das coisas que lembrarei para o resto da vida como um presente em meu aniversário!

O rei estava impecável, cantando como nunca. Realmente, ele está no auge, em uma carreira que o deixou sempre no topo. A mega estrela brasileira chama-se Roberto Carlos e isso não é dito apenas pelo coração de um fã! Mas, quem assistiu ontem percebeu isso de longe e, claro, sem desmerecer as demais!

O repertório do show atual foi pouco modificado, acho que apenas a canção Caminhoneiro saiu da lista, mas entraram outros grandiosos números como O calhambeque, Amigo, Ternura, Sentado à beira do caminho, Eu sou terrível. O ponto alto da apresentação foi o encontro com Erasmo, sem sombra de dúvidas, uma tempestade de emoção: dois grandes nomes da música brasileira, dois grandes amigos emocionados e emocionando o país!

As luzes foram um espetáculo a parte, presenciado por quem estava em casa, em um show onde tudo foi feito com esforço e perfeccionismo, digno de um rei. A apresentação foi perfeita e a Globo cumpriu direitinho seu papel pois apresentou em pouco mais de duas horas o show completo. A chuva não tirou o brilho do espetáculo que finalizou com Jesus Cristo e vários fogos de artifício que festejaram juntos com o mundo uma carreira mais que bem sucedida do maior artista da música brasileira de todos os tempos!

Como se não bastasse esse presente que recebi ontem, no Blog do Armindo tem um post em minha homenagem! No Blog do Eduardo, deixaram mensagens para mim! Além, é claro, das mensagens que recebo por aqui e pelas quais agradeço de todos coração! O que posso querer mais? Esse foi um aniversário em que recebi presentes de ídolos e agradeço a Deus por essa lembrança que guardarei pelo resto da vida!

Um forte abraço a todos!

sábado, 11 de julho de 2009

Feliz aniversário

Pelo segundo ano comemoro meu aniversário com vocês, amigos do blog, adquiridos com tanto carinho! E venho agradecer por mais um ano estar aqui, diante de tantos amigos. Por esse ano estar com saúde e buscando sempre aquela paz que sonhamos para nossas vidas e para as de nossos semelhantes!

É uma bandeira branca, mas que sempre estamos lavando, limpando, alvejando esse símbolo que buscamos cultivar e estender a todos, mesmo àqueles que não a entendem muito bem! Mas, agradeço a Deus por cada um que atravessa em nosso caminho e nos ajuda a alvejar as nossas bandeiras!

Esse ano sinto que tenho muito a agradecer, coisas que vivi e jamais esquecerei, como o encontro que tive com o Eduardo Lages, o show que fiz no Instituto, as coisas que cantei e canto, os comentários que faço aqui, os que recebo de todos vocês, enfim. Na vida pessoal e profissional também! Ser professor é difícil, mas gratificante saber que contribuo com algumas pessoas. Minha família e meu amor são coisas que me dão base para continuarmos sempre em frente!

E, como se não bastasse, hoje sou presenteado com um show do Roberto em comemoração aos seus 50 anos de carreira! Claro que o rei nem sabe dessa data para mim, mas só o fato dele fazer um show dessa importância, num dia como o de hoje, encaro como um presente! E atentem para algo que vai acontecer: ele vai olhar pra mim e dizer: Que prazer rever você!!! E pra vocês também!!! Quem sabe, não rola um parabéns lá no palco? Rsrs vale a pena sonhar! Mas, esse show, ver o rei cantando, já é um presente e ao mesmo tempo um sonho, então agradeço também por isso e finalizo pedindo que Deus nos abençôe e desejando tudo de bom para todos os amigos conquistados nesses 29 anos de existência! Vou aproveitar para viajar, estou no interior nesse dia! Nas fotos, acima, uma ponte em São Caetano/PE e, depois, o rei no Chevrolet Hall no Recife esse ano!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Emoções de Eduardo Lages

Esse foi o primeiro disco do maestro que acompanha o rei Roberto há mais de trinta anos: meu amigo Eduardo Lages. Lançado em 2005, Emoções traz os maiores clássicos do rei, interpretados por quem mais conhece do assunto, seu maestro. Já comentei sobre seus outros trabalhos: Com amor, Cenário e Inesquecível.

Emoções foi, segundo o próprio Eduardo, um trabalho sem muita pretensão. Apenas queria registrar em cd, através do formato instrumental, clássicos do maior artista popular desse país. Mas, acho que nem Eduardo percebeu que naquele momento trazia um alento à música instrumental tão esquecida, sobretudo nos últimos tempos e com uma sofisticação ímpar.

E esse trabalho é também um presente aos fãs do rei país afora, trazendo seus clássicos no tom que o rei canta nos dias atuais e com arranjos originais e um som moderno e sofisticado que apresentaram essas canções que fizeram parte da trilha sonora de todo brasileiro. Num mesmo disco estão Emoções, Proposta, Se você pensa, Café da manhã, À distância, Música Suave, Amada amante, Olha, O diamante cor-de-rosa, Seu corpo, Cavalgada e O show já terminou.

Embora tenha ousado pouco e mantido os arranjos originais, em Olha, sua canção preferida, ele muda a introdução e acrescenta um solo maravilhoso. Em Cavalgada está o arranjo que define como dos mais importantes que escreveu para o rei, presente em seu show atual como um dos pontos altos. E outro ponto importante nesse cd é que além dos clássicos e da vendagem que alavancou a carreira do Eduardo, o despertou para lançamentos futuros e com isso o público pode desfrutar a cada ano da elegância desse grande músico brasileiro e desse ser humano fantástico!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os clássicos do Erasmo

Algumas pessoas só associam o Erasmo ao Roberto e por tabela, suas canções são apenas aquelas que fizeram sucesso na voz do rei. Claro que junto com seu parceiro fiel estão grandes clássicos da nossa música brasileira, mas Erasmo tem um repertório formado por grandes canções em sua voz e porque não dizer também grandes clássicos!

Só pra citar alguns, porque realmente são muitos mesmo, ainda na década de 60 temos Gatinha manhosa, Você me ascende, Minha fama de mau, Vem quente que eu estou fervendo, O caderninho, Festa de arromba e o clássico dos clássicos Sentado à beira do caminho, que foi composta em 69 e lançada em 70. Só por essas já vale mil canções. Mas, não paramos por aí, veio a década de 70 e outros clássicos vieram como Coqueiro verde, Panorama ecológico, Cachaça mecânica, Sou uma criança não entendo nada, Vou ficar nu pra chamar sua atenção, Sábado morto, Filho único, A banda dos contentes, De noite na cama, entre outras.

Os anos 80 trazem um grande disco, o Erasmo convida, com grandes clássicos e já comentado aqui. E novos clássicos surgem nessa década como Mesmo que seja eu, Mulher (sexo frágil), Minha superestar, Abra seus olhos, Pega na mentira, Pão de açucar, Close, entre outras. Da década de 90, considerada por muitos como improdutiva para o Erasmo, temos Homem de rua, além de releituras bem sucedidas de É preciso saber viver, Do fundo do meu coração e Detalhes.

Nesta década Erasmo continua presenteando o Brasil com grandes hits como Mais um na multidão, O impossível, Santa Música, Lero lero, Quem vai ficar no gol, além das releituras do disco bem sucedido Erasmo convida 2 e do seu novo trabalho sobre rock, que ainda não ouvi, mas com certeza aumentará a lista de clássicos desse grande nome da nossa música brasileira, amado por todo o país!

Um forte abraço a todos!

domingo, 5 de julho de 2009

O quintal do vizinho

Bom, essa canção inicia uma semana na qual teremos muito Roberto Carlos, em virtude das comemorações dos seus cinquenta anos de carreira em um show sábado no Maracanã. E entrando nesse clima de comemoração, essa é uma das mensagens mais singelas de seu repertório, mas não menos bonita e carregada de um sentimento extraordinário.

Alguns que me conhecem já sabem dessa história. Eu estava meio adoentado e vinha no carro de uma consulta médica. Era um 19 de abril, aniversário do rei e tocavam nas rádios suas canções, até que tocou O quintal do vizinho. Eu chorei bastante, mesmo que escondido. Não queria que me vissem chorando, mas eu estava muito emocionado!

Sempre nos perguntamos o que fazer? Presenciamos tanta coisa errada, muito objeto fora do lugar e de repente alguém diz que basta plantar uma flor no quintal do vizinho! Eu confesso que isso pode parecer bobagem, mas eu estava feliz por entender tudo aquilo, por pensar que em nossos pequenos gestos estão a paz do mundo, estão as boas ações! Você planta uma flor e alguém acha que a primavera chegou e que tudo isso pode ser possível, é demais! Na imagem, flores para vocês plantarem nos quintais de seus vizinhos!

Agora, para descontrair, uma vez o Armindo Guimarães, meu ídolo em Portugal, brincou comigo dizendo que seria complicado plantar uma flor no quintal de sua vizinha e, de repente o marido dela acordasse e o flagrasse à noite, no quintal com uma flor na mão! Ele estava em mals lençóis! Gosto do Armindo, foi mais um presente que Deus me deui via Roberto! Mas, como o próprio Roberto falou, lembro do meu sonho agora nessa canção:

O quintal do vizinho
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Eu hoje acordei pensando
Num sonho que eu tive a noite
Sentei-me na cama para pensar

No sonho que eu tive
No sonho que eu tive
No sonho que eu tive

Fiquei tanto tempo pensando
Em tudo que estive sonhando
Que por um momento pensei ser verdade
O sonho que eu tive
O sonho que eu tive

Sonhei que entrei no quintal do vizinho
E plantei uma flor
No dia seguinte ele estava sorrindo
Dizendo que a primavera chegou

E quando eu abri a janela
Estava um dia tão lindo
No outro quintal o vizinho sorrindo

Lembrei do meu sonho
O sonho que eu tive
O Sonho que eu tive

Um forte abraço a todos!

sábado, 4 de julho de 2009

Joanna Em Samba-Canção

Em 1997, Joanna lançou um dos seus melhores trabalhos: Em Samba-canção, onde essa maravilhosa intérprete nos presenteia com canções desse gênero, escolhidas a dedo por uma das maiores expressões da nossa música brasileira.

Produzido por Roberto Menescal, ainda no encarte, Joanna define esse trabalho como sendo a alma da música brasileira e explica cada canção e compositor escolhido, justificando a importância da obra de cada um na música brasileira, aqui representados por duas canções que são apresentadas em medleys. Ainda no encarte encontramos um texto de Sérgio Cabral, para coroar esse trabalho primoroso!

O cd é iniciado com Cartola em O mundo é um moinho e As rosas não falam. Quer mais? Na sequência vem Roberto e Erasmo em Tema de Não quero ver você triste e De tanto amor. Achou bom? O que dizer então de Adelino Moreira e um tributo a Nelson Gonçalves em Negue e A volta do boêmio? E Noel Rosa em Último desejo e Feitiço da Vila? Silêncio total em Resposta e Ouça da Maysa.

Mas, não pense que acabou! Temos Caetano em Meu bem meu mal e Sampa. Temos Dolores Duran em Fim de caso e Castigo. Temos Chico Buarque em Trocando em miúdos e A Rita. Temos Jair e Evaldo e uma homenagem a Altemar em Sentimental demais e Brigas. Temos Ary Barroso em Risque e Camisa amarela. Temos Tom e Vinícius em Eu sei que vou te amar e Se todos fossem iguais a você.

É demais, concorda? É um disco lindo para recordarmos canções que pintaram belas passagens da nossa música, na voz e no trabalho de uma das mais expressivas artistas desse país, nesse trabalho, dos mais lindos dos últimos anos!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os compositores do Brasil - 16

Em quase todo esse mês de junho, abordamos temas que nos remetem às festas juninas. Um dos maiores compositores modernos dessa safra chama-se Accioly Neto. Desconhecido de muitos, Accioly tem diversos sucessos entre artistas locais e nacionais. Gravado inicialmente por Paulo Diniz e por Vanusa, foi no universo nordestino que teve projeção com suas criações.

Imagino que o leitor já tenha ouvido alguma de suas belíssimas canções: Espumas ao vento, Quando bate o coração, Canção da saudade, A natureza das coisas, Lembrança de um beijo, Me diz amor, Mel e aveloz, Saudade da boa, Gosto de você, entre outras. Mas, se ainda assim, Accioly soa desconhecido, então é necessário ouvir discos de Elba Ramalho, Fagner, Flávio José, Santanna, Fábio Jr., Nando Cordel, Jorge de Altinho, entre outros.

Accioly nos deixou em 2000, oito dias após gravar seu único disco, esse da foto acima. Natural de Pernambuco, são poucas as informações encontradas sobre esse extraordinário compositor. Basta ouvir Espumas ao vento, uma das mais lindas que já ouvi, onde ele afirma: "Meu olhar vai dar uma festa na hora que você chegar...", ou A natureza das coisas, já retratada aqui em 28/12/2008, como uma letra positiva de amor e paz, sentimentos que mostra como foi e é o Accioly.

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Dia do caminhoneiro

Hoje é dia dos caminhoneiros. Não tenho essa profissão, mas é algo muito marcante para mim: meu pai foi caminhoneiro e a primeira canção do Roberto que cantei foi justamente Caminhoneiro, gravada em 1984.

Lembro do rei cantando essa canção naquele especial que assisti na época por causa da Simone do Balão Mágico, de quem era fã. E depois dessa canção, nunca mais deixei de ser fã do Roberto e daí pra frente, todo mundo já sabe. Mas, é interessante pensar que um menino de quatro anos já cantava uma canção longa como aquela e lembrando das estradas, do pai, etc. Sonho ainda em dirigir um caminhão daqueles enormes!

A profissão de caminhoneiro é um paradoxo. De um lado, a saudade de casa, do outro, imagens e um caminho que parece não acabar, luzes à noite, poeira na estrada. Na foto (pescada no blog do Felipe Moura), Roberto no especial de 2004, repetindo a ideia de dirigir um caminhão. E é muito legal saber que tem canções para esses profissionais do asfalto, sobretudo por ser interpretada por um rei:

Caminhoneiro
(Roberto Carlos, Erasmo Carlos e John Hartford)

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais

Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz

A saudade então aperta o peito
Ligo o rádio e dou um jeito
De espantar a solidão

Se é de dia eu ando mais veloz
E à noite todos os faróis
Iluminando a escuridão

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado, mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Já rodei o meu país inteiro
Como um bom caminhoneiro
Peguei chuva e cerração

Quando chove o limpador desliza
Vai e vem no parabrisa
E bate igual, meu coração

Doido pelo doce do seu beijo
Olho cheio de desejo
Seu retrato no painel

É no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais

Olho o horizonte e vou em frente
Tô com Deus e tô contente
Meu caminho eu sigo em paz

Um forte abraço a todos!

domingo, 28 de junho de 2009

Tá combinado

Sinto falta de canções como essa que une letra e melodia de uma forma fantástica. Além disso, aborda um tema muito comum hoje em dia, mas com uma elegância típica de poucos. O sexo se mostra como tema principal e como algo que completa o amor e não o ridiculariza. A amizade pode culminar em algo mais forte, via sexo e não simplesmente por ele.

As cenas descritas mostram como era interessante também falar sobre um tema pelo qual alguns apresentavam uma certa timidez, embora seja comum a todos! E ainda, de forma moderna aponta para o que hoje chamamos de ficar, despontando para a possibilidade disso tudo culminar no amor! Tudo acertado entre um casal, desde uma simples transa até a possibilidade de algo mais forte acontecer. Tá combinado é mais uma genealidade do Caetano e foi gravada pela Gal e pela Bethânia, em versões distintas e lindas!

Tá combinado
(Caetano Veloso)

Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade.
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.

Podemos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.

Abrirmos a cabeça
Para que afinal floresça
O mais que humano em nós.

Então tá tudo dito e é tão bonito
E eu acredito num claro futuro
De música, ternura e aventura
Pro equilibrista em cima do muro.

Mas e se o amor pra nós chegar,
De nós, de algum lugar
Com todo o seu tenebroso esplendor?

Mas e se o amor já está,
Se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?

Então não fale nada, apague a estrada
Que seu caminhar já desenhou
Porque toda razão, toda palavra
Vale nada quando chega o amor

Um forte abraço a todos!

sábado, 27 de junho de 2009

Nós somos o mundo...

Bom, nesses dias não se fala outra coisa: a passagem do rei do pop para outro plano! E não venho aqui falar sobre a biografia dele, ou sobre o artista, ou sobre os acontecimentos da vida pessoal do ser humano Michael Jackson. Mas, venho comentar sobre como e quando ele chegou a mim: apenas essa semana, mas confesso que ficará pra sempre!

Nunca apreciei seu trabalho. Nem dele, nem da Madonna. Cresci observando um artista que cantava e dançava, famoso em todo o mundo, o maior vendedor de discos da história, fato esse que não se repetirá mais, pois a pirataria derrubou todos os números de vendagens, inclusive seus mais recentes lançamentos. Mas, nunca o admirei como artista até descobri que a canção We are the world era dele. Não apenas por já ter presenciado o Roberto interpretá-la no passado, mas por apreciar a beleza que une melodia e letra incríveis. Mais recentemente presenciei outra pérola: Heal the world, pela versão do grupo Roupa Nova e pude afirmar que havia ao menos duas canções do Michael que apreciava.

E após se confirmar sua partida, vários vídeos penetraram nossa telinha com clipes, e o som do Michael chegou a mim. Comecei a pensar: Poxa seu som é interessante. Geniais as canções Ben, Billie Jean, Black or white, Triller, entre tantas outras e como são tão legais e profissionais seus clipes. Até sua forma de dançar observei de forma diferenciada e achei aquilo, digamos, inovador. E como Michael foi humano, suas campanhas atingiram, mobilizaram e beneficiaram tantas pessoas. Com isso ficam algumas reflexões:

Não seria o caso de pensarmos que não somos juízes para questionarmos seus erros? Não seria melhor para todos, inclusive para o próprio artista se apenas nos beneficiarmos com seu valioso trabalho? Sei que muitos podem pensar que isso é alienação: olhar apenas o que é positivo. Mas, porque não deixar julgamentos para quem de fato é competente pra isso e ficarmos com as contribuições positivas, que no caso do Michael Jackson foram enormes e por isso e por muito mais, peço a Deus que o conceda um ótimo lugar e console seus fãs, pois ele apenas virou uma estrela no céu pois aqui na terra, já brilhava tal uma constelação!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ele tá de olho é na butique dela...

Natural de Campina Grande na Paraíba, eis aqui mais um autêntico nome do forró nordestino, uma figura sacana e cômica da música brasileira: Genival Lacerda. Apesar de ser ignorado por uns que não reconhecem sua arte como algo presente nas manifestações culturais nordestinas, desde a década de 50 Genival atua em gravações e show pelo país!

Cantor e compositor, Genival obteve sucesso nacional em 1975 com Severina Xique-xique. Com estilo satírico e picante, gravando coco, xaxado, xote e baião, Genival já apresentou diversos sucessos, entre eles Dance o xaxado, Coco de roda, Tomaram o meu amor, De quem é esse jegue, Julieta, É aí que você se engana, Forró da gente, Eu preciso namorar, Ninguém vive sem amar, Quero me casar, Fio dental, Radinho de pilha, Mate o véio, Tem pouca difença, entre outros.

Genival é dessas figuras emblemáticas da música brasileira, um artista único, que une ritmo, dança e humor em prol das manifestações culturais nordestinas de quais sempre foi fiel em toda sua carreira bem sucedida, comprovada em diversos shows que continua a cumprir país afora!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Noite de São João...

Hoje é véspera de São João e aqui no Nordeste não é apenas a fogueira que aquece, mas todas as manifestações culturais de um povo e de um ritmo que é o pai da alegria nessa região. Comidas típicas a base de milho, bolos diversos, brincadeiras, danças, alegria de um povo trabalhador...

E torna-se impossível vivenciar essa festa sem lembrar as canções de Luiz Gonzaga que nos deixou já há 20 anos, mas permanece presente no repertório dessa festa que tem seu ponto alto hoje, nas mais variadas cidades, do interior à capital, nos mais distantes locais, você escuta uma sanfona, um zabumba, vê um balão, enfim, todas as formas de se demonstrar que nessa noite, devemos olhar para o céu e vê como ele está lindo:

Olha pro céu
(Luiz Gonzaga e José Fernandes)

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar,
Que incendiou meu coração.

Um bom São João a todos!

domingo, 21 de junho de 2009

Caia por cima de mim

E continuando a navegar nesse ritmo gostoso que é o forró, temos aqui uma letra de Maciel Melo, imortalizada por Flávio José.E desses dois grandes forrozeiros nordestinos surge essa belíssima canção que conta um amor revestido de saudade, com uma linguagem genuinamente nordestina.

É impressionante a riqueza de detalhes que aparece na letra dessa canção, além de ser um forró gostoso de se ouvir e pra quem gosta de dançar coladinho em seu parceiro, pois as notas da sanfona não deixam nenhum parado:

Caia por cima de mim
(Maciel Melo)

Nunca mais eu vi Maria
Nunca mais eu vi o amor
Guardo na lembrança a cor
Do vestido dela

Eu tô roendo
Tô cheinho de saudade
Meu amor por caridade
Bote o rosto na janela

Eu não aguento
Tanta ausência, tanta dor
Parece que o amor
Se esqueceu de mim

Bateu a porta
Deu adeus e foi embora
A solidão me devora
Agora eu tô roendo sim

Traga de volta a minha felicidade
Abra um sorriso cheirando a ruge carmim
Aceite a dança, solte a trança e jogue o laço
Se tropeçar no compasso, caia por cima de mim

Caia caia, caia por cima de mim
Caia caia, caia por cima de mim
Caia caia, caia por cima de mim
Que eu te abraço, eu te seguro
Caia por cima de mim...

Um forte abraço a todos!

sábado, 20 de junho de 2009

Nando Cordel ao vivo

Esse é um belíssimo dvd com os sucessos da carreira desse grande compositor e cantor da nossa música: Nando Cordel. Gravado no Teatro Guararapes, em Olinda/PE, o show retrata Nando com sua banda formada por alguns membros de sua família e por dançarinos que intercalavam algumas canções mais dançantes de seu repertório.

Tropicaliente, sucesso na voz de Elba, abre o show que apresenta Gostoso demais, Hoje é dia de folia, Flor de cheiro, Minha doce estrela, De volta pro aconchego, Tanto querer, Amor imenso, Eu nunca esqueci você, Vem ficar comigo, É de dar água na boca, Doido pra te amar, Terra e céu, Love bom, Você endoideceu meu coração/Chororô, Enfeitiçou meu coração/Isso aqui tá bom demais. O show também apresenta uma parte mais acústica na canção Terra e céu e nos bônus: Dedicado a você, Folha rama cheiro e flores, Diz pra mim, Azougue, Meu bombom, Volta pra casa meu nego, Paz pela paz.

Talvez existam alguns leitores que nem conheçam o Nando, mas com certeza muitos conhecem seu repertório. Quem nunca ouviu a Xuxa cantando Hoje é dia de folia? ou Bethânia cantando Gostoso demais? ou Fagner cantando Você endoideceu meu coração? ou Elba cantando De volta pro aconchego? ou Dominguinhos e Chico Buarque e o próprio Nando cantando Isso aqui tá bom demais. E quem nunca refletiu nas mensagens de paz contidas em Amor imenso e Paz pela paz? É um excelente show para quem gosta de músicas românticas e para quem curte o balanço e toda genialidade do Nando.

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pisa na fulô e não maltrata o meu amor...

Com mais de 50 anos de carreira, Inês Caetano de Oliveira ou simplesmente Marinês pode ser considerada o maior nome feminino do forró nordestino em todos os tempos. Natural de São Vicente Férrer, em Pernambuco, cresceu em Campina Grande, na Paraíba, onde desde pequena já cantava em escolas. Participou de vários concursos de calouros e foi tomando fama como cantora de forró. Em 1956 grava seu primeiro disco e integra a equipe de Gonzaga, viajando para o Rio de Janeiro.

Seu pai era seresteiro e sua primeira banda, a Patrulha de choque do rei do baião, formada com o marido Abdias, sanfoneiro, e com Cacau, zabumbeiro, abria os shows de Gonzaga. Depois seu conjunto adquiriu o nome de Marinês e sua gente e daí pra frente reinou no forró nordestino ano após ano. Seus principais sucessos são: Quadrilha é bom, Quero ver xaxar, Pisa na fulô, Xaxado da Paraíba, Perigo de morte, Aquarela nordestina, Velho ditado, Balanço da saudade, Chegou São João, Marinheiro, Agarradinho, Tô doida pra provar do teu amor, Feitiço, Meu cariri, Tareco e mariola, Bate coração, entre outros.

Em 1998, com produção de Elba Ramalho, lançou o cd Marinês e sua gente, contando com a participação de vários nomes da nossa música, em reconhecimento à essa artista que nos deixou em 2007, mas continua presente como uma estrela a mais a brilhar em toda noite festiva de São João!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Caju & Castanha

Não, não é alguma referência às frutas tropicais ou alguma nova série. Também não é nome de dupla sertaneja! Continuando a divulgar os artistas nordestinos, esse espaço apresenta uma dupla de emboladores com esse título.

Naturais de Recife, aqui em Pernambuco, a dupla foi criada pelos irmãos José Albertinho, o Caju e José Roberto da Silva, o Castanha, ainda pequenos quando tocavam nas feiras livres com uma lata de marmelada. Vale salientar que seu trabalho é rudimentar, mas não menos artístico! Com o pandeiro e com uma criatividade invejável, a dupla desfila os temas mais variados possíveis, tendo a vida, os desamores, as comédias, como inspiração de seus versos que podem ser confundidos com os encontrados na literatura de cordel nordestina.

No final dos anos 70 mudaram-se para São Paulo e passaram a divulgar seu trabalho por lá, onde em 1981 gravaram seu primeiro trabalho, tendo Zé e Elba Ramalho como convidados. Entretanto a dupla só alcançou seu merecido êxito nacional em 1993 com a canção Ladrão besta e o sabido.

Em 2001 faleceu José Albertino, sendo substituído por seu sobrinho, Ricardo Alves da Silva, que dá continuidade ao trabalho da dupla e à divulgação de canções como A marvada pinga, A mulher bonita e a feia, Água fora da bacia, De tudo um pouco, Duvido você dizer, Em frente a casa dela, Nossas manchas, O pobre e o rico, Pra que chorar, Todo dia na escola, O taxista, entre outras contadas e cantadas com muito humor, embora algumas reflitam coisas desfavoráveis de um povo que tem na embolada de Caju e Castanha uma das formas mais originais de se traduzir o sentimento e as raízes brasileiras!

Um forte abraço a todos!

domingo, 14 de junho de 2009

A terceira lâmina

Zé Ramalho é dos grandes compositores e intérpretes que lançam canções incríveis e algumas vezes com mensagens indiretas sobre determinado assunto. No caso específico do Zé isso se torna mais evidente, sobretudo por seu misticismo característico.

Essa canção foi título de seu terceiro disco, lançado em 1981 e, por isso remete à palavra lâmina, pela qual define o antigo Lp. Também está presente no cd Antologia Acústica de 1997, que tem o acordeão do Dominguinhos, num arranjo lindo e dançante, próprio para essa época. Mas, acima disso está uma letra de interpretação difícil, a começar pelo título: A terceira lâmina, como explicado acima tem a ver com seu terceiro disco lançado.

E de acordo com o encarte do projeto acústico, a letra penetra na solidão e na tristeza "dos que vivem calados, pendurados no tempo", os miseráveis que vivem debaixo de pontes, em guetos, dormem sob jornais ou caixas de papelão. Muita arte por parte dele unir e divulgar seu trabalho como um anunciador de um problema para o qual muitos fecham os olhos. A terceira lâmina, ou seja, seu terceiro disco anuncia isso "na garganta do fosso da voz de um cantador". E como presenciamos em toda parte do nosso planeta essas imagens descritas na letra, não?

A terceira lâmina
(Zé Ramalho)

É aquela que fere
Que virá mais tranqüila
Com a fome do povo
Com pedaços da vida
Como a dura semente
Que se prende no fogo
De toda multidão
Acho bem mais
Do que pedras na mão...

Dos que vivem calados
Pendurados no tempo
Esquecendo os momentos
Na fundura do poço
Na garganta do fosso
Na voz de um cantador...

E virá como guerra
A terceira mensagem
Na cabeça do homem
Aflição e coragem
Afastado da terra
Ele pensa na fera
Que o começa a devorar
Acho que os anos
Irão se passar

Com aquela certeza
Que teremos no olho
Novamente a ideia
De sairmos do poço
Da garganta do fosso
Na voz de um cantador...

Um forte abraço a todos!

sábado, 13 de junho de 2009

Gonzagão - Sempre

A Som Livre lançou recentemente uma nova coletânea, com os grandes sucessos de artistas que já não tem seus discos presentes nas lojas. E um deles foi Luiz Gonzaga com esse título que reune alguns de seus clássicos. Alguns, porque Gonzaga é daqueles artistas que têm muitos clássicos e que não dava para reunir nem em um disco duplo.

Se por um lado essa coletânea peca por não apresentar folheto com letra das canções, coisa que as melhores coletâneas fazem, por outro lado, vale o registro histórico de canções originais que possuem em torno de 50 anos. E aqui encontramos aquele som meio rudimentar de sanfona, zabuma e triângulo e letras que atravessaram gerações e continuam a emocionar pela carga de amor que apresentam. É o caso do clássico Asa branca, não apenas de Gonzaga, mas um clássico da música brasileira.

E o que falar de Respeita Januário, Sabiá, Baião, O Xote das meninas, Juazeiro, Paraíba, Assum preto e Qui nem jiló? Há alguma contestação de que são todas clássicos do Gonzaga e clássicos juninos? A vida do viajante traz um dueto entre Gonzagão e Gonzaguinha, outra grande saudade da nossa música. E por fim temos Vem morena, ABC do Sertão, Riacho do navio e Cintura fina.

É claro que uma coletânea sempre fica devendo e para um artista como Gonzaga, a dívida é ainda maior. Mas, conste que é algo muito interessante o relançamento de suas canções, obras que sempre estiveram em cartaz em toda boa festa junina que se preze e no repertório de novas gerações que têm em Gonzaga um grande mestre!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Passei a noite procurando tu, procurando tu...

Uma das poucas bandas de forró pé-de-serra e talvez a única a completar mais de 50 anos em plena atividade e agradando a várias gerações: o Trio Nordestino. Com origem na Bahia em 1958, Trio Nordestino foi parceiro de artistas como Luiz Gonzaga na origem e divulgação do autêntico forró pelo interior do país.

Procurando tu, lançado em 1970 fez o Trio vender mais de um milhão na época em que poucos alcançavam essa marca. E o grupo nunca perdeu sua formação musical raiz, com zabumba, triângulo, sanfona e voz, embora a tecnologia avançasse com o tempo. E houve um tempo que aqui no Nordeste dois discos eram aguardados com bastante expectativa para as festas juninas, o de Gonzaga e o do Trio Nordestino.

A formação clássica teve Lindu, Coroné e Cobrinha. Depois, com a morte de alguns membros, o trio sempre se renovou e hoje conta com Luis Mário, Beto e Coroneto e vários sucessos nessa carreira bem sucedida como: Na emenda, Forró desarmado, O sol com a mão, Amor de São João, Homem de saia, Amor demais, Amor de doido, Petrolina Juazeiro, O nenem, entre outras tantas que já animaram e aqueceram a fogueira de tantas festas juninas Brasil afora!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Passei horas no espelho, me arrumando o dia inteiro...

Ano passado durante essa época citei vários artistas nordestinos que são sucessos por aqui e, claro, alguns alcançam projeção nacional e até internacional. Continuando com essa ideia, vamos observar um pouco sobre Alcymar Monteiro dos Santos. Natural de Aurora no Ceará, estudou música em Conservatório de Fortaleza, mas foi no Recife que conseguiu projeção como cantor e compositor.

E sua carreira como compositor e intérprete se faz presente há mais de trinta anos, sendo impossível não ser citado em nomes de grande prestígio do forró. Já foi gravado por artistas como Luiz Gonzaga, Fagner, Zé Ramalho, Elba Ramalho e Dominguinhos. Além desse ritmo, vez por outra, abraça outros projetos como frevo e músicas de vaquejadas.

Alguns de seus sucessos são Cavaleiro alado, Ela nem olhou pra mim, Diz paixão, Festa da vaquejada, Lindo lago do amor, Rosa dos ventos, Na fazenda de vovô, Separação, Tarde demais, entre outras. Alcymar sempre se apresenta de branco e é com a mesma paz que tenta transmitir que suas canções ecoam pelos quatros cantos do nordeste do Brasil!

Um forte abraço a todos!

domingo, 7 de junho de 2009

Abri a porta

Abrimos as portas das festas juninas com essa lindíssima composição de Dominguinhos e Gilberto Gil. Mas, também que dupla hein? Só podia dar eu um clássico que inspira, com suas notas melódicas toda essência dessas festividades.

Já havia apresentado essa canção aqui ano passado no post do Dominguinhos, mas hoje ela ganha um post só dela para refletir em sua letra tudo que a simplicidade pode oferecer em termos de canção. Uma canção que traz uma mensagem de paz e esperança, passos firmes rumo norte e como se não bastasse, ainda é dançante e festiva! Êta festa tão linda:

Abri a porta
(Dominguinhos e Gilberto Gil)

Abri a porta
Apareci
A mais bonita
Sorriu pra mim

Naquele instante
Me convenci
Que o bom da vida
Vai prosseguir

Vai prosseguir
Vai dar pra lá do céu azul
Onde eu não sei
Lá onde a lei seja o amor

E usufruir do bom
Do mel e do melhor seja comum
Pra qualquer um
Seja quem for

Abri a porta
Apareci
Isso é a vida
É a vida assim

Um forte abraço a todos!

sábado, 6 de junho de 2009

Fagner - Caboclo Sonhador

São João chegando e dá aquela vontade de ouvir aquele forró gostoso que só artistas como Zé e Elba Ramalho, Geraldo ou Nando, Flávio ou Petrúcio, Dominguinhos ou Fagner sabem cantar, tudo na mais perfeita influência de Gonzagão, o rei desse estilo que aquece a fogueira e o coração nordestino.

E Fagner, que já gravou dois discos com Gonzaga (já retratados aqui ano passado), vez por outra bebe dessa fonte maravilhosa e presenteia a todos com trabalhos como esse abordado hoje. Produzido pelo grande guitarrista Robertinho do Recife, lançado em 1994 e tendo a participação de músicos do naipe do próprio Robertinho, Dominguinhos, Oswaldinho e Sivuca, Caboclo sonhador é resultado de uma pesquisa sobre os compositores e sucessos lançados na época nos principais forrós nordestinos.

De início temos Cavaleiro Alado de Alcymar Monteiro e João Paulo Jr., dois grandes músicos desse gênero. Lembrança de um beijo foi um dos hits que mais tocou, sendo gravada por outros forrozeiros, da autoria de Accioly Neto. Maciel Melo é o compositor requisitado para a faixa título do disco Caboclo Sonhador e, além dessa que também foi hit radiofônico, temos Nos tempos de menino que apresenta solos que nos remetem às boas bandas de pífanos de Caruaru.

Gonzaga não pode ser esquecido em uma festa assim e Fagner sempre faz questão de o reverenciar no medley É proíbido Cochilar/Forró desarmado/Forró número um, tendo o auxílio dos vocais de Marinês e sua gente, além Baião da Garoa. E pra finalizar temos Falsa folia, de Dominguinhos e Nando Cordel, Minha vidinha, Fan ran fun fan, Casamento da raposa (só instrumental) e Estrela guia. Observando o grandioso intérprete que o Fagner é, além de compositor e músico. Observando as descrições desse trabalho fica uma desnecessária indagação sobre se não é esse um dos bons trabalhos para se ouvir nessa e em outras épocas do ano!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Panorama ecológico

Amanhã, Erasmo Carlos e Wanderléa, dois grandes nomes da jovem guarda e amigos do rei, comemoram aniversário. Vou aproveitar essa canção para homenagear o Erasmo, figura tão importante na vida de todos os brasileiros e que tá lançando seu novo cd de rock nesses dias.

Vamos recordar um rock antigo do Erasmo, composto com o Roberto e que reflete também o dia de amanhã, em que precisamos, já há tanto tempo, criarmos uma consciência ecológica de todos nossos atos! E essa canção, segundo o tremendão é a que melhor fala desse tema, diante de tantas dessa dupla!

O que será que estamos fazendo para cuidar do nosso cantinho? Varremos nosso lar? Cuidamos dos animais? Tratamos da água? Economizamos nosso líquido mais que precioso? Afinal, somos racionais para pensarmos sobre esses temas! Ou não?

Panorama ecológico
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas
Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos

Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras
Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados

Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas
Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Elas cantam Roberto

Como parte das comemorações dos 50 anos de carreira de sua majestade musical Roberto Carlos, tivemos a apresentação do show que sairá em breve em cd e dvd: Elas cantam Roberto, onde algumas das grandes divas da mpb brilharam no palco e encantaram a todos com o repertório do homenageado.

Todas apresentadas, sem exceção me emocionaram muito e lastimo apenas o corte que sofreram as apresentações de Adriana, Rosemary, Paula Toller, Mart´nália, Celine e Marina. E, mais uma vez não entendo tantas críticas em torno de uma apresentação tão bonita e de uma homenagem tão merecida ao cara que há cinquenta anos reina na música brasileira! Eis o repertório do show na íntegra:

  • Hebe Camargo: "Você Não Sabe"
  • Luiza Possi e Zizi Possi: "Canzone Per Te"
  • Zizi Possi: "Proposta"
  • Alcione: "Sua Estupidez"
  • Fafá de Belém: "Desabafo"
  • Celine Imbert: "À Distância"
  • Daniela Mercury: "Se Você Pensa"
  • Daniela Mercury e Wanderléa: "Esqueça"
  • Wanderléa: "Você Vai Ser o Meu Escândalo"
  • Rosemary: "Nossa Canção"
  • Fernanda Abreu: "Todos Estão Surdos"
  • Paula Toller: "As Curvas da Estrada de Santos"
  • Marília Pêra: "120, 150, 200 Km Por Hora"
  • Marina Lima: "Como Dois e Dois"
  • Sandy: "As Canções Que Você Fez Pra Mim"
  • Mart'nália: "Só Você Não Sabe"
  • Adriana Calcanhoto: "Do Fundo do Meu Coração"
  • Claudia Leitte: "Falando Sério"
  • Nana Caymmi: "Não Se Esqueça de Mim"
  • Ana Carolina: "Força Estranha"
  • Ivete Sangalo: "Os Seus Botões"
  • Ivete Sangalo: "Olha"
  • Roberto Carlos: "Emoções"
  • Todos: "Como É Grande O Meu Amor Por Você"
  • Todos: "É preciso saber viver"

Como falei, todas emocionaram e o mais curioso é que algumas, que a crítica caíram em cima, foram das mais tocantes, como Sandy ou Hebe. Fafá arrasou em sua interpretação e o mesmo pode ser dito da Alcione e da Nana, que já afirmou cantar essa canção como uma oração de saudade pelos pais! Ainda torço para que a Nana seja uma das convidadas do próximo especial de fim de ano. Ouvir outras pessoas cantando o Roberto aumenta ainda mais a saudade que temos dele e ainda bem que ele chegou ao final para cantar e ser cantado por elas! Afinal o cara pode e isso não é pra qualquer um! Sua Majestade mandou ver e suas súditas também!

Um forte abraço a todos!

domingo, 31 de maio de 2009

Maria de minha infância

Aqui no interior de Pernambuco e acredito que em todo interior do país, hoje se comemora o último dia de maio como a última noite do mês mariano, dedicado à Maria, Mãe de Jesus. Com isso, após os festejos religiosos (missa, ofício, terços,...) temos a queima de fogos, balões (hoje proibido por conta dos incêndios provocados) e quermesses, especialmente aqui em Pernambuco, onde tudo isso é um prenúncio das festas juninas.

Lembro de minha infância no interior onde presenciei tudo isso. É uma cultura muito bonita e saudável, com exceção dos balões que infelizmente provocam queimadas, mas que eram atração a parte no céu do interior. Ah, que saudade!!!

Os cânticos marianos sempre foram belíssimos e não há um só católico que não saiba algum, principalmente os do Pe. Zezinho, como esse apresentado abaixo. Cantar para Nossa Senhora é algo que nos deixa em sintonia perfeita com a natureza e, sem sombra de dúvidas, mais perto de Deus:

Maria de minha infância
(Pe. Zezinho)

Eu era pequeno, nem me lembro
Só lembro que à noite, ao pé da cama
Juntava as mãozinhas e rezava apressado
Mas rezava como alguém que ama

Nas Ave - Marias que eu rezava
Eu sempre engolia umas palavras
E muito cansado acabava dormindo
Mas dormia como quem amava

Ave - Maria, Mãe de Jesus
O tempo passa, não volta mais
Tenho saudade daquele tempo
Que eu te chamava de minha mãe

Ave - Maria, Mãe de Jesus
Ave - Maria, Mãe de Jesus

Depois fui crescendo, eu me lembro
E fui esquecendo nossa amizade
Chegava lá em casa chateado e cansado
De rezar não tinha nem vontade

Andei duvidando, eu me lembro
Das coisas mais puras que me ensinaram
Perdi o costume da criança inocente
Minhas mãos quase não se ajuntavam

O teu amor cresce com a gente
A mãe nunca esquece o filho ausente
Eu chego lá em casa chateado e cansado
Mas eu rezo como antigamente

Nas Ave - Marias que hoje eu rezo
Esqueço as palavras e adormeço
E embora cansado, sem rezar como eu devo
Eu de Ti Maria, não me esqueço

Um forte abraço a todos!

sábado, 30 de maio de 2009

Paulo Ricardo - O amor me escolheu

Depois de partir para carreira solo, Paulo Ricardo lançou alguns trabalhos de destaque nos anos 90. Dentre eles, O amor me escolheu em 1997. Produzido por Nilo Romero, este álbum traz grandes sucessos radiofônicos e grandes interpretações, mostrando toda a força do Paulo em grandes composições suas e de outros autores.

De início, um grande sucesso da obra do rei Roberto Carlos, composta por Antônio Marcos: E não vou deixar você tão só. Em seguida, uma composição sua com Hebert Viana, que também toca violão na faixa Amor em vão. Uma das primeiras composições do Vinícius de Moraes com Edu Lobo também está presente: Só me fez bem.

Jorge Ben também aparece em Que pena (Ela já não gosta mais de mim), com a participação de Fernanda Abreu, única convidada do projeto a cantar com Paulo. Uma composição de Adriana Calcanhoto em homenagem a Roberto Carlos é interpretada pelo Paulo em O amor me escolheu, que dá nome ao projeto e faz jus a essa escolha, por uma letra lindíssima e uma interpretação ímpar (já relatada em 14/09/2008). Tudo por nada foi um dos sucessos radiofônicos, tradução do próprio Paulo e tema de novela.

Fagner também aparece com a canção Depende e, em seguida, outro sucesso radiofônico: Dois, composto em parceria com Michael Sullivan. Com George Israel ao violão, vem a canção De novo, dele e do Paulo. Do repertório do Caetano Veloso, vem a canção Não identificado. De Freddie Mercury, a versão de Love of my life em Felicidade, que também é apresentada ao final do cd como um bônus em espanhol. O cd termina com Você é a canção e Lilás, esta última do Djavan. Com um repertório desses, com tantos grandes compositores, músicos e a interpretação ímpar do Paulo, é de se pensar mesmo que nesse disco, O amor o escolheu para ser sua voz, o seu cantor!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Os compositores do Brasil - 15

A série Compositores do Brasil chega a sua décima quinta postagem com uma Alma feminina: Sueli Correa Costa, ou Sueli Costa como é conhecida. Mas, muitos outros compositores ainda virão nesse país tão rico nesse ramo e que, em alguns casos, desconhecem tais figuras essenciais nos trabalhos de grandes intérpretes. E falar da Sueli é falar de sucessos nas vozes de artistas como Simone, Ney Matogrosso, Fagner, Elis Regina, Cauby Peixoto, Pedro Mariano, Joanna, Fafá de Belém, Zélia Duncan, Ivan Lins, Zizi Possi, Gal Costa, Agnaldo Rayol, entre tantos. Precisa falar algo mais?

Natural do Rio de Janeiro, viveu sua infância e juventude em Juiz de Fora, antes de regressar à sua cidade natal, onde já aos quatro anos teve aulas de piano com sua mãe. Sua primeira composição veio no estilo Bossa nova: Balãozinho, que compôs enquanto cursava Direito. A primeira grande intérprete a prestar atenção a seus trabalhos foi Nara Leão. E nos anos 70 todos os outros grandes intérpretes citados acima incluíram em seu repertório criações suas como Vinte anos blue, Alma, Jura secreta, Coração ateu, Nem uma lágrima, O primeiro jornal, Canção brasileira, Corpo, Imagens, Dentro de mim mora um anjo, Retrato, Segue o teu destino, Senhora de si, Todos os lugares, Voz de mulher, entre outros.

Sueli lançou alguns poucos discos cantando, mas com grandes produções de artistas como Gonzaguinha e João Bosco. Também teve grandes parceiros em suas composições como Abel Silva, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro. É, sem sombra de dúvidas uma das maiores compositoras brasileiras, imortalizada por frases como "Só uma palavra me devora, aquela que me coração não diz..." presente na canção Jura Secreta, só pra citar uma delas!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Eu vou nos beijos de um beija-flor...

Você já deve ter ouvido alguma das canções citadas: A latinha, A namorada, Água mineral, Água também é mar, Amor I love you, Beija-flor, Dandalunda, Faraó, Magamalabares, Margarida perfumada, Maria de Verdade, Meia lua inteira, Na estrada, Não é fácil, Infinito particular, Perdão você, Pra ser sincero, Segue o seco, Tema de amor, Uma brasileira, É você, Já sei namorar, Velha infância, Rapunzel, Vai buscar Dalila, Mais um na multidão e tantas outras!

Pois bem, seja no carnaval baiano, seja em discos de grandes intérpretes brasileiros, seja em grandes projetos como foi o Tribalistas, em todos esses lugares citados encontramos Antônio Carlos Santos de Freitas, ou simplesmente Carlinhos Brown. (o Brown veio de homenagens a James Brown e H. Rap Brown, líderes da música negra da década de 70, ídolos do funk e da soul music.)

Cantor, percussionista, produtor e compositor, Brown é uma das figuras artístiscas mais importante do país, com uma carreira bem sucedida, iniciada ainda nos anos 70. Baiano de Salvador, tornou-se um dos músicos mais requisitados já no início dos anos 80, participando de turnês de Caetano Veloso, João Gilberto, Djavan e João Bosco, só pra citar alguns. Tornou-se mundialmente conhecido como líder do grupo Timbalada. Sua carreira solo começou oficialmente em 1996. E lançou esses e tantos outros sucessos nas vozes dos principais nomes de nossa música, tornando-se indispensável em qualquer espaço onde se comente sobre bons trabalhos!

Um forte abraço a todos!

domingo, 24 de maio de 2009

Morro Velho

Morro Velho foi uma das primeiras composições do Milton Nascimento, o eterno Bituca. Tornou-se um grande clássico de seu repertório, regravada posteriormente por Elis e por Fagner. Sua letra fala da sorte de dois meninos que brincaram quando pequenos no campo, onde um se sentia um rei por conhecer todo o lugar.

Entretanto, após o passar do tempo, a letra descreve o futuro e uma possível distância naqueles que foram, por alguns momentos, os melhores amigos da terra. De um lado, o eterno homem do campo, onde o campo é seu mundo. Do outro, o dono daquele campo, onde aquele campo é apenas parte de seu mundo. E o Milton é mestre em falar nessas coisas bem especiais e tão peculiares quanto o que ele mesmo representa na música brasileira.

Morro Velho
(Milton Nascimento)

No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada

Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada, conta histórias prá moçada

Filho do senhor vai embora, tempo de estudos na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes, deixando o companheiro na estação distante
Não esqueça, amigo, eu vou voltar,
Some longe o trenzinho ao deus-dará

Quando volta já é outro, trouxe até sinhá mocinha prá apresentar
Linda como a luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor e agora na fazenda é quem vai mandar
E seu velho camarada, já não brinca, mas trabalha.

Um forte abraço a todos!

sábado, 23 de maio de 2009

Coleção de cd´s do rei Roberto Carlos

Em comemoração pelos 50 anos de carreira musical de sua majestade Roberto Carlos, encontram-se nas lojas 50 cds de sua mais que bem sucedida carreira, onde os fãs e admiradores de sua obra podem encontrar e completar suas coleções.

É difícil encontrar um grande fã que não tenha sua coleção, nem outras raridades de sua carreira. Mas, há aqueles que admiram seu trabalho, amam esta ou aquela canção e agora tem a chance de encontrar quase toda sua obra em cds. Isso porque oficialmente não consta seu primeiro e mais raro cd: Louco por você (1961). Também não constam a coletânea dupla 30 grandes sucessos (1999), nem sua versão em espanhol 30 grandes canciones (2000), bem como a coletânea Inolvidables (1993), toda em espanhol.

Mas, estão lá todos os discos de carreira, de 1963 até 2008, além do Ao vivo (1988), San Remo (compilação lançada em 1976), Inglês (1981) e sua primeira coletânea lançada em 1992, além do Mensagens (1999) e do Canta a la juventud (1964), seu primeiro cd em espanhol. Na foto, uma recriação de Léo Eyer para o jornal Extra, da capa do cd 1972. E, nas lojas, muitas emoções e romantismo do artista que há 50 anos reina na música brasileira...

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Eu preciso saber de sua vida...

Talvez nem todos lembrem dele, mas suas canções são sucessos para várias gerações. Antônio Marcos Pensamento da Silva, natural de São Paulo, foi um dos maiores cantores e compositores da década de 70. Trabalhou como office-boy enquanto tentava sua carreira musical nas rádios, programas de calouros e corais.

Seu primeiro sucesso veio com a canção Tenho um amor melhor que o seu, de Roberto Carlos, vendendo mais de 300 mil cópias na época. Em retribuição, fez para Roberto gravar Aventuras, E não vou mais viver tão só e Como vai você, que o rei imortalizou, sendo regravada posteriormente por diversos artistas, entre eles o próprio Antônio, Richard Clayderman, Daniela Mercury, Adilson Ramos, Zezé di Camargo e Luciano, entre outros.

Outros sucessos de sua carreira foram Oração de um jovem triste, Amantes, Cicatriz, Gaivotas, Se eu pudesse conversar com Deus, Felicidade, Sonhos de um palhaço e, seu maior sucesso: O Homem de Nazareth! Antônio Marcos foi ao andar de cima em 1992, mas suas canções são ecoadas em todo o país e regravadas por diversos artistas!

Um forte abraço a todos!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

As cidades cantadas - 6

Hoje é o aniversário de uma das mais importantes cidades pernambucanas: Caruaru, que entra na série As cidades cantadas. Localizada no Agreste pernambucano e conhecida por possuir a feira da sulanca, a maior do planeta, onde dizem que tudo se encontra, desde o artesanato típico da cultura local até roupas produzidas por um dos principais pólos de confecção do país.

Caruaru também se destaca por apresentar o melhor São João do mundo, com várias atrações e eventos típicos da maior festa junina do país. Aqui cria-se o maior cuscuz, a maior pamonha, o vôo do forró, o trem do forró, o pátio do forró, etc. Além de oferecer a seu povo e da região, todo o mês de junho com festas em quase todos os principais pontos da cidade.

Conheço os principais pontos turísticos dessa cidade e confesso que é daqueles lugares que nos sentimos bem ao visitá-los, com aquele desejo de voltar logo! Na imagem, o Morro Bom Jesus, o mais alto e que se encontra no coração da cidade. E ficamos com a letra de A feira de Caruaru, imortalizada por Luiz Gonzaga:

A feira de Caruaru
(Onildo Almeida)

A Feira de Caruaru,
Faz gosto a gente vê.
De tudo que há no mundo,
Nela tem pra vendê,

Na feira de Caruaru.
Tem massa de mandioca,
Batata assada, tem ovo cru,
Banana, laranja, manga,
Batata, doce, queijo e caju,
Cenoura, jabuticaba, guiné, galinha, pato e peru,

Tem bode, carneiro, porco,
Se duvidá... inté cururu.
Tem cesto, balaio, corda,
Tamanco, gréia, tem cuêi-tatu,
Tem fumo, tem tabaqueiro, feito de chifre de boi zebu,
Caneco acuvitêro, penêra boa e mé de uruçú,

Tem carça de arvorada,
Que é pra matuto não andá nú.
Tem rêde, tem balieira, mode minino caçá nambu,
Maxixe, cebola verde, tomate, cuento, couve e chuchu,
Armoço feito nas cordas,pirão mixido que nem angu,
Mubia de tamburête, feita do tronco do mulungú.

Tem louiça, tem ferro véio, sorvete de raspa que faz jaú,
Gelada, cardo de cana, fruta de paima e mandacaru.
Bunecos de Vitalino, que são cunhecidos inté no Sul,
De tudo que há no mundo, tem na Feira de Caruaru.

Um forte abraço a todos!

domingo, 17 de maio de 2009

Juventude Transviada

Com essa letra da canção de Luiz Melodia me questiono como muitos de nossos jovens andam sem orientação. Cada vez mais cedo presenciamos moças grávidas, embriagadas e até drogadas. O mesmo podemos dizer com rapazes que confundem liberdade com excesso.

É claro que não são todos, mas um número muito significativo de pessoas que são esquecidos por seus pais e superiores ou que simplesmente os ignoram. E professores, pais, religiosos são excluídos de seus aprendizados, quando na verdade, deveriam sem focos de atenção e orientação para esses postulantes a revolucionários num mundo cada vez mais desigual! Fica a letra, fica a reflexão...

Juventude Transviada
(Luiz Melodia)

Lava roupa todo dia, que agonia
Na quebrada da soleira, que chovia
Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
Uma mulher não deve vacilar

Eu entendo a juventude transviada
E o auxílio luxuoso de um pandeiro
Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
Uma mulher não deve vacilar

Cada cara representa uma mentira
Nascimento, vida e morte, quem diria
Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
Uma mulher não deve vacilar

Hoje pode transformar,
e o que diria a juventude
Um dia você vai chorar,
vejo clara as fantasias...

Um forte abraço a todos!

sábado, 16 de maio de 2009

Fábio Jr. Ao vivo

Em 2003 Fábio Jr. gravou talvez o melhor show de sua carreira em dvd e cd duplo. Com a produção de Franco Scornavacca e gravado no Olympia em São Paulo, o projeto retrata as canções mais marcantes de sua carreira.

O show começa com O amor, seguida dos clássicos Só você, Enrosca, Eu me rendo, O que é que há, Senta aqui e Seu melhor amigo. Num momento mais intimista, Fábio dedilha ao violão a canção Volta, regravada recentemente por ele mesmo, esse clássico da música brasileira de Lupicínio Rodrigues.

Na sequência, mais clássicos de seu repertório: Pareço um menino, Volta ao começo e Rio e canoa. O ponto alto de todo show do Fábio é quando ele recorda seu relacionamento com seu pai e, após uma conversa aberta com seu público fiel, emociona a todos com a interpretação de seu maior sucesso: Pai. Chico Xavier e Choro encerram outro momento mais intimista do cantor.

O show se encerra com Em cada amanhecer, Felicidade, Alma gêmea, Quando gira o mundo, Caça e caçador, 20 e poucos anos e Ilumina. Algumas de suas canções, verdadeiros clássicos, ganham nova roupagem em seus arranjos, sem perderem sua marca registrada de grande intérprete da música brasileira!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Estou a dois passos do paraíso...

Uma banda muito famosa no início dos anos 80 foi a Blitz, tendo como vocalista o Evandro Mesquita e como vocal de apoio Fernanda Sampaio de Lacerda Abreu, que mais tarde seguiria carreira solo e seria conhecida simplesmente por Fernanda Abreu, e evoluiu do pop rock de sua antiga banda para outros estilos como Sambalanço, Rap e Funk.

Fernanda se lançou em carreira solo em 1990, tendo seu primeiro disco produzido por Hebert Viana e já alcançou sucesso com A noite, Você pra mim e Luxo pesado. Em seu segundo disco brilhou o sucesso de Jorge da Capadócia e alcançou definitivamente seu reconhecimento com Rio 40 graus. Nos anos posteriores outros sucessos como Garota sangue bom, Brasil é o país do suingue, É hoje, Kátia Flávia, Sou da cidade, São Paulo-SP, Meu CEP é o seu, Urbano Capital, Megalópole-Cidade, Eu vou torcer, A dois passos do paraíso e Veneno da lata.

Seja associada ao Funk ou ao Rap, seja em clipes bem produzidos para a Mtv, seja em composições contemporâneas, Fernanda Abreu se faz um novo nome para a música brasileira e firma cada vez mais sua carreira, cativando cada vez mais seu público fiel.

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Vem pros meus braços meu amor, meu acalanto...

Mais um dos grandes sambistas dessa terra abençoada pela diversidade musical: Arlindo Domingos da Cruz Filho, o grande Arlindo Cruz. Oriundo do grupo Fundo de Quintal, o carioca Arlindo Cruz é também um dos grandes nomes da composição do samba e já aos sete anos ganhou seu primeiro cavaquinho. Aos doze já tocava de ouvido.

Mais tarde, após ter aulas musicais, participou de rodas de samba com vários artistas, entre eles Candeia, a quem considera um padrinho musical. Anos depois já participava de rodas de samba do Cacique de Ramos ao lado de pessoas que se tornariam seus parceiros musicais, seja interpretando suas canções ou compondo em parcerias, como é o caso de Jorge Aragão, Almir Guineto, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho. Seus primeiros sucessos são gravados, entre eles: Lição de malandragem, Grande erro e Novo amor.

Com a saída de Jorge Aragão do grupo Fundo de Quintal, assumiu o posto de vocalista e permaneceu ali por doze anos, revelando os sucessos: Seja sambista também, Só pra contrariar, Castelo cera, O mapa da mina e Primeira dama. Outros sucessos são Bagaço de laranja, Casal sem vergonha, Dor de amor, Quando eu te vi chorando, Jiló com pimenta, Partido alto mora no meu coração, A sete chaves, Pra ser minha musa, Ainda é tempo pra ser feliz e Onde está. Arlindo difundiu o banjo no mundo do samba e atualmente divulga seu novo trabalho: Mtv Ao vivo, onde comemora seus 50 anos. E o mundo do samba e da música brasileira aplaude mais esse sucesso

Um forte abraço a todos!