terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os Músicos do Brasil - 2

Dando continuidade à série que homenageia nossos grandes músicos nacionais, abordaremos hoje um fruto do Clube da Esquina, o maestro Wagner Tiso Veiga, natural de Três Pontas/MG. Um dos maiores músicos não só do Brasil, mas do mundo, Wagner Tiso sempre foi autodidata, mas aperfeiçoou-se em teoria musical com Paulo Moura, especializando-se em teclado. Sua carreira começou oficialmente em 1958.

Mais tarde, já nos anos 60, participou como compositor nos festivais e acompanhou gente como Maysa e Cauby Peixoto. Nos anos 70, fez arranjos para Gonzaguinha e para o próprio Milton Nascimento a quem tem sua carreira bastante atrelada até os dias atuais. Lançou seu primeiro disco solo em 1978. Sempre compôs com Milton e foi com ele que fez um de seus maiores sucessos, um hino nesse país: Coração de estudante.

Tiso possui em seu currículo grandes nomes da nossa música, seja acompanhando em shows, especiais ou em discos, além dos já citados, atuou ao lado de Ney Matogrosso, Nana Caymmi, Alceu Valença, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Djavan, Edu Lobo, Elis Regina, Emílio Santiago, Fafá de Belém, Fagner, Gilberto Gil, Ivan Lins, Joanna, João Bosco, Lenine, Simone, Paulinho da Viola, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gal Costa, entre outros. Inclusive, foi maestro em um dos discos mais lindos da Gal, seu Acústico Mtv. Estes são apenas alguns pontos de uma carreira mais que bem sucedida, que inclui trilhas de novelas, filmes, teatros, entre outros trabalhos desse músico de qual o país muito se orgulha!

Um forte abraço a todos!

domingo, 4 de outubro de 2009

Projeto "O grande encontro"

A música brasileira tem hoje mais um sessentão, a voz inconfundível de Zé Ramalho! Aproveitando seu aniversário, sob dica do grande Vinícius Faustini, abordaremos um projeto grandioso do qual Zé e seus amigos participaram, os cds O grande encontro.

Em um projeto que unia dois cumpadres pernambucanos e dois primos paraibanos, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e Zé Ramalho sempre possuíram muita afinidade musical, mas apenas em 1996, se uniram a seus violões no palco do Canecão para lançar esse projeto que reunia parte do show que fizeram com destaque para interpretações como Sabiá, Dia branco, O amanhã é distante, Admirável gado novo, O trem das sete, Chão de giz, Veja, Chorando e cantando, Banho de cheiro e Frevo Mulher.

Acredito que o sucesso surpreendeu a todos, inclusive aos artistas que se revezavam no palco, sendo que no início e no final do show, estavam todos lá unidos e interpretando seus clássicos e canções que admiravam em comum. O volume dois foi gravado em estúdio e saiu em 1997. Pena que Alceu, que se desentendeu dos demais já não estava nessa empreitada, que se destaca por interpretações como Disparada, O princípio do prazer, Eternas ondas, Bicho de sete cabeças, Canta coração, Canção da despedida e Ai que saudade d´oce.

O terceiro e último projeto dessa série sai em 2000, volta a ser ao vivo e apresenta, além do cd e do dvd, convidados que deixam esse encontro ainda maior: Belchior, Lenine e Moraes Moreira dividiram o palco respectivamente com Zé, Elba e Geraldo. Destaque para as faixas Táxi lunar, Dona da minha cabeça, Frisson, Você se lembra, Garoto de aluguel, Petrolina-Juazeiro, A terceira lâmina. Em 2006, para matar um pouco a saudade, saiu a coletânea O melhor do grande encontro, com alguns dos clássicos já citados, desse projeto histórico da nossa música!

Um forte abraço a todos!

sábado, 3 de outubro de 2009

Brejo da Cruz

Interpretar uma canção do Chico é sempre uma tremenda ousadia! Chico é um gênio, nada mais a declarar! Brejo da Cruz é uma cidade do sertão da Paraíba e mais uma genialidade do Chico se observa nessa letra, quando ele aborda o êxodo das pessoas que buscam a cidade grande almejando seus sonhos e muitas vezes abraçando apenas frustrações!

Acho o máximo alguns termos utilizados nessa letra como "...a criançada se alimentar de luz... meninos ficando azuis e desencarnando...", simbolizando a fome e a mortalidade infantil. E a sorte desses "aventureiros" é descrita nos detalhes das profissões que adquirem, culminando numa crítica bastante pertinente sobre o esquecimento deles em relação à sua terra natal:

Brejo da Cruz
(Chico Buarque)

A novidade que tem no Brejo da Cruz
É a criançada se alimentar de luz
Alucinados, meninos ficando azuis
E desencarnando lá no Brejo da Cruz

Eletrizados, cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária, assumem formas mil
Uns vendem fumo, tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro, cego tocando blues

Uns têm saudade e dançam maracatus
Uns atiram pedra, outros passeiam nus

Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem

São jardineiros, guardas-noturnos, casais
São passageiros, bombeiros e babás
Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças e que comiam luz

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Olha o que amor me faz...

Sandy anda fazendo falta para seu grande público, a maioria de jovens que cresceu ouvindo e cantando os sucessos gravados pela dupla que fez com seu irmão, Júnior. Filha do cantor Xororó, Sandy Leah Lima tá gravando um novo cd e pretende seguir a linha mpb, estilo que já mostrou ter afinidade por diversas vezes, seja no elas cantam Roberto, seja interpretando Elis (sua grande inspiração), seja gravando com Toquinho, Gil e Milton, etc.

E antes que alguém atire alguma pedra de preconceito, pergunto: quem vai negar que suas canções encantaram multidões nesse país? O que dizer de sucessos como A lenda, Inesquecível, Olha o que o amor me faz, Com você, Imortal, As quatro estações, Era uma vez, Um segredo e um amor, Chuva de prata, Desperdiçou, entre outras?

Uma das interpretações mais marcantes e sinal de que seguiria carreira solo foi a faixa Um segredo e um amor, já interpretada anteriormente por Jorge Vercilo e que consta atualmente na novela Alma gêmea. Com um eterno timbre doce, Sandy tem no público uma grande admiração, jovens que a amam com devoção o que já caracterizou altas vendas na música brasileira!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Os compositores do Brasil - 19

A série Os compositores do Brasil apresenta hoje um conterrâneo, que teve muitas de suas canções como topo nas paradas dos anos 80: Paulo de Souza, mais conhecido no meio da composição como Paulo Debétio. Seu primeiro grande sucesso veio em 1976 na voz de Alcione: Retalhos.

Poucos conhecem seu nome, mas muitos conhecem seus sucessos nas vozes de grandes intérpretes: Pelo amor de Deus (Emílio Santiago), Metades (Leci Brandão), Estrela veja e Bailarina (Wando), Cheiro moreno (Elba Ramalho), Nuvem de lágrimas (Chitãozinho e Xororó e Fafá de Belém), Uma nova mulher (Simone), Tieta (Luiz Caldas), Mano (Leonardo), Um dois três (Chitãozinho e Xororó), Meu amor não vá embora (Beto Barbosa), entre outras.

Com a maioria das suas composições divididas com Paulinho Resende, Paulo Debétio foi e continua sendo muito requisitado pelos grandes intérpretes seja na área de produção, seja como compositor, e suas composições mais marcantes continuam sendo regravadas, o que prova que a boa música transforma-se em algo eterno.

Um forte abraço a todos!

domingo, 27 de setembro de 2009

Caetano Veloso - Novelas

Essa compilação lançada em 2002 mostra sucessos da obra de Caetano Veloso para as novelas globais. Canções de seu repertório que se tornaram clássicos, algumas compostas pelo próprio Caetano e, outras apenas interpretadas por essa grande lenda da música brasileira.

Da trilha de Sem lenço e sem documento, Mário Prata (1977), temos Alegria, alegria, gravada em 1968 e O Leãozinho. Um ano depois veio Gina (escrita por Rubens Ewald Filho e inspirada no romance de Maria José Dupré) e lá estava Caetano com Coração Vagabundo. Homem proibido, Teixeira Filho (1982) trouxe Queixa. Você é linda pintou na trilha de Eu prometo, Janete Clair (1983). Um sonho a mais de Daniel Más (1985) trouxe a canção gravada em inglês Shy moon, um dueto com Ritchie.

Escândalo foi composta para Ângela Rô Rô em 1981, mas só foi lançada por Caetano em 2001 e constou na trilha sonora de O Clone, Glória Perez. Da safra de interpretação temos Felicidade (Felicidade foi embora...), para a novela Olhai os lírios do campo, com texto de Geraldo Vietri a partir do romance de Érico Veríssimo (1980). Em Vale tudo, de Gilberto Braga (1988), tivemos Isto aqui o que é. Para a inesquecível Tieta, adaptação de Jorge Amado (1989), tivemos Meia lua inteira. Dez anos mais tarde, em Suave veneno, de Agnaldo Silva, temos seu maior sucesso de vendas - Sozinho. Nesse mesmo ano, em italiano, temos Luna Rossa, para a novela Terra nostra, de Benedito Ruy Barbosa.

Temos ainda Samba de verão, para a novela Laços de família, de Manoel Carlos (2001) e a faixa que abre essa compilação, Sonhos, vem lá de 1982, e esteve na trilha de Desejos de mulher, de Euclydes Marinho (2002). É uma compilação para quem sempre acompanhou as novelas e se deliciou com os sucessos do Caetano e além disso, mesmo quem não curta esses folhetins globais, sabe que uma compilação, com um repertório assim será sempre agradável aos nossos ouvidos!

Um forte abraço a todos!

sábado, 26 de setembro de 2009

De volta pro aconchego

Ultimamente, tenho explorado algumas canções que emocionam, que tocam os mais distantes recantos da alma e a encanta por completo! É o caso de De volta pro aconchego, do Nando Cordel e do Dominguinhos, imortalizada pela Elba Ramalho! Gravada em 1985 e sucesso nacional da novela Roque Santeiro, essa canção era tema do protagonista da novela, a maior pra mim, em que, de repente, sem entender as mudanças que sucederam sua ausência, estava de volta a sua terra natal!

Sempre me emociono quando volto a Limoeiro e penso nessa canção! Fico pensando como é bom voltar pra casa, independente de não morar mais lá! Nós, seres humanos, temos condições de termos várias moradas e a sensação de voltar pra casa, de encontrarmos a proteção do nosso lar e o aconchego do local e das pessoas que tanto amamos é realmente indescritível! E nesse ponto, a pessoa amada é o melhor aconchego, onde saciamos a saudade e encontramos a felicidade enfim, como diz a letra:

De volta pro aconchego
(Nando Cordel e Dominguinhos)

Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço
Para aliviar meu cansaço e toda essa minha vontade

Que bom, poder tá contigo de novo
Roçando o teu corpo e beijando você
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam
A paz que eu gosto de ter.

É duro, ficar sem você vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar na felicidade sem fim...

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um dia a estrela vai brilhar e o sonho vai virar realidade...

Eu poderia ter feito uma série intitulada de filho peixe da música brasileira, peixe também é! Pois aqui está mais uma grande cantora, filha de outra extraordinária intérprete da nossa música: Luiza Possi Gadelha, filha de Zizi Possi. Natural do Rio de Janeiro, Luiza começou sua carreira como cantora em 2002, quando participou de um show de sua mãe, e em seguida lançou seu primeiro disco.

E já mandou para as rádios e para o público que conquistou, hits como Dias iguais, Eu sou assim, Tudo que há de bom, Tanto faz, Sem você, Além do arco-íris, Nem bem acordo, Ilegal imoral ou engorda, Em busca da felicidade, Escuta, Folhetim, Me faz bem, Tudo certo, entre outras.

Esse ano foi especial para Luiza, pois além de participar, com sua mãe e outras divas, do projeto elas cantam Roberto, também lançou um novo cd com boa aceitação de crítica, afinal, Bons ventos sempre chegam e, com esse título, o sucesso estará cada vez mais próximo desse nome contemporâneo que os bons ventos trazem para a música brasileira!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Só liguei porque te amo...

Com um pouco de raridade costumo destacar alguns grandes artistas internacionais que muito influenciaram nossos ídolos e nossa música. É o caso do Stivie Wonder que muito já tocou em nossas rádios, seja com seus sucessos originais ou em algumas releituras e versões feitas por artistas como Gilberto Gil, Gal Costa, Adilson Ramos, Alcione, Eduardo Lages, entre outros.

O grande sucesso do Stivie também no Brasil foi I just called to say i love you que tornou-se grande hit e teve várias regravações, inclusive no Brasil temos duas versões dessa canção, uma interpretada pelo Gil e outra pelo Adilson. Outros grandes sucessos seus por aqui foram Overjoyed, Lately, My cherie amour, My love, Isn't she lovely, entre outras.

Stivie não é apenas um grande nome americano ou mais um cantor internacional que fez sucesso no Brasil, mas suas canções, seu trabalho, de um modo geral atravessa fronteiras e influenciou e ainda influencia muitos nomes em nosso país, mesmo os que nunca navegaram em seu repertório! Então, vez por outra, ao vasculhar um pouco sobre os grandes artistas desse país, entre suas principais influências e admirações estão nomes como o do Stivie Wonder, retratado nessa singela homenagem!

Um forte abraço a todos!

domingo, 20 de setembro de 2009

Tim Maia in Concert

Na década de 80, a Rede Globo apresentava um programa com grandes nomes da nossa música, como uma série denominada In concert. Foi o caso do eterno síndico Tim Maia. Em uma gravação que mescla trechos de um show e também trechos de comentários/entrevista feita com o Tim, o cd/dvd foi lançado em 2007.

O repertório privilegiava alguns clássicos do artista apresentados em sua então atual turnê como Vale tudo, Descobridor dos sete mares, Do leme ao portal, Me dê motivo, Você, Azul da cor da mar, Gostava tanto de você, Você e eu eu e você, A festa do Santo Reis, Coronel Antônio Bento e Sossego. Na realidade, Tim não apenas cantava, mas brincava e muito se divertia com sua plateia e com sua banda Vitória Régia, que nessa data contava com músicos convidados como Paulo Braga e Jacques Morelembaum.

É legal ver a Globo abrindo seu baú e lançando coisas inesquecíveis como apresentações de grandes artistas, como é o caso do Tim e torçamos para que isso aconteça cada vez mais, sobretudo porque temos uma carência enorme de grandes programas como esse, na atualidade. Mas, voltando ao dvd, nos extras temos fotos e entrevista rápida com o Síndico que contou, na plateia, com famosos como Erasmo Carlos e Lulu Santos e agora, com esse cd/dvd, o país inteiro pode matar a saudade da eterna voz inconfundível de Tim Maia.

Um forte abraço a todos!

sábado, 19 de setembro de 2009

120, 150, 200 km por hora

Essa canção muito me emociona! E acredito que todos que dirijam, que já tiveram a solidão de uma estrada à noite, entendem o que estou falando! Mas, Roberto uniu a esse ambiente a saudade daquele velho amor que se acentua como a aceleração que o carro sofre! E o mais legal é presenciar o aumento simultâneo do desespero do personagem e da velocidade, com o decorrer da letra.

É claro que nossas atuais estradas não permitem tanta rapidez, nem precisamos de tanto pois corremos vários riscos em sofrer tamanha velocidade, mas é muito interessante pensar que o amor e a velocidade caminham juntos para apagar as marcas que ficaram no caminho da saudade:

120, 150, 200 km por hora
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140, fugindo de você

Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum

O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160, vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão a 180
Estou fugindo de você

Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação de ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
Vou parar de pensar em você pra prestar atenção na estrada

Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar...

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tá tudo cinza sem você...

Cantor, compositor, baterista e guitarrista, esse é João Luiz Woerdenbag Filho, ou como todos já conhecem: Lobão. Natural do Rio de Janeiro, Lobão é também apresentador de um programa de debates sobre vários assuntos na MTV. Foi na emissora que também gravou um dos discos mais aplaudidos recentemente, seu Acústico MTV, onde faz releituras de grandes sucessos como Me chama, gravado também por João Gilberto.

Lobão atuou com artistas como Lulu Santos e Ritchie na banda Vimana, em seu início de carreira. Mais tarde, Cazuza gravou seu sucesso Vida louca vida. Trabalhou com Luiz Melodia e Marina Lima e fundou a Blitz, saindo dessa antes de seu sucesso nacional. Entre outros sucessos, podemos destacar: Corações psicodélicos, Bambina, Vou te levar, A gente vai se amar, O mistério, Pra onde você vai, Noite e dia, A vida é doce, etc.

Lobão é tido como uma figura polêmica, mas apesar de ainda conhecer pouco sobre seu trabalho, gosto do seu programa e de como o conduz de forma sempre inteligente, nos debates sobre os temas abordados. E suas canções cultivam um público forte e fiel que reconhecem nele um grande nome de nossa música!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Tudo que há em mim só quer sentir saudade...

Ela foi a maior cantora de seu tempo, um nome inesquecível para muitos artistas que ainda hoje estão na ativa: Elizeth Moreira Cardoso, natural do Rio de Janeiro. Desde pequena, Elizeth já cantava, influenciada pelo pai, seresteiro que tocava violão e, pela mãe que gostava de cantar.

Seus primeiros passos como profissional foram dados na Rádio Guanabara, onde apresentou-se com artistas já consagrados como Vicente Celestino, Moreira da Silva, Araci de Almeida e Noel Rosa. Destacou-se no choro e na interpretação de Samba-canções, sendo considerada a melhor nesse estilo ao lado de nomes consagrados também em sua época como Ângela Maria, Dolores Duran e Maysa. Mais tarde, há quem considere Elizeth como a percussora da Bossa Nova. Muitos apontam seu disco Canção do amor demais, de 1958, com direito a João Gilberto no violão, como o marco inicial desse movimento!

Na década de 60, Elizeth teve um programa de televisão, o Bossaudade, onde vários ídolos de hoje, pupilos seus, começaram sua carreira. Entre as canções que foram sucesso em sua voz, entre outras, podemos destacar Eu bebo sim, Naquela mesa, Chove lá fora, Eu não existo sem você, Chega de saudade, A noite do meu bem, Apelo, No rancho fundo, As rosas não falam, Chão de estrelas, Bom dia tristeza, Demais, Carinhoso, Feitiço da Vila, Carolina, Preciso aprender a ser só, Por causa de você, Manhã de Carnaval, Outra vez, Foi a noite, Eu disse adeus, Tive sim, Se todos fossem iguais a você, Insensatez, etc. Elizeth se foi em 1990, mas continua sendo lembrada simplesmente como Divina, por sua contribuição à música brasileira, uma diva por excelência!

Um forte abraço a todos!

domingo, 13 de setembro de 2009

Eduardo Lages - Nossas canções

Este é o trabalho mais importante que indico esse ano. Falei e falarei de diversos outros trabalhos maravilhosos, mas este aqui tem algumas importâncias peculiares: é de um grande ídolo, de um amigo, de uma pessoa admirável e posso afirmar com orgulho e humildade que tem um pouquinho de mim nele!

Produzido pelo próprio maestro, Nossas canções chegou às lojas há poucos dias e já é sucesso garantido. Há um bom tempo, um cd não me levava às lágrimas, mas acredito que o motivo foi a escolha certeira das melodias e letras mais tocantes da obra do rei Roberto Carlos, que completa 50 anos de carreira, e tem nesse trabalho uma homenagem com todo o requinte e elegância que a música instrumental produzida pelo Eduardo Lages nos oferece.

Além do horizonte faz reviver aquele clima campestre, típico da letra de paz que esse hino prega. Outra vez ficou um fox, uma valsinha muito linda, onde ele “exagera” nos detalhes de arranjo, nas frases de sopros. O Portão em versão instrumental está ainda mais tocante, com solos de piano e guitarra! E o que dizer de Não se esqueça de mim que inova com solo de sax muito legal?

Nossa canção faz jus ao quase título do disco, também ficou linda! Negro gato tá um soul muito bacana e o mais incrível é imaginar que Eduardo foi o maestro e o músico dela por inteiro, a programando por inteiro numa experiência positiva. Divino é ouvir Não quero ver você triste com aquele solo de gaita! Acho até que os artistas poderiam explorar mais o som da gaita e o Milton Guedes, que participa do cd, é mestre nisso.

Eu tenho a impressão que Canzone per te, uma canção italiana, transformou-se em um clássico francês, com frases de acordeão, ficou bárbara! O tempo vai apagar entra no hall das mais tocantes e como ficou linda, além de ser explorado aqui o som do hammond de forma suave, como em outras faixas também. E o que dizer de Falando Sério, que virou outro belíssimo fox? Custe o que custar ficou ainda mais romântica e Confissão surpreendeu pela introdução e finalização em um clima de suspense que remete bem à letra.

Mais um trabalho belíssimo que os fãs de Eduardo ajudaram a fazer e agora se deliciam com esse presente musical perfeito! Em seu quinto lançamento, Eduardo demonstra maturidade e sua já consagrada elegância sob o piano e o repertório mais romântico do país! Nossas canções é simplesmente um primor e preza pelo requinte da boa música e dos trabalhos mais agradáveis!

Um forte abraço a todos!

sábado, 12 de setembro de 2009

Vida

Gosto muito do Fábio Jr. O intérprete e o compositor. Essa canção, nem se fala! Recentemente gravada pelo padre Fábio de Melo, Vida é uma das mais lindas filosofias da música brasileira e uma das mais inspiradas do Fábio compositor. Canções assim que nos reanimam, nos mandam seguir rumo norte...

Essa letra, através dos detalhes que descreve das ruas, me faz refletir sobre o abandono, sobre as crianças que pedem, que usam drogas, que passam fome! Nem sei se realmente a letra induz isso, mas me desperta esses pensamentos. Até onde nossa responsabilidade pode fazer mudar esse panorama? O que poderíamos fazer para melhorar tudo isso? E o Fábio responde direitinho essa questão quando diz: "E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto"... Filosofia pura!!! Sem falar em outros problemas que as pessoas carregam consigo no cotidiano e parecem esquecer de curtir as coisas mais lindas da vida, como um pôr-do-sol por exemplo ou uma bela canção como essa:

Vida
(Fábio Jr.)

Pelas ruas da cidade pessoas andam num vai e vem
Não veêm o cair da tarde, vão nos seus passos como reféns
De uma vida sem saída, vida sem vida, mal ou bem

Pelos bancos desses parques, ninguém se toca sem perceber
Que onde o sol se esconde, o horizonte tenta dizer
Que há sempre um novo dia, a cada dia em cada ser

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura
Pra encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno
E dar as mãos e dar de si além do próprio gesto
E descobrir feliz que o amor esconde outro universo

Pelos becos, pelos bares, pelos lugares que ninguém vê
Há sempre alguém querendo uma esperança, sobreviver
Cada rosto é um espelho de um desejo de ser de ter

Talvez, quem sabe, por essa cidade passe um anjo
E por encanto abra suas asas sobre os homens
E dê vontade de se dar aos outros sem medida
A qualidade de poder viver vida, vida, vida

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ser feliz é tudo que se quer...

Naturais de Pelotas/RS, os homenageados de hoje são os irmão cantores e compositores que formam a dupla Kleiton Alvis Ramil e Kledir Alves Ramil. Começaram a estudar música muito cedo e já nos anos 70 faziam parte da banda de rock Almôndegas. Quando o grupo se dissolveu, os irmão prosseguiram como dupla e lançaram seu primeiro disco em 1980, já com o sucesso radiofônico Vira virou. Também participaram de um Festival com a canção Maria Fumaça.

Vários hits sucederam como Deu pra ti, Paixão, Vento negro, Fonte de saudade, Corpo e alma, Nem pensar, Canção da meia-noite, Tô que tô, Noite de São João, etc. Vários artistas gravaram suas canções como Simone, Nara Leão, Caetano Veloso, Fafá de Belém, Zizi Possi, Ivan Lins, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, Leonardo, Emílio Santiago, Belchior, entre outros.

Kleiton e Kledir tornaram-se autênticos representantes gaúchos para o mundo e, mesmo passando um tempo afastados, retomaram e continuam fazendo seus shows país afora, inclusive sendo homenageados em 2002 pela Escola de Samba Caprichosos de Pilares. Mais uma grande dupla, esquecida pela mídia, mas divulgada por seu público fiel que eterniza seus sucessos!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os Músicos do Brasil - 1

O Blog Música do Brasil orgulhosamente inicia uma série onde homenageará os músicos desse país! Não que os artistas que por aqui tem passado não sejam considerados assim, mas falo específicamente em músicos que se dedicam a algum instrumento, acompanhando nossos artistas em suas bandas ou orquestras!

Esses virtuosos merecem destaque por seus trabalhos árduos e pouco reconhecidos. São modestas as referências a seus trabalhos e nem todo artista tem isso em público. Então, vamos homenagear maestros, pianistas, tecladistas, sanfoneiros, violonista, guitarristas, percussionistas, bateristas, Orquestras Sinfônicas e corais, como essa de São Paulo, na foto acima.

Assim como a série que reconhece as obras autorais dos compositores, vamos ver alguns nomes que marcaram os discos e os shows das maiores estrelas de nosso país, alguns mais conhecidos, outros poucos citados! Espero que continuem participando e sintam-se a vontade para deixar nomes que gostariam de vê-los por aqui já nas próximas edições dessa série!

Um forte abraço a todos!

domingo, 6 de setembro de 2009

Eternamente Cauby Peixoto

O professor da mpb completou 55 anos de carreira em 2006 e a comemoração não poderia ser melhor: o grande e último cantor das rádios lançou um cd/dvd onde revive grandes sucessos, além de novas e eternas interpretações às principais canções que marcaram uma carreira mais que bem sucedida.

Após a abertura emendada com a faixa Volto a cantar pra vocês, a eterna voz inicia seu desfile de clássicos brasileiros, passeando por diversos compositores que visitou durante todo esse tempo. É o caso da célebre Começaria tudo outra vez de Gonzaguinha, ou do medley em homenagem a Chaplin Sorri/Luzes da Ribalta. Tom Jobim aparece em Wave e no medley Triste e Garota de Ipanema.

De Chico e Edu, Cauby se mostra por completo em Beatriz. Também navega nas canções internacionais com perfeição como em Just in time e Ne me quitte pas, ambas interpretadas no passado por Maysa. Canções imortalizadas pelo Cauby também não faltam em Blue Gardenia, Tarde Fria, Canção do Rouxinol, Quando te vi e A noiva, esta última com direito a dueto com Agnaldo Timóteo. Djavan empresta sua Flor de lis. Alcione vem para duetos fantásticos em Você me vira a cabeça e A pérola e o rubi.

Roberto Carlos aparece com suas composições emprestadas a seu ídolo em Como é grande o meu amor por você e Emoções. Cauby também interpreta Primavera, do repertório de Tim Maia e não se despede antes de mandar seus dois maiores clássicos Bastidores e Conceição. Nos extras, entrevista e depoimentos de amigos presentes ao show como Claudete Soares e Vanusa. Cauby dispensa qualquer comentário que soaria retundante e para isso basta apenas conferir suas interpretações e sua voz ímpar, considerado por muitos: simplesmente o nosso Sinatra brasileiro!

Um forte abraço a todos!

sábado, 5 de setembro de 2009

Tempos modernos

Tá aí uma coisa insuportável: a tal da hipocrisia. É claro que devamos sempre buscar e plantar a paz! Mas, não podemos fechar os olhos para algumas atitudes e para algumas pessoas que nos atingem de uma forma que a escolha certa é um caminho distinto. Entendo que essa é também uma forma de cultivar a paz!

Não precisamos perder tempo com alguém que nos fez mal e que percebemos que não dá mais para termos uma convivência saudável. Mas, precisamos seguir em frente porque sempre veremos pessoas que nos serão mais valiosas e que ajudarão a formar nossos tempos modernos, trabalhando projetos comuns com muita fé e otimismo. Isso é aproveitar bem o tempo, como diz a canção do Lulu:

Tempos modernos
(Lulu Santos)

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear

Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar, a força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir

Que não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

É que eu sambo direitinho, assim bem miudinho...

Filho de peixe, peixinho é! Incontestável é esse ditado também no mundo do samba, pois a música brasileira tem o prazer de desfrutar do trabalho de Mart´nália Mendonça Ferreira. Filha do sambista Martinho da Vila e de Anália da Vila, seu nome é uma fusão do nome dos pais. Aliás, fez durante muito tempo backing vocal para o pai em seus shows.

Natural da Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, cresceu no berço do samba. Muitos pensam que seu sucesso é recente, mas seu primeiro disco saiu em 1987. Tendo trabalhado com artistas como Ivan Lins, Caetano Veloso e Maria Bethânia, sua experiência se reflete em seus deliciosos sambas, recheados com sua típica malandragem.

Entre vários sucessos de Mart´nália, temos Cabide, Chega, Pé no meu samba, Benditas, Essa mania, Tava por aí, Alegre menina, Sem compromisso, Deixe a menina, Fato consumado, Menino do rio, Boto meu povo na rua, Entretanto, Alguém me avisou, Sonho meu, Tiro ao Álvaro, etc. Tenho certeza que ainda ouviremos muito a falar sobre esse grande talento que o mundo do samba nos oferece através de sua musicalidade!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos...

Quem ouviu essa canção, já na introdução saudando o mês que se inicia hoje talvez não conheça seu criador: Alberto de Castro Guedes ou simplesmente Beto Guedes. Natural do Rio de Janeiro, cresceu em Montes Claros/MG, onde desde adolescente participava de bandas e já aos 18 anos participou do V Festival Internacional da Canção, com a canção Feira moderna, em parceria com Fernando Brant. Tomou projeção nacional por fazer parte do Clube da Esquina com seus parceiros mineiros Milton, Lô e Márcio, Fernando, entre outros.

Após participar de gravações do Milton e lançar um disco em parceria com Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta, apresenta em 1977 seu primeiro disco solo. Amor de índio, talvez seu maior sucesso surge em 1978 e Sol de primavera vem no ano seguinte, com o terceiro trabalho e arranjo de Wagner Tiso e letra de Ronaldo Bastos, antigos parceiros do Clube.

Suas canções já foram interpretadas por vários outros colegas como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Simone, Cauby Peixoto, entre outros. Entre seus grandes sucessos, além dos já comentados, podemos citar Luz e mistério, Clareana, Quando te vi, O sal da terra, Paisagem na janela, As vitrines, Maria solitária, Nascente, etc.

Um forte abraço a todos!

domingo, 30 de agosto de 2009

Gal Bossa Tropical

Depois de abordarmos Gal Costa canta Tom Jobim, Gal Costa Acústico Mtv e, mais recentemente, sua participação no Dvd do Tom Jobim in concert, apresentamos um dos melhores cds de estúdio da Gal, Bossa Tropical, lançado em 2002. Com a produção de Marco Mazzola e a participação de músicos como Armandinho e Paulo César Barros, o cd reune novos e veteranos compositores na obra da Gal.

É o que podemos ouvir na faixa de abertura e principal hit do disco: Socorro, de Arnaldo Antunes. Os Beatles aparecem em seguida na interpretação de The Fool on the hill. Wander Lee teve um grande impulso em sua carreira após Gal gravar Onde Deus possa me ouvir. O tremendão Erasmo Carlos aparece emprestando a Gal seu clássico Mulher (Sexo frágil).

Parece proposital a alternância entre antigos e novos compositores, pois em seguida é apresentada uma canção do Chico César, considerado mais recente, em Quando eu fecho os olhos. Na sequência, uma canção do Caetano Veloso em Desde que o samba é samba. Os Titãs aparecem em Epitáfio, composição de Sérgio Brito.

Outros clássicos também aparecem com As time goes by, Ovelha negra (Rita Lee), Marcianita, O amor em paz (Tom e Vinícius) e Cada macaco no seu galho. Com um toque pop e considerado inovador, esse é mais um grandioso trabalho de quem não mais precisa provar porque seu nome é Gal...

Um forte abraço a todos!

sábado, 29 de agosto de 2009

Amar é tudo

Gosto muito do Djavan. Seu romantismo, sua forma de compor, seus hits apaixonados que encantam e embalam tantos casais país afora! Essa canção é um exemplo disso: uma letra curta, uma declaração de amor que termina afirmando algo que ninguém duvida: o amor é tudo!

Djavan figura entre os grandes nomes da nossa música e, mais que isso, está presente no repertório de um público cada vez mais forte e fiel, o que é bastante significativo para um astro de sua grandeza! Amar é tudo é simplesmente uma das mais belas de seu repertório, embora não se destaque como um clássico, gravada no cd duplo ao vivo de 1999:

Amar é tudo
(Djavan)

Meu amor
Eu nem sei te dizer quanta dor
Mesmo a noite não sabia
O que o amor escondia

Minha vida
Que fazer com minha alma perdida
Foi um raio de ilusão
Bem no meu coração

E veio com tudo
Dissabor e tudo
Veio com tudo
Dissabor e tudo

Eu sei,
Eu não sei viver sem ela
Assim, um simples talvez me desespera

Ninguém pode querer bem sem ralar
Na há nada o que fazer
Amar é tudo

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Você vai entender a força de um pensamento...

Na música brasileira encontramos todos os ritmos e todas as influências. O reggae, vez por outra explorado por Gilberto Gil tem na banda Cidade Negra um de seus maiores afluentes nacionais. Formada no início dos anos 80 por Toni Garrido (voz), Bino (baixo), Da Gama (guitarra) e Lazão (percussão), a banda é classificada como pop, embora vá do reggae de Bob Marley até o soul de Tim Maia entre diversas influências.

O primeiro disco da banda só veio em 1991 com Lute para viver, já com a participação de Jimmy Cliff e ainda com o vocalista Rás Bernardo que, em seguida deixou a banda sendo substituído por Toni, que ao entrar deixou a banda mais pop e emplacou o primeiro sucesso Onde você mora. Vários sucessos emplacados na música brasileira como Sábado à noite, Firmamento, Girassol, O Erê, Pensamento, Perto de Deus, A cor do sol, A estrada, Onde você mora?, etc.

Atualmente a banda conta com Alexandre Massau, que ficou no lugar de Toni Garrido quando este saiu para seguir carreira solo em 2008. Em 2002 foi lançado o Acústico mtv e em 2008 o Perfil do grupo, ambos com grande vendagem. Na foto acima, a clássica formação do grupo com o Toni que segue carreira solo com seu sempre sucesso, e o mesmo pode-se dizer da banda Cidade Negra com o atual vocalista Alexandre!

Um forte abraço a todos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os compositores do Brasil - 18

Natural de Porto Alegre, Lupicínio Rodrigues sempre foi tido como um grande nome da composição romântica, além de ser responsável pelo hino do Grêmio, seu time de coração. Desde menino compunha marchinhas carnavalescas e quando serviu ao exército fez parte de um conjunto musical de soldados. Considerado um boêmio nato, perdeu um grande amor na juventude por conta dessa característica, o que culminou em grandes composições contando essa dor.

Já no Rio de Janeiro, nos anos 40 conheceu grandes nomes da boemia como Ataulfo Alves, Wilson Batista e Francisco Alves, que seria um de seus maiores intérpretes. Ainda nos anos 30 conseguiu seu primeiro sucesso com Se acaso você chegasse. Daí pra frente, várias canções foram sucessos, algumas se tornando clássicos da música brasileira como é o caso de Volta, Nunca, Esses moços (pobres moços), Nervos de aço, Felicidade, Vingança, Cadeira vazia, Loucura, Quem há de dizer, Um favor, entre outras tantas.

Lupicínio é tido como um compositor dor-de-cotovelo, letras típicas de um amor amargurado, mas alheios a esse rótulo vários artistas da nossa música brasileira gravaram e continuam gravando suas composições. Basta citar Joanna que fez um disco todo em sua homenagem! Ou Fábio Jr. que resgatou o sucesso Volta, gravado anteriormente por Gal Costa. O próprio Fábio já havia gravado Esses moços, sucesso também de Emílio Santiago e Nelson Gonçalves, entre outros. Caetano Veloso foi de Felicidade e Simone já mandou Nervos de aço, além de Leonardo também já ter gravado essa canção. Zizi Possi e Fagner já gravaram Nunca. Elis Regina, Paulinho da Viola, Nana Caymmi e Jamelão também já visitaram seu repertório, o que caracteriza a diversidade maior de intérpretes que navegam no mar desse grande compositor!

Um forte abraço a todos!

domingo, 23 de agosto de 2009

Roberto Carlos 2005

Em 2005 Roberto Carlos lançou um de seus trabalhos mais ecléticos. O projeto surgiu ainda em meados de 2000, quando o rei pensou em gravar um cd todo com repertório neo-sertanejo. Ano a ano decidia retomar e sempre adiava, até que em 2005 emplacou, com algumas reformulações e resultou nesse belíssimo disco.

Roberto resgatou Promessa que ficou bárbara! Uma de suas antigas composições com Erasmo que nunca havia gravado, corrigiu isso e deu uma belíssima interpretação. O mesmo pode-se dizer de A volta, que fez parte da trilha sonora da novela América, da Rede Globo e mais que isso, tornou-se um clássico na obra do rei. No disco amor sem limite, Roberto gravou uma canção que a reformulou, apresentando nesse projeto com solos e frases distintas da outra versão.

Roberto também realizou um antigo sonho da dupla Chitãozinho e Xororó gravando um dueto com eles na guarânia Arrasta uma cadeira. Também intimou Dominguinhos e sua sanfona para dar uma versão mais "saloon" para o Baile da fazenda, sucesso de 1998. Uma das releituras mais lindas desse projeto está em Coração sertanejo em que o rei tem dá uma suave interpretação a esse belíssimo clássico sertanejo. Outro clássico resgatado por sua majestade foi Índia, também tema de novela, Alma gêmea. Roberto foi fundo na interiorização do país, buscando suas raízes e dando uma versão bem country para Meu pequeno cachoeiro. E para encerrar, o rei do rock, também adepto a countrys, Elvis aparece na releitura de Loving you.

Esse foi um disco em que muitas canções foram cogitadas e algumas, de repente o rei nem sequer as gravou! Só pra citar algumas, "teríamos" Pense em mim, É o amor, Evidências, Não aprendi dizer adeus, Meu grito, Todas as manhãs, Caminhoneiro, entre outras que foram cogitadas para esse disco que veio apenas com nove canções, mas que serviu para o rei mostrar porque plantou em fãs, como esse que vos escreve, a ideia lúcida de que apreciar a música neo-sertaneja não é nenhuma falta de bom senso e, acima de preconceito e discriminações, mostrou através de gravações com levadas sertanejas que também é rei nesse e em todos os ritmos! O que justifica sua bem sucedida participação hoje na Festa de Barretos, Roberto ensina a todos porque é rei, pois está acima de qualquer julgamento e sabe mostrar seu bom gosto sempre com sua elegância ímpar!

Um forte abraço a todos!

sábado, 22 de agosto de 2009

Hoje eu quero sair só

Eu gosto muito do Lenine, de sua batida, de seus acordes dissonantes, de sua musicalidade com várias influências, de suas letras, algumas vezes longas e sempre inteligentes! Essa canção, por exemplo, é um de seus clássicos! Explora o desejo de solidão que, vez por outra, alguns de nós temos!

A solidão é vista como algo a ser evitado, uma dor. Mas, em determinados momentos, são nesses instantes que nos encontramos com nós mesmos! É quando dá vontade de sair só e quem sabe, meditar ao som de Lenine:

Hoje eu quero sair só
(Lenine)

Se você quer me seguir não é seguro
Você não quer me trancar num quarto escuro
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só...

Você não vai me acertar à queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só...

Não demora eu tô de volta
Vai ver se eu tô lá na esquina, devo estar
Já deu minha hora e eu não posso ficar

A lua me chama, eu tenho que ir prá rua
A lua me chama, eu tenho que ir prá rua
Hoje eu quero sair só!
Hoje eu quero sair só!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos...

Amélia Cláudia Garcia Colares Bucaretchi é uma das grandes cantoras desse país. Mas, todos a conhecem simplesmente por Amelinha! Narural de Fortaleza, iniciou sua carreira na década de 70 com outros grandes nomes como Fagner, Belchior e Ednardo. Em 1980, venceu o Festival da Rede Globo, o Mpb - 80 com a canção Foi Deus que fez você, talvez seu maior sucesso.

Outros sucessos de sua carreira viriam com Depende, Flor da paisagem, Frevo mulher, Dia branco, Gemedeira, Valsinha, Pisa na fulô, A vida de viajante, Pressentimento, Espumas ao vento e aquele que é considerado seu maior sucesso: Mulher nova, bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor, de Zé Ramalho. Essa canção foi um grande sucesso, além de ser uma das canções com títulos mais longos da música brasileira.

Amelinha anda meio afastada dessa ingrata mídia, mas continua fazendo seus shows com seus suscessos inesquecíveis que conquistaram milhares de fãs que compraram seus milhões de discos e não esquecem de repetir seus versos e assobiar suas melodias!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Hoje os nossos sonhos serão verdades...

Mais um dos grandes nomes da nossa música brasileira, Marcos Kostenbader Valle é um dos nomes da Bossa nova e da composição nacional, ao lado de seu irmão Paulo Sérgio Valle, já retratado na série Os compositores do Brasil. Natural do Rio de Janeiro, estudou piano clássico já aos seis anos de idade. A primeira composição da dupla foi Sonho de Maria em 1963.

Começou tocando no trio formado por ele, Edu Lobo e Dori Caymmi. Grava seu primeiro disco em 1962. Em 1964 compôs seu maior sucesso: Samba de verão que possui mais de oitenta regravações só nos Estados Unidos. Aqui no Brasil foi regravada por grandes nomes como Caetano Veloso, por exemplo. Já nos anos 70 compôs o jingle natalino mais famoso do país: Hoje é um novo dia (Um novo tempo), o jingle da Rede Globo, repetido ano a ano, sempre com novos clipes e versões! Em 2007, compôs também o tema da árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, além de vários temas de novelas globais.

Outras canções famosas de seu repertório são Preciso aprender a ser só, Viola enluarada, Terra de ninguém, A resposta, Ao amigo Tom, Como as ondas do mar, Paixão antiga, Tanta solidão, Deus brasileiro, entre outras que caracterizam esse grande músico que destacamos estar presente também no repertório de artistas como Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gilberto Gil e Elis Regina.

Um forte abraço a todos!

domingo, 16 de agosto de 2009

As cidades cantadas - 7

E a série As cidades cantadas volta hoje para homenagear mais uma representante nordestina: a aniversariante do dia, Teresina/PI. Confesso que quando iniciei essa série, algumas cidades e homenagens me vieram à mente, mas Teresina não foi uma delas e isso porque conhecia pouco sobre essa belíssima capital. Mas, eu apenas esquecera que o James me daria a dica. O James, ou melhor, Zé Jeimis como o chamo, é um garoto esperto criador do site RCBraga, presente em meus favoritos, ao lado! O site tem sido campeão na divulgação dos passos e da obra do rei!

Teresina é cantada no repertório de Gonzaga, De Teresina a São Luiz, numa belíssima viagem realizada pelo rei do baião! Mas, é imortalizada na canção do Caetano, Cajuína! Não conheço pessoalmente, mas pelas fotos que encontrei trata-se de uma belíssima cidade do Nordeste brasileiro! Então Zé Jeimis, eis aqui sua cidade, sua Cajuína e nossa singela homenagem a você também, ilustre morador e amigo nosso sempre!

Cajuína
(Caetano Veloso)

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina

Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

Um forte abraço a todos!

sábado, 15 de agosto de 2009

Perfil Rita Lee

Rita Lee também ganhou sua coletânea Perfil, com alguns de seus principais sucessos! Com tantos hits radiofônicos fica difícil reunir em um só disco, seus clássicos. Acredito que, mesmo se fosse duplo, deixaria a desejar. Mas, a coletânea Perfil foi fiel às várias fases da Rita, com seus sucessos originais de todas as fases de sua carreira.

É o que comprovamos na mais antiga On the rocks ou na mais recente Amor e sexo. Ou nos clássicos Lança perfume, Mania de você, Baila comigo, Banho de espuma, Caso sério. Ou nas menos lembradas, mas não menos marcantes Chega mais e Saúde. Ou nas mais inusitadas Nem luxo nem lixo, Agora só falta você e Jardins da Babilônia. Ou nas outras clássicas Doce vampiro, Ovelha negra, Bwana e Desculpe o auê!

Rita é sem sombra de dúvidas uma senhora de repertório vasto e apaixonante! Uma coletânea como essa que traz as letras é ótima para quem quer ter algo dela, mas nunca será suficiente, muito menos para seus fãs que devoram tudo que a "Zorra" apresenta, sempre com um profissionalismo impressionante!

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Quantas flores colhi nos jardins dos meus sonhos e te dei...

A música neo-sertaneja continua tocando e alcançando um público cada vez mais forte! Talvez poucos tenham ouvido falar na dupla de goianos Bruno Vinícius Félix de Miranda e José Roberto Ferreira Marrone. Mas, em Bruno e Marrone, muitos já ouviram e cantaram seus sucessos, embora esse estilo ainda seja um dos que mais sofre preconceitos nesse país!

Como muitos outros artistas, começaram na noite, quando se conheceram em 1986, apresentados por Leonardo. Durante dez anos cantaram em bares, restaurantes, comícios e festas agropecuárias. Só em 1994 conseguiram gravar seu primeiro disco com o sucesso Dormi na praça. A cada lançamento, os discos vendiam mais e a dupla tornava-se mais conhecida. Entretanto, foi em 2001, com o lançamento do Acústico, o primeiro sertanejo nesse molde, que a dupla despontou para o sucesso nacional. E o mais curioso é que esse disco surgiu de uma gravação pirata, obrigando a dupla a oficializar o lançamento que reviveu o sucesso Dormi na praça.

A partir disso, vários sucessos se sucederam e a dupla se estabilizou como uma das mais importantes do país, com canções como Quer casar comigo, A saudade não passa, Agora vai, Amor perfeito, Você não me ensinou a te esquecer, Choram as rosas, Vai dar namoro, Vida vazia, Passou da conta, Ligação urbana, Meu disfarce, Detalhes, Amor de carnaval, Nossa Senhora do Brasil, Doce desejo, Por te amar demais, Cavalgada, entre tantos que caracterizam uma das mais respeitadas duplas do país, com um trabalho simples e dedicado a seu público fiel que lota seus shows país afora!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Dia do estudante!!!

Vez por outra comemoramos, sempre com música, algumas datas brasileiras, o que comprova que o brasileiro gosta de cantar suas datas festivas! É o que acontece com o dia de hoje, dedicado aos estudantes! Como sou professor e estudante também, posso olhar pelos dois lados e perceber o quanto é difícil comemorar um dia como esses com tantas dificuldades pelas quais passamos!

Por outro lado, sabemos que o caminho para o bem é esse, plantar a semente do bem no coração das pessoas e é essa mensagem que o Milton traz pra nós com sua canção, seu hino para essa data Cuidar do broto, da boa semente, esse é o caminho! Parabéns a todos os estudantes, pois são os verdadeiros arquitetos desse país!

Coração de estudante
(Milton Nascimento e Wagner Tiso)

Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar

Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu

Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade

Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração, juventude e fé.

Um forte abraço a todos!

domingo, 9 de agosto de 2009

Feliz dia dos pais!!!

É com o sucesso do rei Roberto Carlos e do tremendão Erasmo Carlos, de 1979, que comemoramos o Dia dos Pais nesse segundo domingo de agosto. Essa data mais que justa para a figura masculina de nossa vida, o senhor da família, o ser abençoado que conduz uma família a um mundo mais justo e respeitador! Sobretudo porque ser pai nos dias de hoje é um dom, uma tarefa dificílima diante de valores contraditórios que o ser humano cada dia difunde mais!

Meu querido, meu velho, meu amigo foi lançada no finalzinho dos anos 70 em homenagem a Sr. Robertino, relojoeiro e pai do Roberto. Um ano antes, seria sucesso Lady Laura, canção com a qual Roberto homenageava sua mãe. Parabéns a todos os pais e que Nosso Senhor, Pai dos pais e Nosso Pai, nos cubra de bênçãos sempre!

Meu querido, meu velho, meu amigo
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Esses seus cabelos brancos, bonitos,
Esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, num grito
Me ensinando tanto do mundo

E esses passos lentos, de agora
Caminhando sempre comigo
Já correram tanto na vida
Meu querido, meu velho, meu amigo

Sua vida cheia de histórias
E essas rugas marcadas pelo tempo
Lembranças de antigas vitórias
Ou lágrimas choradas, ao vento

Sua voz macia me acalma
E me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo

Seu passado vive presente
Nas experiências contidas
Nesse coração consciente
Da beleza das coisas da vida

Seu sorriso franco me anima
Seu conselho certo me ensina
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto...

Olhando seus cabelos tão bonitos
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Um forte abraço a todos!

sábado, 8 de agosto de 2009

Coração do agreste

Essa canção é uma das que mais emociona qualquer pessoa natural do interior, como é o meu caso. Não dá pra não lembrar de Limoeiro/PE, minha terra natal, quando ouço Fafá interpretar essa belíssima poesia! Já expressei esse amor por minha terra na série as cidades cantadas em 06/04.

Coração do agreste fez sucesso na trilha sonora de uma das mais belas novelas brasileiras: Tieta do Agreste, adaptação da obra do grande Jorge Amado. E que saudade de grandes novelas assim, onde os temas casavam direitinho com a história e com a paisagem apresentada na novela. Essa canção aborda a volta de um personagem a seu interior, com suas paixões, mágoas e ilusões! Conta com a interpretação fantástica da Fafá de Belém! Na foto, Bonito, cidadezinha do interior de Pernambuco!

Coração do agreste
(Moacyr Luz e Aldir Blanc)

Regressar é reunir dois lados
À dor do dia de partir
Com seus fios enredados
Na alegria de sentir

Que a velha mágoa
É moça temporã
Seu belo noivo é o amanhã

Eu voltei pra juntar pedaços
De tanta coisa que passei
Da infância abriu-se o laço
Nas mãos do homem que eu amei

O anzol dessa paixão me machucou
Hoje sou peixe
E sou meu próprio pescador

E eu voltei no curso
Revi o meu percurso
Me perdi no leste

E a alma renasceu
Com flores de algodão
No coração do agreste

Quando eu morava aqui
Olhava o mar azul
No afã de ir e vir

Ah! Fiz de uma saudade
A felicidade
Pra voltar aqui

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tom Jobim in Concert

Tom Jobim e Gal Costa sempre estiveram próximos em diversos trabalhos. Gal foi uma de suas grandes intérpretes, inclusive lançando trabalho em sua homenagem já comentado aqui no blog! Relançado recentemente, Tom Jobim in Concert é uma prova dessa parceria maravilhosa: um show do Tom em Los Angeles, em 1987, com a participação especial da Gal!

Com uma banda formada por grandes músicos como Danilo Caymmi, Paulo Braga, Jacques Morelembaum e Paulo Jobim, entre outros, o repertório passeia pela obra do Tom em versões brasileiras e americanas. Intercalando com solos de flautas, cordas e piano, temos Samba de uma nota só, Desafinado e Água de beber.

Gal é chamada ao palco e interpreta junto com Tom e banda as canções Dindi, Wave, Anos dourados e Gabriela. E Tom continua sua belíssima apresentação com canções pouco conhecidas como Two Kites, Samba do soho e outras mais conhecidas e clássicas como Chega de saudade, Sabiá e Samba do avião.

O show é encerrado com Waters of March, versão em inglês para Águas de março, e Corcovado, esta última com a Gal de volta aos palcos. Vale ressaltar a beleza do coro que acompanha o Tom, além das vozes de Paulo Jobim em Samba do soho e Danilo Caymmi em Samba do avião, caracterizando um show histórico desse maestro soberano da nossa música brasileira, com a participação de uma de suas principais intérpretes.

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Os compositores do Brasil - 17

Um dos compositores mais celebrados da música brasileira: Paulo César Francisco Pinheiro. Natural do Rio de Janeiro, Paulo César Pinheiro começou a compor ainda na época da Bossa Nova para as letras de Baden Powell. E suas canções foram descobertar por ninguém menos que Elis Regina.

Paulo também teve outros parceiros como Ivan Lins, Dori Caymmi, Toquinho, Guinga, Tom Jobim, Aldir Blanc, Francis Hime, Lenine, entre outros. Vários intérpretes gravam seu trabalho até os dias atuais, dentre mais de oitocentas composições. Entre eles, podemos citar Mpb 4, Elizeth Cardoso, Elba Ramalho, Clara Nunes, Nana Caymmi, Maria Bethânia, Fagner, Joanna, Paulinho da Viola, entre outros.

Suas canções mais conhecidas são Leão do Norte, Quaquaraquaquá, Cai dentro, Lapinha, O poder da criação, Samba do perdão, Aviso aos navegantes, Cicatrizes, Matita perê, À flor da pele, Ana Luiza, Amor alheio, entre outras. Com tantas composições na praça, Paulo César não poderia faltar nessa série que homenageia tantos autores maravilhosos e como é seu caso!

Um forte abraço a todos!

domingo, 2 de agosto de 2009

Luiz eterno Gonzaga!!!

Há exatos 20 anos atrás, Luiz Gonzaga partia para a eternidade! Olha pro céu meu amor, vê como ele tá lindo! E essa frase é sentida em todos os momentos desses 20 anos e será sempre, pois Gonzaga tornou-se aquele artista eterno em nossa história musical há muitos anos atrás! Ninguém cantou o Nordeste, sua terra, seus sentimentos, as tristes partidas e as voltas alegres, personagens e folclore, muitos Gonzagas! São modestas as homenagens prestadas diante de imensa contribuição! Gonzaga foi o porta-voz do Sertão, cantou essa paisagem para o mundo com seus valores!

O candeeiro se apagou, o sanfoneiro cochilou, a sanfona não parou e o forró continuou. Podemos resumir tudo com esse trecho de um de seus clássicos! Mas, outros clássicos dizem mais. Saudade, meu remédio é cantar! E como ele cantava a saudade como ninguém: Ai que saudades tenho, eu vou voltar pro meu sertão! Lá eu sou boiadeiro, vaqueiro, sou viajante!

E os amores heins? Nem se despediu de mim, chegou contando as horas... é que ela só quer, só pensa em namorar... Todo tempo o quanto houver pra mim é pouco pra dançar com meu benzinho numa sala de reboco e se a chuva não atrapalhar meus planos, vou casar no fim do ano! Luiz, respeita Januário e Pensa n´eu vez em quando... Minha vida é andar por esse país pra ver se um dia, descanso feliz! Densacansa Luiz, quem sabe no Riacho do navio que se esconde entre as nuvens!

Gonzaga teve uma importância imensa também em minha vida! Meu avô, quando jovem, era flautista e tocava em uma bandinha local! Com seu irmão, entre outros integrantes, desfilavam os sucessos de Gonzaga! Ainda pequeno, presenciei os dois tocando em casa mesmo e essa lembrança é uma das maiores saudades e também certezas de que Gonzaga é eterno porque onde se ouvir uma simples nota ou acorde de sanfona por aí, sabemos que tem algo de Luiz Gonzaga presente!

Um forte abraço a todos!

sábado, 1 de agosto de 2009

Frio musical

Com esse post, encerramos a série que relaciona as estações do ano com canções da música brasileira. Já abordamos as flores, o calor, os frutos e agora, com o inverno, temos o frio musical. Na música brasileira, essa estação é tida como algo que requer o oposto: o aquecimento! Ou seja, para os amantes da boa música, a solução para quem não quer o frio é encontrar algo para se aquecer.

É o que podemos verificar no clássico do rock Quero que vá tudo pra o inferno, em que o rei afirma: "Quero que você me aqueça nesse inverno...". Chitãozinho e Xororó, junto com o Roupa Nova cantaram o Frio da solidão: "Se existe amor entre nós dois, não me deixe aqui no chão...". Caetano falou em Escândalo que, depois de tanto aprontar restou o frio: "Mas agora faz um frio aqui...".

No Samba de Orly, Chico, Vinícius e Toquinho disparam contra a estação: "Pega esse avião, você tem razão de correr assim desse frio..." Dolores Duran também abordou o frio em Ternura antiga: "Ai, a rua escura e o vento frio...", sempre associando à estação aos sentimentos de saudade, solidão e tristeza, segue a música e o sentimento brasileiro em relação ao inverno! É o que relata Chico César em À primeira vista: "Quando tive frio, tremi...". Lupicínio Rodrigues também já cantava o frio em Volta: "Não há nada no mundo que possa afastar esse frio do meu peito..."

Djavan define que em um dia frio, o pensamento tá lá em você, em Nem um dia. Outras canções abordam e aquecem nossos ouvidos nessa época. Como disse também Gonzaguinha em Espere por mim, morena "Nas noites de frio, serei o teu cobertor, representaremos a estação de pequenas distâncias com o cobertor com a canção Inverno, de Adriana Calcanhoto:

Inverno
(Adriana Calcanhoto e Antônio Cícero)

No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir

De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial

Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei

Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar

Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes de o ocidente se assombrar

Um forte abraço a todos!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Se um veleiro repousasse na palma da minha mão...

Esse é Jessé Florentino Santos ou simplesmente Jessé. Desconhecido da atual geração, Jessé tornou-se "a voz" dos anos 80, quando venceu o Festival MPB Shell da Rede Globo com seu clássico Porto solidão. Natural de Niterói, foi criado em Brasília e cantou como cronner em boates, apenas se firmando como grande voz após essa interpretação inesquecível, hoje revivida por uma legião de fãs e intérpretes que cultuam seu trabalho.

Com uma voz potente, Jessé gravou doze discos que o tornaram inesquecível em sucessos como A deusa da minha rua, A noite do meu bem, América, Chão de estrelas, Farsante, Gaivota dourada, Eu te amo, Nos bailes da vida, Romaria, Luzes da Ribalta, Retrato em branco e preto, Coração de estudante, Maria Maria, O ilusionista, entre outras.

Jessé nos deixou em 1993, mas seu trabalho continua sendo divulgado e cantado por vários artistas com vozeirão que se arriscam a cantar a dificílima Porto solidão, que teve sua interpretação definitiva com Jessé ou que, de repente, tem nele sua principal inspiração artística!

Um forte abraço a todos!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Feche os olhos e sinta...

A Jovem Guarda trouxe grandes bandas ao cenário musical brasileiro. E a influência dessas pode ser sentida pelas novas gerações. É o caso da banda Renato e seus blue caps, considerada a Beatles brasileira, por fazerem várias versões do grupo de Londres, além de apresentarem o mesmo estilo, se caracterizando como uma das bandas mais antigas na ativa. Seus integrantes já participaram de vários discos de outros artistas como o lendário Roberto Carlos em ritmo de aventura, só pra citar um!

Formada inicialmente pelos irmãos Renato, Edson e Paulo César Barros. Já nos anos 60, Edson saiu do grupo e seguiu carreira solo como Ed Wilson, sendo substituído pelo tremendão Erasmo Carlos, que teve carreira breve no grupo. Do início, apenas Renato ainda permanece na banda que também conta com Cid Chaves, Amadeu Signorelli, Darcy Velasco e Gelson Moraes Jr. Outro artista que também passou pela banda foi Michael Sullivan, na década de 70. E de uma coisa é certa: a banda é dona de grandes e inesquecíveis sucessos como é o caso de Menina linda, Até o fim, Escândalo, 365 dias, A primeira lágrima, Como num sonho, Feche os olhos, Meu bem não me quer, Não te esquecerei, Quando a cidade dorme, Se você soubesse, entre outras.

Embora a banda só tenha espaço na mídia em época de comemorações pela Jovem Guarda ou nos especiais dedicados a esse movimento, Renato e seus blue caps seguem país afora animando seu público fiel que os acompanham em vários shows sempre com a mesma alegria que suas canções transmitem a várias gerações!

Um forte abraço a todos!

domingo, 26 de julho de 2009

Nelson Gonçalves Duetos

Uma das grandes vozes brasileiras, Nelson Gonçalves sempre foi generoso com seus colegas e vez por outra, gravou com eles canções memoráveis, algumas delas presentes nessa coletânea: Duetos, lançado em 2006. Antes mesmo desse tipo de projeto se tornar rentável e comum, Nelson já brilhava nessa área, chegando a gravar os discos Nós, Ele e elas Vol. 1 e 2, e Ele e eles, na década de 80.

É o que se pode verificar em Renúncia, fox clássico de seu repertório em dueto com o outro vozeirão Tim Maia. Maria Bethânia, clássico de Capiba na voz do Nelson, fez Caetano não só apontar esse nome à sua maninha, mas também participar dessa releitura histórica junto com o ídolo. Isso mesmo! Nelson é um ídolo para esses colegas, é o que afirma Alcione, que participa da faixa Louco. Fagner diz o mesmo quando empresta sua composição e voz em Mucuripe. E a própria Maria Bethânia aparece em Caminhemos, clássico da obra do Nelson.

Inusitado é Nelson e Gonzagão cantando Asa branca, clássico do rei do baião, e eles deixando claro, na conversa animada que apresentam no final da faixa, que ingressaram na mesma gravadora praticamente juntos. Outros fãs aparecem na sequência, como Chico Buarque em Valsinha, Martinho da Vila em Lembranças, Gal Costa em Dos meus braços tu não sairás e Zizi Possi em Castigo.

Nana Caymmi é recrutada para interpretar um medley do eterno Caymmi em Não tem solução, Só louco e Nem eu. Linda e clássica é a interpretação de O negócio é amar com Fafá de Belém. A coletânea chega ao fim em Perfídia, com Montserrat e Nunca, em dueto póstumo com Ivo Pessoa. Nelson teve outros duetos memoráveis com esses e outros artistas que não dão pra reunir em uma única coletânea. Entretanto, a música brasileira e o público que aprecia esse tipo de projeto e curte a voz inconfundível e memorável do Nelson aplaude esse lançamento e torce para que venham outros que perpetuem ainda mais seu trabalho!

Um forte abraço a todos!

sábado, 25 de julho de 2009

Espumas ao vento

Uma das canções mais lindas que já ouvi, da autoria brilhante de Accioly Neto, recém divulgado aqui na série Os compositores do Brasil, Espumas ao Vento foi gravada inicialmente por Flávio José em ritmo de forró e depois por Fagner, que a imortalizou para todo o país, em ritmo mais lento! Essa canção também fez parte da trilha do filme Lisbela e o prisioneiro, com Elza Soares.

Gosto muito da letra que representa um amor escancarado e ao mesmo tempo com uma sensibilidade impressionante como podemos ver em "...Coração na mão, desejo pegando fogo..." e em "Meu olhar vai dar uma festa, amor, na hora que você chegar..." respectivamente! É daquelas letras pra ficar entre as melhores no repertório de qualquer intérprete e na lembrança de qualquer apaixonado!

Espumas ao Vento
(Accioly Neto)

Sei que aí dentro ainda mora um pedacinho de mim
Um grande amor não se acaba assim
Feito espumas ao vento

Não é coisa de momento, raiva passageira
Mania que dá e passa, feito brincadeira
O amor deixa marcas que não dá pra apagar

Sei que errei, tô aqui pra te pedir perdão
Cabeça doida, coração na mão
Desejo pegando fogo

E sem saber direito a hora e o que fazer
Eu não encontro uma palavra só pra te dizer
Ah! se eu fosse você, eu voltava pra mim de novo

E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

E de uma coisa fique certa, amor
A porta vai estar sempre aberta, amor
O meu olhar vai dar uma festa, amor
Na hora que você chegar

Um forte abraço a todos!